PENSAMENTO SIMPLES DO DIA –
MDCCLXX 27/09/2023
BREVE ANÁLISE AOS RESULTADOS
DAS ELEIÇÕES NA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA.
Enquadramento:
O risco de “Mexicanização” do
regime nesta região parece definitivamente afastado, agora que o PSD perdeu a
maioria absoluta de que vem fruindo praticamente desde há quase 50 anos.
Por outro lado, assistiu-se a
maus resultados da esquerda em geral, e a resultados catastróficos por parte do
PS.
Vejamos detalhadamente:
PSD/CDS – é claramente um
dos vencedores eleitorais pois fica a 1 deputado da maioria absoluta, averba
43,1% dos sufrágios, ou seja, 58.399, e 23 deputados eleitos. Esta vitória tem
um travo amargo por Miguel Albuquerque ter prometido estupidamente que se
demitiria, se a coligação que lidera, PSD/CDS, não obtivesse uma maioria
absoluta, o que não conseguiu e o obrigou a uma pirueta política que mancha
indelevelmente a sua carreira, prestígio e palavra. Não obstante, consegue mais
do dobro dos votos do segundo partido mais votado, o PS que não foi além de
21,3% dos sufrágios, 28.844 e 11 deputados. Vitória mais expressiva só se
tivesse obtido a maioria absoluta porque se bateu. O CDS que já foi uma força
considerável na região, vê agora o seu papel, (sempre menor, obviamente) a sua
força política impossível de aferir por estar diluída na coligação.
PS – averba uma queda de
42% quando comparados os resultados com as eleições de 2019, com efeito, passa
de 19 deputados eleitos nessa altura, para 11 deputados agora, em 2023. É uma
hecatombe eleitoral e pior era difícil, é um derrotado em toda a linha e não
beneficiou nada de o partido mãe, o PS no continente, ser Governo, o que é
sempre um factor positivo, a menos que, neste caso, seja mesmo um factor
negativo tal o desgaste de que o Governo da República dá sinais e provas
concludentes. Inclino-me mais para este último caso, embora o porta-voz do PS
se tenha apressado a dizer que os resultados na Madeira são únicos e não permitem
leituras transversais ou comparações com Portugal continental… a forma como o
representante derrotado do PS na Madeira, Sérgio Gonçalves, analisou e comentou
os resultados obtidos por si e pelo seu partido, foi chocante; admitiu o mau
resultado “en passant” e exigiu a demissão de Miguel Albuquerque, em vez de
confirmar a sua devido a estes resultados absolutamente catastróficos, foi patético!
JPP – 5 deputados, 14.933
votos ou 11% do total, averba o terceiro lugar no ranking dos partidos e dos
resultados e um crescimento de 1%. Veremos como os vai utilizar na oposição ao
Governo de Albuquerque e que futuro terá, o que parece ser uma força meramente
conjuntural e unicamente local
CHEGA – com 4 deputados,
12.028 votos e 8,9% dos sufrágios é, indiscutivelmente um dos grandes
vencedores da noite, possivelmente também por ter contribuído fortemente para a
perda da maioria absoluta do PSD, mas sobretudo por ter tido um crescimento
explosivo, passou de 649 votos e 0.43% dos sufrágios, para 12,028 e 8,9% do
total, se isto não é um resultado extraordinário, não sei o que o possa ser? A
seu desfavor tem o facto de estes números – neste momento – serem desprezíveis
para a direita governar e veremos como se comporta se houver uma dissensão por
parte do PAN na coligação, nessas circunstâncias, deita o governo de direita
abaixo?
CDU – 1 deputado, 2,7% dos
sufrágios ou 3667 votos, não se pode considerar que tenha averbado uma derrota,
uma vez que manteve o deputado que tinha eleito em 2019 com a coligação PCP/PEV
e 2577 votos, e até obtém mais cerca de 1100 votos. Não deixa de ser
extraordinário que em 2023, depois da débâcle do comunismo um pouco por toda a
parte, ainda assim – e se somarmos os votos do cripto comunista BE, ainda mais…
– que todos estes milhares de pessoas possam achar que o comunismo é a solução
para a Madeira, quiçá para a humanidade. Acresce que a posição deste partido
sobre a Rússia e o apoio, indirecto, é certo, mas na prática funciona como
directo, a Putin e à invasão da Ucrânia e ao autêntico genocídio que a Rússia
leva a cabo diariamente ao bombardear e massacrar civis indefesos em todo o
País, não se tenha minimamente reflectido nesta gente, é caso para dizer que a
utopia, o fanatismo e a cegueira ideológica, estão bem e recomendam-se…
IL – 1 deputado, 2,6% dos
sufrágios ou 3.555 votos. É um dos pequenos vencedores, pois parte de 762 votos
em 2019 e nenhum deputado eleito. Foi preterido a favor do PAN por Miguel
Albuquerque, no que parece ser o primeiro erro da coligação vencedora. Com
efeito, o papel de um partido liberal para manter essa coligação, não é
comparável ao papel de um partido tradicionalmente de esquerda e alinhado com a
esquerda, como tem sido o do PAN.
PAN – 1 deputado, 2,3% ou
3.046 sufrágios, que o tornaram indispensável para a manutenção da coligação
vencedora no poder. O acordo de incidência parlamentar é para 4 anos mas não
augura nada de bom, com efeito, o PAN é um partido cheio de causas
fracturantes, quando não mesmo ridículas, e dificilmente contribuirá para a
manutenção de uma coligação conservadora como o é a do PSD/CDS. O seu
crescimento, futuro e aura serão acentuados se deitar o Governo abaixo, teremos
que esperar, pelo menos, ainda cerca de 6 meses…
BE – 1 deputado, 2,2% e
3.036 sufrágios, indiscutivelmente, um vencedor pois desta vez ganhou um
deputado, feito que não tinha logrado em 2019. O que se pode esperar do BE, é
um alinhamento quase permanente com as posições da CDU, ou não fosse o BE um
partido cripto-comunista e constituído por ex-Estalinistas, ex-Trotskistas e ex-Maoistas…
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