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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCLXXXV                                                9/02/2024                                                  

PS, UM ALBERGUE ESPANHOL OU UM PARTIDO ONDE CABEM QUASE TODOS?

O PS é um partido em que alguns dos seus quadros dirigentes têm visões nos antípodas uns dos outros, e são de tal forma díspares que, um observador que não conhecesse a realidade portuguesa e lesse as afirmações dos intervenientes, classificá-los-ia e às mesmas como provenientes da mais dura ala esquerda, ou da direita, bem à direita da social-democracia…

Vejamos, então e para o provar, citações à esquerda, de Pedro Nuno Santos:

“Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses.”.

“Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”.

“O PS nunca mais vai precisar da direita para governar”.

Por outro lado, vejamos afirmações de Francisco Assis claramente conotáveis com a moderação, com a ala direita, e que chega a apresentar laivos de pedagogia política e infirmam completamente posições políticas oficiais assumidas pelo PS:

“O próprio PS não deve tratar o PSD como inimigo mas como adversário […]”.

“António Costa disse que “o diabo é a direita” no seu discurso. É uma frase em que obviamente não me reconheço”.

“Em 2010, 2011 quem teve de negociar com a troika o Programa de Assistência Financeira ao Estado Português foi o governo do Partido Socialista. Quem iniciou uma política de austeridade na altura foi um governo do Partido Socialista”.

“E o PS entretanto regressou ao poder em 2015 e a partir de certa altura também pareceu exagerado e errado estar sistematicamente a insistir nos males dos quatro anos da governação da direita […]”.

Há uma conclusão lógica ao analisar estas citações, de um e do outro:

Sim, o PS é um partido onde inacreditavelmente os autores destas afirmações coexistem e, ultimamente até, Francisco Assis – que foi critico acérrimo da Geringonça – saiu em defesa de P.N.S. e apoiou-o enquanto putativo candidato a líder do PS. Portanto a conclusão a retirar é simples; cabe lá tudo, desde que haja poder – e para manter o poder, não há limites, assistimos às maiores piruetas sob o ponto de vista ideológico! – e prebendas para distribuir pelos “boys”…

Escolhi dois políticos, mas poderia ter escolhido muitos mais, à direita, por exemplo: Miguel Beleza ou Sérgio Sousa Pinto, e à esquerda, por exemplo: Carlos César, Duarte Cordeiro ou Ana Gomes. Não seria difícil plasmar frases ilustrativas das suas enormes diferenças políticas, de uns e de outros, dificilmente conciliáveis sob o ponto de vista ideológico.

É por isso que o PS é tudo aquilo que lhe quisermos chamar, sempre com a desculpa ridícula de que são um partido democrático e plural, como se os partidos não tivessem ou devessem ter uma identidade política comum forte que reúna e agregue o máximo consenso de opiniões idênticas e que, justamente por essa razão, se constitui em partido.

Devemos e poderemos acrescentar o seguinte epíteto que lhe assenta bem: o verdadeiro partido fautor da instabilidade política máxima: Guterres demitiu-se em 2001, Sócrates demitiu-se em 2011, António Costa demitiu-se em 2023 e, já agora, para complementar o ramalhete: o partido das bancarrotas; em 1977 e em 1983, Mário Sores era Primeiro-Ministro quando chamou o FMI, e em 2011, era Sócrates o homem “in charge”…

 

 

 

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