PENSAMENTO(S)
SIMPLES DO DIA – MDCCCLXVIII
13/10/2024
“O
secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, considerou, este sábado, que a
direita em Portugal "não é de confiança", classificando como
"uma vergonha" que os líderes do PSD e do Chega se acusem mutuamente
de mentir”, “JN”, 12/10/2024.
“Se os meus inimigos
pararem de dizer mentiras a meu respeito, eu paro de dizer verdades a respeito
deles”, Adlai Stevenson.
André Ventura é um irresponsável, – que me desculpem os meus amigos que acreditam nele e que acham que ele salvará a direita e regenerará o País – um demagogo e um mentiroso relapso, acresce que amiúde lhe foge o pé para o chinelo e para a “peixeirada”.
Em
primeiro lugar, Ventura é e tem sido desde que começou esta legislatura, um
divisionista do centro e da direita – ele que se intitula o campeão do
anti-socialismo! – que jura querer defender, não obstante, tem causado regularmente
mossa ao centro e à direita quando se abstém – permitindo dessa forma que os
projectos de lei do PS e da oposição passem na A.R. – ou vota sem pejo nem
vergonha ao lado do PS e pior, da extrema-esquerda, BE, e da restante esquerda:
PCP, Livre e PAN.
Esta
sua última narrativa, a de que foi convidado para o Governo por Luís
Montenegro, ultrapassou todos os limites da decência e transformou-o num
arruaceiro que divulga em público aquilo que deveria ser mantido discreto, com
uma grandíssima agravante, trata-se de uma mentira tosca e facilmente
desmontável!
Vejamos:
no dia 23 de Setembro, há pouco tempo, consequentemente, Ventura proclamou alto
e bom som o seguinte: "O Governo “nunca teve interesse
nenhum em fazer nenhuma negociação” orçamental e que quer “provocar eleições
para sair delas mais forte e sem precisar de negociar com a oposição”, (Jornal ECO, 23/09/2024).
Como pode pouco tempo depois acusá-lo de ter sido convidado para o Governo se
aprovasse o OE-2025? Então Montenegro já não queria a dissolução da A.R. e
novas eleições? E Ventura não passou a vida a queixar-se de que havia uma
maioria de direita que Montenegro estava a desperdiçar por não fazer uma
aliança com o Chega? Não era a junção do Chega à AD que Ventura queria, não era
ser reconhecido e entrar no Governo da AD? Mas se é assim, como Ventura diz,
por que não aceitou? Acresce que não faz nenhum sentido Montenegro querer a
dissolução da A.R. e pouco depois querer que Ventura votasse o OE, é absurdo e
não passa de uma mentira torpe e grosseira, porque se queria a dissolução não
queria que o OE-2025 fosse aprovado, obviamente! E o que aconteceria a
Montenegro depois do “não é não” mantido e reafirmado sem hesitação durante
meses a fio, para agora o deitar às urtigas e fazer um acordo de Governo com Ventura?
Seria classificado como um político sem palavra, volúvel e que tudo fez para
manter o poder! Estaria liquidado e a sua credibilidade reduzida a escombros.
O facto
de ter havido várias reuniões com os líderes dos partidos da oposição sobre o
Orçamento – um partido minoritário tem que reunir com todos os partidos da
oposição para explorar a hipótese de aprovação do OE, obviamente – não
significa que tenha havido qualquer promessa de entrada do Chega no Governo,
como afirma Ventura, como contrapartida à viabilização do OE.
Ventura
dificilmente chegará ao poder em Portugal e de Estadista não tem nem o verniz,
porque se tivesse, sendo ele de direita ou mesmo da extrema-direita, nunca
poderia atacar sistemáticamente o centro, a direita e o centro direita – porque
é, em parte, a sua área política – como o faz desde Março. Ventura foi acusado de
ter actuado objectivamente como um instrumento do PS, um idiota útil ao seu
serviço, a realidade mostra que se não foi bem assim, andou lá muito perto. Ventura
tem perdido imensa credibilidade e esbraceja, sem tino nem sentido, para ser
ouvido, para que se fale dele, para se pôr em bicos de pés e para se justificar
perante o seu eleitorado e reforçar a mensagem de duro e implacável a defender
a luta contra o socialismo. Acontece que se houver dissolução, uma parte dos
seus deputados desaparecerá na voragem da campanha eleitoral e das eleições, e
ele sabe disso e não quer eleições por serem um risco enorme. É por isso que
não será de admirar, como dizem alguns observadores, que à última da hora, seja
capaz de aprovar o OE-2025 sem nenhuma espécie de contrapartida, sobretudo se o
PS – também um perdedor se houver eleições por parte do ónus dessa dissolução
lhe cair no regaço – manifestar a intenção de não aprovar o OE. Tudo por patriotismo, obviamente...
Não
ataco gratuitamente Ventura como a esquerda sempre fez, ataco-o porque ele
merece e não pode, como a esquerda sempre fez, fazer de nós lerdos como o está
a fazer agora! O caixote do lixo da história já esteve mais longe…
Comentários
Enviar um comentário