PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCCLXXII 29/12/2024
“Fazer uma lei e não velar pela sua execução é o mesmo
que autorizar aquilo que queremos proibir”, Armand Richelieu.
Fomos governados anos a fio – com
os espectaculares resultados à vista de todos, sobretudo nas áreas da Saúde,
Ensino, Habitação, Justiça, Forças Armadas e Imigração – por Governos da
responsabilidade do Partido Socialista.
Ainda a
propósito da rusga da P.S.P., na Rua do Benformoso, no Martim Moniz, uma
vez que passada mais de uma semana sobre o evento, o mesmo continua a ser
ventilado todos os dias nos diversos órgãos de comunicação social e pelos
diversos comentadores que aí pululam. Há claramente, uma tentativa de fustigar
o Governo denunciando que se regeu por princípios racistas e, por esse facto cola-se
o Governo ao Chega, partido com as posições mais duras nesta matéria, como se
essas e outras posições similares – no fundo, a segurança e a prevenção do
crime e da imigração ilegal – fossem negligenciáveis num Estado de Direito.
É por isto tudo que é preciso
recuar a 2006, e à seguinte lei:
LEI DAS ARMAS
Regida pelo regime jurídico das
armas e munições e que foi votada e aprovada no Parlamento em 2006, quando o
P.S. detinha maioria absoluta e era Primeiro Ministro José Sócrates, e Ministro
da Administração Interna António Costa, cito-a e sublinho a negrito as partes
pertinentes e que interessam a este caso:
1 - As
forças de segurança devem planear e levar a efeito, periodicamente,
operações especiais de prevenção criminal em áreas geográficas delimitadas
com a finalidade de controlar, detectar, localizar, prevenir a introdução,
assegurar a remoção ou verificar a regularidade da situação de armas […].
2 - A delimitação das áreas geográficas para a
realização das operações especiais de prevenção pode abranger: a) Pontos de
controlo de acesso a locais em que constitui crime a detenção de armas,
dispositivos, produtos ou substâncias enumeradas na presente lei; b) Gares de
transportes colectivos rodoviários, ferroviários ou fluviais, bem como no
interior desses transportes, e ainda em portos, aeroportos, vias públicas ou
outros locais públicos, e respectivos acessos […].
As
operações especiais de prevenção podem compreender, em função da necessidade, a
identificação das pessoas que se encontrem na área geográfica onde têm lugar,
bem como a revista de pessoas […].
Lida esta
lei com atenção, verificar-se-á que a mesma dá cobertura legal, protege,
justifica e enumera todas as situações que se verificaram na referida rusga
levada a cabo no dia 19 de Dezembro, p.p., que foi coordenada com o Ministério
Público e que contou com a presença de um magistrado judicial, logo, de
legalidade plena e ao abrigo de qualquer abuso da lei.
É por
isso que a posição de Pedro Nuno Santos, de Alexandra Leitão e dos demais
dirigentes do PS – bem como a carta subscrita por 21 personalidades, a maioria
saída das fileiras do PS – e compagnons de route, é escandalosa,
absolutamente despudorada e de uma falta de vergonha a toda a prova e credora de
enorme censura e repúdio. Os dirigentes do P.S. têm obrigatoriamente que
conhecer a lei, ainda por cima e para cúmulo, elaborada sob a responsabilidade
de quadros qualificados do seu próprio partido, como António Costa, seu
principal artífice.
Uma
posição destas, por parte destes dirigentes, é indigna, viola o princípio da
própria lei e há-de suscitar perplexidade aos cidadãos informados e que
compreendem que as razões invocadas são falsas, uma vez que houve inúmeras
rusgas similares e durante a vigência de Governos Socialistas. Só em 2024,
atingiram o considerável número de 94 e nunca, repito, nunca, suscitaram
qualquer reparo por parte do PS ou de qualquer partido de esquerda. Acresce, segundo
a própria P.S.P., que houve 52
participações dos próprios moradores, de crimes violentos – ocorreu mesmo um
homicídio em Maio passado – alguns com recurso a arma branca, além de
frequentemente ocorrerem situações de desordem na área e que espoletaram e
justificaram a operação.
Era
preciso uma oposição forte – não há democracia nem Governo que possa prescindir
dela – mas decente e honesta intelectualmente, o que está longe de a actual
oposição o configurar. A democracia e a sua defesa tão sistematicamente
invocada por estes políticos, não passa de letra morta pois o respeito pela
verdade e pelo partido que ganhou as eleições e que governa legitima e
legalmente, é nulo, zero, nenhum!
Os
dirigentes do P.S., e já agora, todos os seus compagnons de route,
deveriam reflectir na máxima de Richelieu supracitada…
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