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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCLXII                                                    30/06/2023                                                             

“O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta segunda-feira que “é verdade” que o primeiro-ministro é “garante de estabilidade”, […]”, “TVI”, 26/06/2023. 

“Quem engana sempre encontrará quem se deixa enganar”, Nicolau Maquiavel. 

Não sei como se pode dizer uma coisa dessas quando ao fim de pouco mais de um ano de mandato, o seu executivo já apresentava 13 demissões entre ministros e secretários de Estado? 

Acresce que foi este mesmo Marcelo que disse ainda há muito pouco tempo o seguinte: 

“A maioria absoluta de António Costa nasceu “requentada” e “cansada” […], se nasceu requentava e cansada, não pode ser factor de estabilidade, justamente pelas razões aduzidas! 

“O executivo está a “gerir o dia a dia e não a olhar para o longo prazo”, com uma consequência: o atraso do PRR”, se gere o dia a dia não tem perspectiva de futuro e sem essa, a estabilidade é uma miragem. 

“Eu e primeiro-ministro temos leituras diferentes da realidade: o primeiro-ministro olha para o lado cheio do copo e eu para o vazio”. Leituras diferentes causam instabilidade, naturalmente! 

“A luta dos professores é “justa” e que o Governo e sindicatos fazem mal em romper as negociações “ou esticarem a luta para lá do limite”. Se a luta é justa, então há aqui uma divergência de fundo entre os principais órgãos de soberania, o que nunca poderá concorrer para a estabilidade! 

“A fórmula encontrada para a renúncia de Alexandra Reis ao cargo na TAP foi “juridicamente abstrusa”, o que é abstruso é por definição difícil de compreender, logo passível de gerar instabilidade! 

“O Presidente critica a “ligeireza” na escolha dos membros do Governo […]”, se os membros do Governo foram mal escolhidos, governarão mal, logo, dificilmente concorrerão para gerar estabilidade no Governo! 

"Onde não há responsabilidade – na política como na administração – não há autoridade, respeito, confiança, credibilidade". Se não há autoridade, respeito, confiança e credibilidade, faltam os principais factores que transmitem estabilidade! 

“Que a demissão que pediu, e defende, do ministro das Infraestruturas se baseou não em "razões pessoais ou de disputa entre cargos, que a Constituição distingue muito bem entre si, em termos de peso institucional absoluto e relativo, mas por razões de interesse nacional". Se o P.R. pede a demissão de um ministro e o P.M. não acede a esse pedido, então gera-se um grandíssimo factor de instabilidade uma vez que o Ministro não merece a confiança do P.R, na relação entre os dois órgãos de soberania, pior era difícil! 

"Como pode um ministro não ser responsável por um colaborador que escolhera manter na sua equipa mais próxima, no seu gabinete, a acompanhar, ainda que para efeitos de informação num dossier tão sensível como o da TAP onde os portugueses já meteram milhões de euros, e merecer tanta confiança que podia assistir a reuniões privadas, preparando outras reuniões, essas públicas, na Assembleia da República?" esta frase, por si só, gera a total instabilidade pois põe completamente em causa a figura do Ministro das Infraestruturas! 

“Não se mistura política com justiça. Não se apaga dizendo que já passou. Não passou, nunca passa. Reaparece todos os dias, todos os meses, todos os anos". Se o factor que gerou a crise não se apaga, então teremos sempre um foco de instabilidade nesse factor, a não demissão de João Galamba! 

Todos estes comentários sobre factos ocorridos com o executivo de António Costa são gravíssimos factores de instabilidade, ou temos um Presidente da República que não passa de pura gelatina política, como o apelidou um dia o ex-ministro da cultura, Manuel Maria Carrilho? 

Marcelo Rebelo de Sousa diz uma coisa e o seu contrário, conforme penso ficou perfeitamente demonstrado, logo, ele próprio dá um sério contributo à instabilidade que grassa na política portuguesa devido à falta de qualidade e de credibilidade dos seus membros. Então a incompetência, amadorismo, populismo e irresponsabilidade do Governo competem bem com a inação do P.R.. 

Valha-nos Deus…

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