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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCL                                                          19/03/2023                                                                  

SE O PCP FOSSE GOVERNO DE PORTUGAL…

No campo político:

 • O P.C.P. começaria por provocar uma cisão no P.S., desta, nasceria o grande Partido Socialista de Esquerda ou o Partido Socialista Unificado, ou algo do género que fortificaria o frentismo no Parlamento, com esta manobra a oposição no Parlamento diminuiria a ponto de se tornar numa minoria fraca, quase sem expressão e reduzida a escombros, pelo que tomariam conta da parlamento e da sua componente no poder legislativo, este deixaria de ser autónomo e de constituir oposição digna desse nome.

• Nomeariam magistrados da sua confiança para todos os órgãos judiciais constitutivos desse poder: P.G.R., Ministério Público; Tribunais; Tribunais da Relação; Supremo; Conselho da Magistratura; D.C.I.A.P., Procuradores da República, etc., etc., importantíssimos pilares do Estado de Direito. Os magistrados da sua confiança fariam paulatinamente o seu trabalho de corrosão do poder judicial, logo, do Estado de Direito – com esta manobra o poder judicial sairia seriamente prejudicado e abalado na sua autonomia, independência e função.

• Como para chegar ao poder tinham que se ter coligado, os partidos do frentismo seriam engolidos à primeira manifestação de divergência, de independência (que, provavelmente, nunca existiria…) ou de contestação ao P.C.P. – mais um poder do Estado de Direito que controlariam completamente – duma penada, os 3 poderes que caracterizam o Estado de Direito estariam descaracterizados e em cacos!

• Alegando que precisavam de defender o Estado e os trabalhadores dos múltiplos ataques de que estavam a ser alvo, não tardaria muito, criariam uma polícia política, como aliás fizeram em todo o lado!

• “Last but not least”, retirariam o país da Nato; da União Europeia e do Euro. Exactamente, eles sempre estiveram contra estas instituições e contra o Euro!

 Na economia:

 • Após 3 meses de governo, ou menos ainda, diriam, aqui d’El-rei que o grande capital está-nos a boicotar! Por este motivo, nacionalizariam toda as médias e pequenas empresas, as grandes e a banca já tinham sido nacionalizadas porque fazia parte do programa eleitoral; seguir-se-iam as médias e pequenas propriedades agrícolas com uma colectivização forçada da terra e sob o velho slogan: “a terra a quem a trabalha”, pois tinham detectado boicotes dos pequenos agricultores no abastecimento dos mercados e grandes superfícies! Talvez o quiosque do Sr. Silva onde eu compro o jornal “Expresso” ao Sábado, se salvasse… e o Sr. António, lá do fundo da minha rua, ainda conseguisse vender umas pencas e uns tomates à sorrelfa…

 Nos média:

 • Tomariam literalmente de assalto a R.T.P., é pública, é do Estado, é nossa!

• Infernizariam a vida dos canais privados, estes, privados de publicidade, acabariam por fechar ou ficar reduzidos a pequenos órgãos de oposição consentida, sem expressão, para dar um simulacro de liberdade.

• Nos jornais, fariam como fizeram há 39 anos quando puseram o Saramago à frente do Diário de Notícias, que se encarregou dos saneamentos da praxe de todos os que não eram comunistas; fariam o mesmo com o “C.M.”, com o “Público” e os outros, (no “J.N.” não é preciso, já lá têm os “primos” instalados…) como fizeram com o “República” há 39 anos – pura e simplesmente, ocuparam-no!

• E como os intelectuais do P.C.P. são muito criativos, arranjariam outras formas ardilosas de reduzir a imprensa livre a uma caixa de ressonância do P.C.P., com o apoio dos numerosos “compagnons de route” que não faltariam na circunstância, já agora são imensos e estão em todo o lado mesmo sem haver poder… imagina só a diferença que constituiria ser poder, poder distribuir prebendas e as sinecuras aos amigos e, de novo, aos “compagnons de route”…

 No aspecto fiscal:

 • Aumentariam brutalmente os impostos dos “ricos e poderosos”, como gostam de dizer, o que provocaria uma fuga de pessoas e de capitais inédita e uma penúria destes últimos, sem paralelo e nunca vista.

• Aumentariam demencialmente o I.R.C., o que levaria as multinacionais a abandonar o país tão rapidamente quanto lhes fosse possível.

• E o I.R.S. também não escaparia, afinal de contas uma classe média autónoma, com poder de compra e reivindicativa, é a última coisa que os comunistas querem.

 No trabalho:

 • Restringiriam drasticamente o direito à greve alegando que, agora que o país era gerido pelos trabalhadores e por quem os defendia, o direito à greve passava a ser um crime de lesa-pátria que se virava contra os próprios trabalhadores, os seus interesses, e a sua existência e exercício só os prejudicava! É só pensar o que se passou na Polónia com as lutas do Sindicato Solidariedade para ver como isto é verdade!

• Aumentariam o horário de trabalho, pois claro! E isto se não se lembrassem de criar também as jornadas de trabalho “voluntário” ao Domingo, em prol da Nação, seguindo a mesma lógica, como fizeram na U.R.S.S. e mesmo em Portugal no verão quente!

• Quanto aos Sindicatos – não precisavam de fazer nada, já fizeram todo o trabalho necessário!

 No ensino e nas instituições culturais e de cariz intelectual:

 • Mobilizavam freneticamente todos os “compagnons de route”, em todo o lado.

• Nas Universidades públicas não precisavam de fazer nada, já fizeram todo o trabalho!

• Nas Agremiações culturais não precisavam de fazer nada, já fizeram todo o trabalho!

• Nas Instituições culturais não precisavam de fazer nada, já fizeram todo o trabalho!

 É minha convicção de que seria mais ou menos assim e que o grau de probabilidade que isto acontecesse é muito grande, dir-me-ão que estou enganado e a exagerar… mas, isto, grosso modo, foi o que eles fizeram em todo o lado onde chegaram ao poder! Pelo que não constitui nenhuma ORIGINALIDADE o que escrevi, JÁ ACONTECEU várias vezes! Acresce que acontece ainda hoje, ainda há países comunistas onde estas práticas ou similares são levadas a cabo todos os dias, como, creio, sem exagero, ser o caso da Coreia do Norte e de Cuba.

 

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