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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCCLXXIV                                               29/01/2025                                                                              

“As sociedades democráticas e capitalistas são as mais bem-sucedidas que a humanidade já produziu”, Martin Wolf, Revista “E” do jornal “Expresso”, 17/11/2023.

“O capitalismo é a exploração do homem pelo homem, o socialismo é o contrário”, M. Viola Fernandes.

Há muita gente que sabe, mas há ainda muito mais gente que ignora que só há duas maneiras de a sociedade se organizar económico-politicamente: as economias de mercado vulgo capitalistas, e as economias planificadas e centralizadas, ou seja, comunistas.

A confusão surge talvez do facto de nas sociedades de economia de mercado, capitalistas consequentemente, haver várias correntes ideológicas que as dirigem em cada dado momento – uma vez que são sociedades predominantemente democratas – e que no essencial são a democracia-cristã, a liberal – com graus diversos de conservadorismo – a social-democracia, a socialista a que se juntam nos últimos anos, a influência de partidos ecologistas agregados e aliados às correntes principais, sobretudo à esquerda. Basicamente, todas estas sociedades são capitalistas por aceitarem e viverem – com mais ou menos cambiantes – em economias de mercado. E este simples facto, muitas pessoas ignoram-no. Por exemplo, quando votam no PS português, pensam que estão a votar num projecto que acabe com o capitalismo e dê lugar ao socialismo, democrático seguramente, mas não capitalista uma vez que socialismo é antónimo de capitalismo. Como é óbvio, os partidos socialistas democráticos, não põem em questão nem puseram em lado algum, a economia de mercado.

Já no que diz respeito às sociedades comunistas, não há cambiantes possíveis. Ou são economias planificadas e centralizadas, ou são capitalistas. Excepção talvez, ao comunismo chinês que ganhou a forma de capitalismo de Estado, mas que não deixa de apresentar todas as cambiantes do comunismo, mormente o papel central, único e dirigista do Partido Comunista Chinês.

Vem esta introdução a respeito da afirmação que cito em supra, de Martin Wolf, reputadíssimo colunista do Financial Times, que se me afigura de capital importância, sobretudo num momento em que as sociedades capitalistas estão sempre sob ataque de movimentos esquerdistas, alguns novos, como o Woke cujo o objectivo último é o ataque ao capitalismo e às nossas sociedades liberais e democráticas sob a roupagem e a coberto do anti-racismo. Acresce que em Portugal, para além do movimento Woke, temos e teremos sempre o PCP a bater-se denodadamente pelo comunismo, como se a U.R.S.S. não tivesse implodido e com ela toda a Europa de Leste e como se o comunismo não fosse comprovadamente o maior falhanço, o maior flop da história da humanidade por não ter minimamente funcionado em lado algum, para não falar nos horrores que concitou em todo o lado onde exercitou o poder. Há ainda o BE, embora este seja um partido essencialmente cripto-comunista, mas cuja finalidade é perseguir objectivamente o comunismo. A sua génese e a dos seus autores e dirigentes, e a sua praxis política, denunciam-no ou traem-no completamente porque nunca assumem que são comunistas, mas, evidentemente que o são.

Mete alguma impressão que as pessoas não valorizem decididamente o que temos e o que conseguimos: liberdades cívicas e políticas plenas e de informação, bem-estar, reformas garantidas, serviços de saúde, ensino e segurança, ou pelo menos, nalgumas das sociedades ocidentais conseguiram-no muito razoavelmente sob sociedades capitalistas, as mais dinâmicas, as mais capazes, as mais criativas e as mais facilmente adaptáveis.

E em contraponto, as sociedades comunistas não têm um único exemplo a exibir com mediano sucesso, antes pelo contrário: a U.R.S.S. – para alguns um autêntico sol na terra… – quando colapsou tinha problemas gravíssimos para resolver na satisfação de bens básicos, como por exemplo na alimentação e habitação há muito resolvidos no Ocidente, para não falar na falta de liberdade e na repressão brutal a qualquer ameaça de dissidência mínima e num rasto que deixou um número incalculável de vitimas neste percurso onde existiu e o comunismo foi poder.

Se analisarmos Cuba, que ainda subsiste, então o resultado além de ser catastrófico é verdadeiramente dramático após 65 anos de Revolução. Miséria generalizada e falta de bens básicos e essenciais, últimamente até a electricidade entrou em colapso por com regularidade faltar dois ou três dias seguidos, e quando é restabelecida, é com cortes de 14 horas por dia. Acresce invariavelmente uma repressão brutal, polícia política feroz, total ausência de liberdade e imigração permanente e imparável para o grande satã, o grande inimigo, os EUA. A tudo isto há que juntar o argumento absurdo – autêntico boicote à inteligência das pessoas – do boicote económico-político dos EUA que justifica este atraso e esta miséria! Ora, se é verdade que Cuba não pode comerciar com os EUA, pode comerciar com o resto do mundo, todo…

Não há dúvida, Martin Wolf tem toda a razão, nunca o homem conseguiu organizar melhor a sociedade do que sob o capitalismo, sem pretender que este seja perfeito. Tem ainda inúmeros defeitos mas as sociedades capitalistas avançadas, resolveram e bem, o essencial dos problemas que afligem o homem desde tempos imemoriais. Quanto mais depressa as pessoas se capacitarem disto, mais valorizarão o Ocidente e o seu “acquis”, ou seja, legado.

Acabo a citar Winston Churchill, numa frase que é uma boa síntese do que escrevi:

 “A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias”.

 

 

 

 

 

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