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UMA OPINIÃO AO ESTILIO “BLITZ”CDXXIX                                                         27/04/2024                    

 “Medina financiou queda da dívida pública com dinheiro das pensões futuras. Em 2023, através do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) e da Caixa Geral de Aposentações (CGA), foram investidos mais de 7,7 mil milhões de euros na aquisição de títulos de dívida da República, nomeadamente de obrigações do Tesouro”, “Negócios”, 17/04/2024.

 “Toda a trama requer uma boa dose de frieza e dissimulação”, Mónica de Castro, autora brasileira.

Confesso que fiquei estupefacto com a notícia em supra. Como é possível que uma coisa destas aconteça? Como é possível que o Governo do PS, em que Fernando Medina, Ministro das Finanças do Governo de António Costa, foi o responsável pela medida e que co-responsabiliza o Primeiro-Ministro, naturalmente, teve a coragem e a frieza para a tomar, sabendo de antemão que mais tarde a mesma se tornaria pública? O “brilharete” foi poder afirmar que o Governo tinha baixado a dívida pública para 99,1% do PIB – o que teria imenso impacto em véspera de eleições, logo, arregimentaria votos! Trata-se, portanto, de uma medida que é “fake” no sentido de que se trata de uma manobra e não de crescimento real da economia e do PIB que tenha provocado a baixa da dívida pública. Uma manobra torpe, consequentemente.

Sem nenhum pejo, o Governo utilizou o dinheiro das pensões futuras dos portugueses para uma manobra essencialmente de marketing mas que pode ter consequências funestas no futuro se houver pensões por pagar devido a esta medida. E sendo assim, é extraordinário que não tinha havido um clamor nacional a denunciar este estratagema. Imaginem por um segundo, que era um Governo de direita que empreendia uma medida deste teor; caía o Carmo e a Trindade, haveria partidos cujos líderes rasgariam as vestes na praça pública, a CGTP tomaria o partido e as dores dos pensionistas e convocaria uma grande manifestação nacional de repúdio por esta medida, em que seria secundada por todos os partidos de esquerda… 

Enfim, há medidas que em circunstâncias normais nunca passariam sem uma fortíssima denuncia e contundente critica colectiva, um verdadeiro arraso, para que tal não aconteça, só depende de quem as toma, da origem das mesmas…

 

 

 

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