Avançar para o conteúdo principal

 

PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCLIII                                                          18/04/2023

“No caso da direita, tratar-se-ia de assegurar que, com uma maioria dirigida pelo PSD, nunca haveria aventuras liberais á Liz Truss, nem legislação dirigida contra qualquer grupo de cidadãos ou residentes em Portugal. Isso dispensaria o PSD de esperar, como no tempo de Rui Rio, que o Chega deixe de ser demagógico ou que a IL deixe de ser sectária”, Rui Ramos, “Observador”, 10/02/2023.

Este parágrafo além de corajoso, lúcido e realista, é esclarecedor.

Em 2015, o PS aliou-se a partidos extremistas e totalitários e sem estados de alma e pela primeira vez neste País, usurpou o poder a quem tinha ganho as eleições, embora minoritáriamente. A coligação PSD/CDS recolheu ca. de 39% dos sufrágios, versus 32% do PS. Não se trata de ilegalidade ou inconstitucionalidade, trata-se de subverter a vontade do povo, uma vez que a dita Geringonça nunca tinha sido proposta ao eleitorado e tinha sido “confeccionada” – antes das eleições e este facto é primordial no sentido de total falta de respeito pelos eleitores e pela democracia que é, por definição, atreita e cultora da transparência total! – no remanso dos gabinetes sem dar cavaco ao povo…

Por que motivo o PSD está completamente coartado de fazer o mesmo no polo oposto, de aglutinar todo o centro, toda a direita e as franjas da extrema-direita? O PSD pode fazer um programa de governo que espartilhe e balize os seus “compagnons de route”, o PS fê-lo parcialmente no seu programa assinado com os partidos da Geringonça em que o Euro, a Nato e a Europa ficaram de fora. Dir-me-ão que o Chega é populista e fascista, logo nenhuma aliança pode ser firmada com esse partido. A verdade é que o Chega é um partido reconhecido pelo Tribunal Constitucional - e por mais de meio milhão de portugueses! - e não fará perigar a ordem Constitucional mais do que aquele dirigente do PCP, Albano Nunes, que ainda há pouco tempo, em Portugal, aberta, despudorada e desassombradamente, propôs o derrube do capitalismo pela força, ora vivemos num regime capitalista e se derrubarmos o capitalismo pela força, derrubamos a Ordem Constitucional pela força:

https://www.dn.pt/poder/albano-nunes-afastamento-do-marxismo-leninismo-conduz-a-degenerescencia-e-a-derrota-13085168.html

Jamais a direita ganhará as eleições e desalojará o PS sozinha e sem os votos do Chega, que é já o terceiro maior partido português, que cresce todos os dias e que ao fazê-lo, diminui a margem de manobra do PSD – que fruto dos erros clamorosos, sobretudo da governação miserável do PS, não pára de crescer consistentemente. Rui Rio deu também um forte contributo para o PS ter ganho as eleições com maioria absoluta, por não se ter posicionado nunca como alternativa clara e forte. Acresce que o PS, se necessário e para se manter no poder a qualquer custo, “recuperará” a fórmula da Geringonça, aliando-se aos seus  “ex-compagnons de route”, a exemplo de 2015. E estes nunca recusarão voltar ao poder, ainda menos numa situação de fragilidade do PS, por precisar de novo deles… essa fórmula é preferível a ir para a oposição, por muitos custos directos ou indirectos que possa trazer-lhe.

É completamente evidente.

Se o PS não queria que isso acontecesse, talvez não devesse ter-se aliado aos partidos totalitários PCP e BE, e tivesse deixado em 2015, o PSD/CDS governar minoritáriamente, como ele próprio, PS, governou várias vezes chefiando governos minoritários: o de Mário Soares, o de Guterres mais do que uma vez e, finalmente, o de Sócrates no seu segundo Governo… com o “consentimento” da direita…

Moralmente ninguém poderá criticar a direita por, para alcançar o poder, se unir em bloco, o Chega e o seu projecto xenófobo e racista de que o acusam, não é muito diferente do projecto totalitário, antidemocrático e subversivo da ordem constitucional do PCP – como a sua praxis política em 1975, o provou à saciedade e como um dos seus preceitos marxistas basilares e incontornáveis, a Ditadura do Proletariado, é inocultável e o confirma à evidência – e do BE, um conjunto de Trotskistas, Maoistas e Estalinistas desiludidos e frustrados com a praxis política do partido referência na área, o PCP.

Contra factos não há argumentos…

 

Comentários

  1. Se o PPD propuser uma geringonça de direita, com o Chega e o IL, o eleitorado dará a vitória, mesmo que relativa, ao partido?

    ResponderEliminar
  2. Meu caro, nessa circunstância, isso é o que menos interessa, o PSD deve perguntar ao PS como fazer...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

  MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXIX                                                                                       14/04/2025                                                                           HOLODOMOR E RUSSIFICAÇÃO: DOIS EVENTOS QUE EXPLICAM EM GRANDE PARTE A UCRÂNIA ACTUAL… “A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos”, Cícero. E é incontornável para se perceber melhor o presente e o passado recente… Um breve resumo do que foi o H...
  MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXX                                                                                         15/05/2025                 “A escolha do Instituto Técnico de Alimentação Humana (ITAU), um dos clientes da antiga empresa de Luís Montenegro, para fornecer refeições à Santa Casa da Misericórdia foi decidida pela anterior provedoria liderada por Ana Jorge, indicada pelo Governo de Costa ”, “ECO”, 11/05/2025                                                  ...
  REFLEXÕES SOBRE A ACTUALIDADE – CCCLXXIX                                               29.09.2025                                                 “BYE-BYE”, GOVERNO SOMBRA DE ANDRÉ VENTURA… “O fracasso não tem amigos”, John Kennedy. Não faz parte da tradição política portuguesa a existência de Governos-sombra, mas é pena porque a sua existência é salutar e benéfica para a democracia. A cada momento, um dado Governo é sujeito a crítica e escrutínio nas diferentes áreas da Governação e, para além disso, à solução alternativa que o titular da pasta em questão faria na circunstância. Por estas razões, só se poderia louvar a criação e a instituição pelo Chega dessa iniciativa. Numa análise, para já muito sumária...