REFLEXÕES SOBRE A ACTUALIDADE – CCCLXXXIII 9.04.2026
“O Egipto é um dom do Nilo”, Heródoto.
Heródoto
não podia ter sido mais preciso quando escreveu esta frase, basta lá ir para
nos apercebermos de como esta afirmação é verdadeira. Visitei o Egipto
recentemente, sobretudo: Cairo, Assuão e Luxor, pela segunda vez e retive três
locais que recomendaria como sendo dignos de visitas mais detalhadas e
demoradas:
Assim:
"Soldados, pensem que do alto destas
pirâmides, quarenta séculos vos contemplam!". Napoleão
Bonaparte.
Começo,
naturalmente, por citar Napoleão e a sua frase extraordinária, esmagadora,
didáctica, motivadora e proferida em 21 de Julho de 1798, antes da batalha com
os Mamelucos. O primeiro local é, naturalmente, as pirâmides do complexo de
Gisé: Quéops, Quéfren e Miquerinos.
Estas construções, após cerca de 4,5 mil anos desde o momento da construção,
permanecem um local – orientadas com alguns astros cosmicamente – de uma
grandeza avassaladora, tal a dimensão das pedras que as constituem e de todo o
complexo. Interrogámo-nos como foi possível com a tecnologia desse momento, construir
em cerca de vinte anos cada pirâmide, semelhantes estruturas? Ninguém sabe! A
sensação é de pequenez quando mirámos e nos chegámos a estas estruturas. É gigantesco
e, talvez, esmagador.
Recentemente,
em Novembro de 2025, abriu ao público o Grande Museu Egípcio do Cairo [i] – o
maior museu arqueológico do mundo, uma obra absolutamente faraónica e digna da
grandeza do passado deste País único. Obra grandiosa que, por si só, justifica
uma visita ao Cairo. Este edifício detém um pé direito em alguns locais, gigantesco
e em harmonia com os objectos que alberga. Logo à entrada, uma enorme estátua
de Ramsés II – o faraó por excelência; obra, legado e enorme descendência – com
cerca de nove metros de altura e 83 toneladas de peso, mas no seu interior há
mais de cem mil objectos que testemunham a grandeza do antigo Egipto e entre
eles, cerca de cinco mil objectos, incluíndo a máscara funerária em ouro maciço
e o sarcófago, que se encontravam na
câmara funerária – talvez a única encontrada intacta, de todos os milhares de câmaras,
múmias e sarcófagos espalhadas pelo Vale dos Reis principalmente, mas um pouco
por todo o Egipto – do faraó Tutancâmon.
Este museu merece ser visitado, não há nada que se lhe compare em lado algum, tem
uma área de cerca de quinhentos mil metros quadrados e um espólio de mais de cem
mil peças em exposição. São precisos vários dias para uma visita mais
pormenorizada.
O
terceiro local único e de uma grandiosidade difícil de descrever, é o Memorial
a Hatshepsut,
rainha da décima oitava dinastia, cerca de 1.500
A.C. Com efeito, para além de ter sido uma grande e notável mulher faraó,
ordenou ao seu arquitecto Senemute
que construísse o templo que detém o
seu nome e com o objectivo de a louvar e perpetuar a sua memória – objectivo
maravilhosamente conseguido. Se há obra avançada no seu tempo, considerando os
cerca de três mil e quinhentos anos de idade da mesma, é esta. O seu risco é de
uma beleza, leveza e grandiosidade únicos e imbatíveis. De tudo o que vi no
Egipto, fiquei um pouco siderado com este templo e com a sua forma
arquitectónica, é impossível ficar indiferente a tanta beleza.
Claro
que há inúmeros outros locais dignos de visita e de grande grandiosidade também,
como os túmulos do Vale dos Reis – com uma profusão de túmulos muito grande,
todos com galerias subterrâneas profusamente decoradas – ou o grandioso e
esmagador templo de Karnak, ou ainda as ruínas de Philae dedicadas à Deusa Isis
mas, os mais interessantes são so que descrevo com um pouco de detalhe.
O Egipto merece ser visitado, tem um legado riquíssimo, originalíssimo e único, acresce que deu um contributo inestimável à civilização.
Como se diz que uma imagem vale mais do que mil palavras, junto uma foto por mim tirada com o telemóvel, sem grandes preocupações de estilo, do Memorial de Hatshepsut, mas que creio traduz um pouco o que descrevi.
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