PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MDCCCLXXXIV 16/04/2024
“Eu
tive a percepção clara de que António Costa estava a preparar um governo
alternativo com o apoio do Partido Comunista ainda no Verão. Fui juntando um conjunto
de peças e fiquei com essa convicção”, Passos
Coelho, “Expresso”, 15/04/2024.
“A
democracia é o pior de todos os sistemas exceptuando todos os outros”, Winston
Churchill.
A
democracia é um sistema político que tem muitos defeitos, mas tem duas virtudes
principais: a mais importante, é o facto de se poder substituir os governantes
regularmente, de tantos em tantos anos, ou se as circunstâncias o determinarem,
como agora ocorreu com a demissão e substituição do Governo de António Costa,
muito antes do fim da legislatura. E isto é uma virtude de valor incalculável,
insuperável e que está nos antípodas das autocracias em que esse direito é
sistemática e ideologicamente negado ao povo, não existe. A segunda virtude e
que não decorre desta directamente mas faz parte integrante da democracia
enquanto sistema moral e positivamente superior aos outros, é a lisura de
procedimentos e princípios, da correcção e do fair-play, é o facto de ser – ou
dever ser – completamente transparente.
Com
efeito, numa democracia se não há transparência – o que por vezes acontece – é
porque os dirigentes têm medo da reação dos cidadãos – ocultam-na deliberada e
intencionalmente – eleitores de 4 em 4 anos em regra, por a mesma poder
incentivar e impulsionar mesmo a possibilidade de os substituir, facto absolutamente
normal em democracia.
Vem
isto a propósito das recentíssimas declarações de Passos Coelho a propósito da
formação do XXI Governo Constitucional de António Costa em Novembro de 2015,
citação em supra, e que posteriormente os factos da formação desse Governo
foram abundantemente noticiados e confirmados, ou seja, antes mesmo de as
eleições ocorrerem, António Costa já tinha um pré-acordo de Governo com
Jerónimo de Sousa que, na altura, liderava o PCP. E este é o exemplo perfeito
de sonegação por um político de informação aos cidadãos e que é absolutamente
imperdoável, um político animado de correcção de princípios e de respeito
intrínseco pala democracia e as suas regras, não pode aceitar nem perdoar este comportamento.
António
Costa não informou o eleitorado em geral e os seus correligionários em
particular, antes das eleições, dos seus contactos para um acordo com o PCP,
por duas razões principais:
- · O PS tinha
sido, desde 1975, o inimigo principal do PCP. Foi durante décadas sistemáticamente fustigado e acusado de praticar uma política de direita, senão mesmo de se aliar
à mesma.
- · António Costa
tinha medo da reação do eleitorado em geral, a uma aliança oficial e aberta com os comunistas, comunistas que suscitavam imensos anti-corpos na sociedade
portuguesa, se não fosse por mais nada, pelo verão quente de 1975 e pelas
golpadas sistemáticas que o PCP empreendeu e protagonizou contra a democracia,
uma dos mais célebres foi o cerco à Assembleia Constituinte.
Se
António Costa tivesse informado o eleitorado da sua aliança como o PCP, dificilmente
as esquerdas teriam tido a maioria na A. R. que lhes permitiu formar a
Geringonça e, muito possivelmente, a aliança PSD/CDS da altura, teria chegado
aos 41%, que lhe permitiria continuar a
governar, andou perto apesar de ter cometido outros erros de monta, como não
denunciar sistematicamente a bancarrota que herdou e que a obrigou a tomar
medidas crescentemente impopulares.
A
história tratará abundantemente deste caso de sonegação da verdade por parte de António
Costa, não só como altamente reprovável – até por lhe ter permitido governar
durante 8 anos sem ter sido o escolhido, o mais votado, claramente em 2015, ano em que perdeu
as eleições – mas também como exemplo de como se manipula um eleitorado e se
corrói a vontade do povo. Deplorável!
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