PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA -
MDCCLXXV 7/11/2023
PALESTINA: TERRA DE DEUS E DE
ALLÁH, E ONDE NÃO HÁ MILAGRES, OS ÚLTIMOS OCORRERAM HÁ DOIS MIL ANOS…
“O ódio é o prazer mais duradouro. Os homens amam com pressa,
mas odeiam com calma”. Lord Byron.
É preciso recuar um pouco para
perceber melhor este gravíssimo conflito – que há décadas afecta a Palestina e
derrapa para outras partes do mundo, nomeadamente para a Europa, vítima e local
de múltiplos atentados – que opõe palestinianos a israelitas, convém, o mais
desapaixonadamente que for possível, ter em conta que; em 1948, a ONU, com o
voto a favor da U.R.S.S., aprovou a criação do Estado de Israel na Palestina. A
U.R.S.S., mais tarde, mudou de campo e acabou por apoiar veemente e
vigorosamente a causa palestiniana. A criação do Estado de Israel sob a égide
da ONU, não foi aceite pelos estados árabes, mormente pelo Egipto; Iraque,
Líbano e Jordânia que lhe moveram uma guerra no dia seguinte à proclamação da
independência. Guerra ganha por Israel e que foi responsável por provocar a
expulsão de cerca de 750.000 palestinianos, num total aproximado de 900.000, ou
seja, perto de 83% da população palestiniana à época – das suas casas e, em
última análise, das suas terras também – é a chamada Nakba, ou a grande catástrofe, em árabe. Com efeito, enquanto que houve comprovadamente um Estado judaico
naquelas terras, há dois mil anos, nunca houve nada que se parecesse com um
Estado palestiniano similar.
Possivelmente, este caso – que configura um enorme erro por parte da
ONU, do favorecimento de Israel, nunca poderá ser reparado ou ultrapassado. A
verdade é que o massacre, a carnificina, o abate a tiro, a chacina, a violação, a decapitação, o esquartejar e a
queima de pessoas vivas; mulheres, crianças e de cidadãos indiferenciados, tudo
crimes perpetrados pelo Hamas são indignos da raça humana – são bárbaros – e
retiram-lhe qualquer réstia de justificação e de moral para reparar injustiças
e erros perpetrados há décadas contra os Palestinianos, e anulam liminarmente a possibilidade de ser um parceiro
aceitável e credível, em primeiro lugar, para Israel, depois, para grande parte
do mundo que se rege pelos nossos padrões civilizacionais, principalmente, a Europa e os EUA.
É verdade que os judeus, tal como
os palestinianos, permaneceram sempre na Palestina, andavam por lá há dois mil
anos, mas eram em muito menor número do que os Palestinianos e, apesar desse
facto, aquando da partição, ficaram com a maior parte das terras e com o
litoral, a parte mais rica, logo desde o início e sob a égide da ONU.
Há quem cometa o erro de não
dissociar o Hamas do povo palestiniano e de lhe prestar um apoio indefectível –
mascarado e escondido por trás da palavra paz, já foi assim quando a Rússia invadiu
a Ucrânia e nunca foi por esta gente abertamente criticada e denunciada – não
distinguindo e diferenciando aquilo que é justo daquilo que é infame e
indefensável – como a utilização dos próprios Palestinianos como escudos humanos –
branqueando o Hamas e os seus actos bárbaros, o que faz dele um grupo de
assassinos actuando de uma forma fascista, pior do que o pior dos fascismos.
Nesta guerra há algumas
singularidades e perplexidades a destacar: os Palestinianos são de origem
semita, o que lhes dá um grau de proximidade e de afinidade enormes com os seus
inimigos ancestrais, os Judeus, eles próprios da mesma origem também, o que deveria
ser suficiente para repelir qualquer guerra entre eles. Em termos de
proximidade ou de afinidade, os kibutz israelitas são o mais
aproximado que há no ocidente aos antigos Kolkhoz, do tempo da
U.R.S.S. – em termos de organização político-administrativa e colectiva das
terras e do seu rendimento – o que, apesar desse facto importantíssimo, não
trouxe nenhuma simpatia a Israel por parte da U.R.S.S… Finalmente, acresce que
não deixa de ser inacreditável que esta gente mata barbaramente e faz tudo isto
em nome de um Deus maior, do seu Deus, de Alláh….
Na Palestina não há inocentes – ambos
têm as mãos manchadas de sangue – e cito uma frase muito impressionante do filósofo e ensaísta Bernard-Henri Lévy, que só confirma a
asserção anterior:
“O Hamas não deve apenas
ser severamente punido, deve ser destruído”, “Expresso”, 16/10/2023.
Talvez a criação de dois Estados soberanos e independentes e com garantias recíprocas e múltiplas assegurado pela ONU, seja a única solução para o problema, mas diria que no ponto de ódio em que as coisas estão, é preciso, de novo, um milagre, um milagre e dos grandes na terra que foi berço de inúmeros milagres…
Acabo com uma outra citação que me parece muito oportuna na circunstância e se aplica aos contendores de um e outro lado:
“O ódio
é a vingança do covarde”, George Bernard Shaw.
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