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MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXIX                                                                                    14/04/2025                                                                         

HOLODOMOR E RUSSIFICAÇÃO: DOIS EVENTOS QUE EXPLICAM EM GRANDE PARTE A UCRÂNIA ACTUAL…

“A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos”, Cícero.

E é incontornável para se perceber melhor o presente e o passado recente…

Um breve resumo do que foi o Holodomor, leva-nos a recuar até Estaline para compreender o que foi exactamente e a que se poderia perfeitamente ter chamado “Horrodomor”, tal o grau de crueldade e de horror que esse evento histórico suscita.

Com efeito, Estaline estava interessado na colectivização da Ucrânia – desde há muito considerada o celeiro da Europa – não esperava era encontrar uma resistência tão feroz dos camponeses ucranianos à colectivização forçada da sua terra, quando a iniciou e durante alguns anos, até dizimar completamente qualquer resistência. Estes, preferiam incendiar os seus celeiros e as suas colheitas a submeterem-se a uma colectivização irracional e que, de qualquer das maneiras, os deixaria em total indigência. O resultado foram cerca de 7 milhões de pessoas mortas à fome na década de trinta do século passado. Este é um dos maiores crimes de Estaline e é um facto incontornável, inegável e há inúmeras provas que o confirmam e atestam. Um massacre desta amplitude teria que gerar imenso ódio por parte dos ucranianos em relação aos Russos e que perdurou até aos dias de hoje. Quase todas as famílias tiveram uma vítima deste processo ignóbil e cuja responsabilidade é a de um verdadeiro paranóico, um louco, um carniceiro em última análise, epíteto que lhe assenta que nem uma luva. Este facto ajuda a explicar a resistência heróica dos ucranianos à invasão russa em 2022.

Incontornável é também a “russificação” – para se perceber bem algum separatismo em prol dos russos nos territórios do Donbass. Estaline procedeu à colonização russa, à russificação destes territórios com várias riquezas naturais no seu sub-solo, por forma a descompensar a demografia exclusivamente ucraniana, a favor dos novos “colonos” russos que para lá mandou. Obviamente que essas populações russas se enraizaram e cresceram em número, o que provocou bastante mais equilíbrio em termos demográficos, mas, não deixou de ser uma medida de carácter geo-político e administrativo na origem, e injusta e amoral.

A conclusão é simples: os ucranianos foram vítimas em último grau de Estaline nas décadas em que esse déspota dirigiu a U.R.S.S., e agora, são vítimas do seu discípulo Putin. De posse destes elementos, torna-se mais fácil compreender as motivações de uns e de outos, e ser solidário com os ucranianos e a sua terrível saga muito mal contada e muito mal explicada. É justamente por isso, por essa ignorância que suscita apoios aos russos, aqui e ali, espúrios e revoltantes. 

 

 

 

 

 

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