PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCXXXIII 14/12/2022
“What about José Sócrates”, António Costa?
“Eva Kaili é o principal rosto daquele
que está a ser encarado como um dos maiores escândalos de corrupção na EU. Mas
não terá actuado sozinha – e terá contado com a ajuda do pai e do namorado
italiano”, José Carlos Duarte, “Observador”, 12/12/2022.
“Eva Kaili: Vice-presidente do
Parlamento Europeu expulsa do partido [PASOK] […]”, Arena 4G,
13/12/2022.
Eva Kaili não beneficiou de imunidade
por ser vice-presidente do Parlamento Europeu, foi detida preventivamente e,
foi igualmente expulsa do PASOK, o partido socialista grego, equivalente do
nosso Partido Socialista.
As notícias sobre este caso dão conta,
outra vez, da saga das malas cheias de dinheiro, onde é que eu já assisti a
isto? Neste caso só falta mesmo o cofre da Mãezinha com um milhão de Euros e a mesma
progenitora a dar-lhe 10.000€ sempre que ela ia de férias…
António Costa, sempre que um político do PS é apanhado nas malhas
da justiça, o que acontece com uma regularidade assustadora, mormente quando é
constituído arguido – mas nem esse estatuto o impediu de convidar Miguel Alves
para Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, e com tarefas da
coordenação política do seu Governo e figura preponderante do seu “inner
circle” – usa sempre o artifício: “à política o que é da política, à justiça
o que é da justiça”, é cómodo e os papalvos ficam satisfeitos… convém que
olhe bem para a grega Eva Kaili e ao que lhe fez o seu próprio partido: expulsou-a,
pura e simplesmente…
Não vi António Costa criticar duramente o seu correligionário José
Sócrates por inúmeros actos que praticou durante o seu consulado e que não têm
a ver com a presunção da inocência por constarem dos autos e por terem sido
confessados, repito, confessados pelo arguido, cito só um que deveria ter dado
lugar à sua expulsão do PS:
José Sócrates admitiu ao juiz que o interrogou que o seu amigo
Carlos Santos Silva lhe emprestou bastante dinheiro – não foi capaz de precisar
quanto, e Carlos Santos Silva, por sua vez, quando interrogado sobre os
montantes emprestados, também não – durante o tempo em que foi
Primeiro-Ministro. Ora, um Primeiro-Ministro pode, embora não deva por razões
óbvias, receber um empréstimo de um amigo, não pode é ignorar quanto deve e,
sobretudo, não deve receber dinheiro de um amigo que é administrador de uma
empresa com vários contratos no valor de milhões de euros, adjudicados pelo
Estado à sua empresa porque isso tresanda a corrupção e nenhum Primeiro-Ministro
probo e íntegro se prestaria a esse papel e a essa alegada incriminação!
É um aborrecimento, claro, e fonte de um enorme incómodo, e nesta
perspectiva “compreende-se” que António Costa e o PS não tenham expulso José
Sócrates do partido, é que esse facto poria em causa a idoneidade e a
legitimidade do PS para governar por nos ter indicado por duas vezes, José
Sócrates como o melhor inter-pares para seu líder e para nos governar quando
fosse Primeiro-Ministro. Nenhum partido se pode enganar desta maneira tosca e
danosa para a res publica.
Omitir esta culpa colectiva do PS e do seu actual
Secretário-geral, é “exemplar” e sobretudo eficaz, até permite poucos anos
depois, ganhar eleições com maioria absoluta…
“À política o que é da política, à
justiça o que é da justiça” - esperemos que a impunidade e a imunidade da
justiça não premeiem nunca a corrupção…
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