PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCLXXXIV 30/01/2024
A VITÓRIA AO
ALCANCE DO CENTRO E DA DIREITA?
“Vitória sem
dificuldade é triunfar sem glória”, Pierre Corneille.
Reflexões sobre a última sondagem conhecida, a da
Renascença, do dia 29/01/2024:
O PS surge em primeiro lugar com 30% das
intenções de voto, seguindo-se a AD com 26,7%, o que configura um empate
técnico por estar dentro da margem de erro, o Chega com 17% e um crescimento
galopante, o Bloco de Esquerda com 7,8%, o que traduz alguma recuperação, a
Iniciativa Liberal com 5,3%, números que reflectem uma quebra relativa devido à
saída de inúmeros quadros, a CDU com 3,2%, a roçar a irrelevância quase
absoluta ou o PCP a solo, o que ainda é pior, muito próximo dos pequenos
partidos, o PAN 2,2% e o Livre com 1,8%, dentro das expectativas de pequenos
partidos à esquerda e que pouco influirão no resultado final. De uma maneira
geral, todas as sondagens dão resultados idênticos.
Depois de um Governo
absolutamente desastroso como nunca se viu – 14 demissões em menos de 2 anos de
exercício – de desconchavo nacional e indigência internacional, como o foi este
último de António Costa – já o anterior tinha sido péssimo e abalado
irreversivelmente o seu prestígio de grande político – que este resultado, a
confirmarem-se as sondagens, é péssimo para o PS, razoável para a AD e
excelente para o Chega mas, a prazo, um óptimo resultado para o centro e a
direita, se o souberem aproveitar e gerir, o que não será fácil.
Vejamos, a história recente de
Portugal diz-nos que de cada vez que o PS governou, mal ou muito mal – coisa
recorrente infelizmente, a chamada do FMI por três vezes atesta-o cabalmente – seguiu-se lhe um Governo do PSD, em norma coligado com o CDS, o que faz sentido,
é a alternância e a democracia a funcionarem. Parece ser o caso agora, os
eleitores querem que o PS faça uma cura de oposição, estão fartos da sua
ineficiência, nepotismo e casos de corrupção, sobretudo ao nível autárquico mas
que chegou a atingir o próprio Governo ao
ponto de o fazer cair. Por outro lado, os partidos Chega e IL são
partidos conotados com a direita ou mesmo com a extrema-direita, caso do Chega,
e são partidos que, no essencial, são formados por gente descontente com o PSD
e com o CDS, e que procuraram
alternativas aos seus partidos. É por isso que um cálculo simples nos diz que se somarmos
aos resultados da AD, o Chega e a IL, chegamos aos seguintes números: 26,7% +
17% + 5,3%, perfaz 49% dos sufrágios e uma maioria absoluta que se atinge com
cerca de 42/43%, versus 45% da esquerda. Pela primeira vez em muito tempo, o
centro e a direita tem uma maioria no Parlamento que lhes permitirá governar e
começar – como sempre acontece quando o PS deixa o poder – a colar os escombros
da desgovernação socialista em que as áreas mais evidentes são a Saúde à
cabeça, o Ensino e a Habitação, tudo áreas de pré-catástrofe social e que nem
mesmo as esquerdas o negam, a confirmação deste facto na habitação, por
exemplo, são as manifestações um pouco por todo o País – enquadradas por
partidos de esquerda – como têm ocorrido, a lutar por habitação condigna para
os cidadãos e conforme invocam sistemáticamente, estar consignado na
Constituição.
Teremos, por conseguinte, dois
blocos completamente antagónicos mas muito próximos: o PS e “compagnons de
route” – em que se encontram partidos Marxistas de vocação totalitária, mesmo
que, por vezes, se reclamem de sociais-democratas… – com cerca de 45% dos sufrágios, e a AD e
companheiros de cruzada – incluíndo o extremista Chega – para retirar o poder à
esquerda, com 49%, ou seja, uma diferença de 4% dos sufrágios, não muito grande
mas decisiva e suficiente. Às alegações de que a AD é uma aliança requentada, o
que poderemos chamar à Geringonça II, uma aliança rejuvenescida, ou requentada similarmente?
Quanto à AD II, alguém
acredita que partidos que têm acesso ao poder por meio do voto, legitimamente
sublinhe-se, o vão recusar? Mudarão de líderes se isso for condição sine qua
non para aceder ao almejado poder, que é a sua razão de existir e porque só
assim conseguem levar a cabo o que propugnam para melhorar o País e a
sociedade, razões muito ponderosas e que se sobrepõem a qualquer leitura
política particular dos seus líderes, como a de Luís Montenegro, por exemplo,
ao recusar o apoio do Chega. Chega que entretanto, já acrescentou uma nuance à
sua posição intransigente de apresentar uma moção de censura a um Governo da AD
em que não participe, parece que acabará só por impor condições para o
viabilizar…
Vamos assistir a um ataque
desesperado por parte de todos os partidos de esquerda ao Chega, – o que aliás sempre
aconteceu, sobretudo o PS, na ânsia de prejudicar o PSD – partido que lhes vai
fechar a porta do poder e, concomitantemente, à própria AD, com o intuito de
não permitir que o Chega se lhe alie e lhe confira os votos de que precisa para
governar. Ora esta situação está vetada ao insucesso e as acusações de
demagogia e de extremismo não serão suficientes para não afastar a esquerda do
poder, e isto decorre dos resultados indigentes que a mesma, coligada ou a
solo, com o PS como principal protagonista, conseguiu nos últimos 8 anos e
alguns meses, e isso é que vai contar. A IL terá que se resignar, mudar de
líder outra vez, ou ficar com o ónus de impedir o centro e a direita de
governar. Não acredito.
Estas eleições serão únicas e prometem.
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