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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MDCCCLXXXV                                                                                 

 “Querem combater a esquerda, juntem-se ao PSD e ao CDS, não ao PS e à extrema-esquerda”, Paulo Núncio, líder parlamentar do CDS, “Expresso”, 3/05/2024.

 “Em política, o que parece é”, António de Oliveira Salazar. 

Parece que o Chega está a votar com o PS…

 é, é isso mesmo… 

Com efeito, é de muito difícil compreensão que um partido que se diz ferozmente anti-socialista, esteja a votar sistemáticamente com esse mesmo PS, e pior, ao fazê-lo, está a votar também com a extrema-esquerda em projectos de enorme relevância para o País, como:  baixa do IRS e o fim de da cobrança de taxas em algumas SCUT, só para citar estes exemplos. O argumento utilizado pelo Chega, de votar tudo o que for bom para o povo português, é para néscios e infrene de demagogia. Todos os partidos votariam tudo o que fosse bom para o povo português, se tal fosse económicamente possível. Não há quem não saiba isto… 

Não faz nenhum sentido e só se pode compreender numa base de uma política de bota-abaixo, de coligações negativas com o objectivo de apear este Governo, seja por demissão própria alegando falta de condições para cumprir o seu programa – por muito menos, em 2019, António Costa ameaçou demitir-se quando se avolumou a ameaça de uma coligação negativa que juntasse a esquerda e a direita e votasse a recuperação do tempo dos professores – seja por deterioração da situação política de tal forma agravando a ingovernabilidade, que leve o Presidente a dissolver a Assembleia da República mais uma vez, o que fará cair o Governo inevitavelmente. 

Esta política tem consequências graves; o PS consegue paralisar a acção e bandeiras eleitorais do Governo, mas ao mesmo tempo, permite a sua vitimização, o que pode ser extremamente perigoso e pode prejudicá-lo em eleições antecipadas, sobretudo se considerarmos que uma nova maioria absoluta para o PS é pura miragem, tampouco se vislumbra uma maioria simples de esquerda, por neste momento haver uma maioria clara de direita no Parlamento. Já nem falo nos danos colaterais; uma exercitação enviesada da democracia e do seu conceito básico, governa legitimamente quem tem mais um voto do que o contendor, situação actual. 

No que ao Chega diz respeito, por a grande maioria do seu eleitorado, farta da inoperância, incompetência, corrupção e nepotismo desenfreado de que deu mostras nos oito anos e três meses que duraram os Governos de António Costa, não compreender que o seu partido que se arvorava como o campeão do anti-socialismo, afinal, objectivamente, esteja a votar sistematicamente ao lado do PS e da extrema-esquerda. Isto não deveria acontecer, a estratégia tinha que ser outra, não votar com o PS nunca e votar cm a AD pontualmente, ou sozinho, se fosse caso disso, as suas próprias propostas. Não poderia nem deveria abrir brechas ao centro e à direita, sobretudo provindo ele da direita mais à direita e depois do oito anos e três meses de desgoverno socialista.

O Chega tem a pretensão de ser o segundo maior partido, ou mesmo o primeiro, Ventura não esconde que quer ser Primeiro-Ministro, mas esta política facciosa acabará por se virar contra ele, seguramente que imensa gente que nele votou, deixará de o fazer numa próxima oportunidade que surge já em Junho, nas eleições para o Parlamento Europeu, por discordar frontalmente de o Chega estar a guerrear ferozmente e em primeiro lugar a AD, o bloco natural em que se insere, por oposição ao bloco das esquerdas, e juntar-se às esquerdas. 

É o próprio Ventura que avisa Montenegro: “isto vai acabar no precipício, que só você não quer ver. Vai parar à falésia”. Ventura toma estas posições em relação ao “não é não” – mas trata-se de uma mistificação grosseira e para papalvos ou ignorantes – pois este referia-se exclusivamente a uma coligação de Governo e nunca a negociar com o Chega e com todos os outros partidos no Parlamento, condição sine qua non para qualquer Governo minoritário subsistir, negociar tanto à esquerda como à direita. 

A desonestidade intelectual e política surge de todos os lados…  temos o País que merecemos, composto por partidos que se portam assim, e que também merecemos, votámos neles…

 

 

 

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