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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA MDCCCLXIX                                                     29/10/2024                                                 

“O Ministério das Infraestrutura e Habitação não tem nos seus arquivos estudos ou informações que suportem os cálculos usados para chegar aos 55 milhões de euros pagos pelo Estado a David Neeleman para sair da TAP na renacionalização de 2020, nem documentos com serviços prestados pela consultora BCG (Boston Consulting Group) para o plano de reestruturação da companhia”, “ECO”, 21/10/2024.

“É uma grande habilidade saber esconder a própria habilidade”, La Rochefoucault.

Isto é gravíssimo, para uma coisa destas acontecer, é preciso que alguém esteja com muito receio das conclusões do estudo da consultora e da forma como isso pode comprometer a decisão de renacionalizar a TAP e das razões que levaram a essa renacionalização, bem como da hipotética intenção de esconder aquilo que não convém que saia cá para fora. E admitindo que possa ter sido assim, então, há conivências e cumplicidades iníquas neste Ministério que não podem ser ignoradas e há que instaurar um inquérito para saber quem foram os responsáveis pelo desaparecimento desta documentação. Sim, porque os documentos não voam, nem mesmo na TAP – onde milhares de milhões voaram… – conseguiram essa façanha…

Este País chegou a um ponto em que há forças políticas que não hesitam perante nada para não saírem mal vistas, ou seja, cometem os erros e não querem assumir as responsabilidades pelas más decisões que tomaram. Um bom exemplo, também na tutela deste Ministério e durante o mandato de Pedro Nuno Santos quando era Ministro das Infraestruturas, foi o facto de mandar indemnizar a Engª. Alexandra Reis em meio milhão de Euros, esta indemnização foi negada pelo próprio Ministro durante algum tempo até ter passado “a fita do tempo”, segundo ele próprio, para se lembrar de que tinha dado autorização para essa indemnização por WhatsApp. Dá vontade de rir a displicência com que assuntos sérios da Administração Pública foram tratados. Houve neste Ministério das Infraestruturas algumas habilidades que correspondem a inabilidades idênticas às da frase: “gato escondido com rabo de fora”…

Há uma maneira de recuperar esta documentação, é recorrer à Boston Consulting, mas não deixa de dar uma imagem algo surreal do Estado português e do modus operandi de alguns dos seus agentes e servidores altamente colocados no aparelho do Estado. Outra possibilidade é o próprio David Neelman que, seguramente não estará interessado em fornecer a documentação que muito provavelmente comprovará a forma leonina como foi beneficiado nesta saída da TAP por razões essencialmente ideológicas…

Foi um período de desvario aquele que se viveu no dossier TAP e que desabona completamente a gestão de Pedro Nuno Santos que ficou eivada de amadorismo e deixou facturas pesadíssimas para saldar, mormente a principal, a de 3,2 mil milhões de euros que jamais serão recuperados, sobretudo se considerarmos que a TAP, em caso de privatização total, não valerá mais do que 1,2 mil milhões – todos os especialistas na matéria o confirmam – e sendo assim, esta nacionalização foi absolutamente ruinosa. Ficará à vista de todos de uma forma inocultável e indisfarçável, como se delapidam 2 mil milhões de euros do nosso dinheiro, dos nossos impostos!

 

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