PENSAMENTOS(S) SIMPLES DO DIA – MDCCXXXI 30/11/2022
JERÓNIMO DE SOUSA, UM LOBO COM PELE DE CORDEIRO…
“As amizades que se fundam a partir
do interesse, por interesse terminam”. Che Guevara.
«O primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, expressou
hoje "profunda estima" pelo secretário-geral cessante do PCP,
Jerónimo de Sousa, e realçou que foi dele "o primeiro, corajoso e decisivo
passo" para a chamada "Geringonça". SAPO, 6/11/2022.
“Em
política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã.” Nicolau Maquiavel.
É
impressionante como apesar de 5 séculos os separarem, Maquiavel e Guevara
coincidem no essencial a denunciar as alianças, espúrias ou não…
Jerónimo de Sousa é considerado unanimemente um bom homem, um ser
simpático. Como se isso fosse relevante ou importante politicamente, importante
são as políticas que o homem defendeu e porque se bateu, pelo menos desde que
foi eleito deputado, em 1975. A deputada do PS, Isabel Moreira disse mesmo que
o seu contributo para a democracia foi gigantesco… esta afirmação, além de
patética roça o grotesco!
Lembro-me bem de Jerónimo de Sousa ter dito na noite das eleições, talvez a
afirmação política mais relevante e importante da sua carreira – quando se
apuravam resultados e se faziam balanços e António Costa era o maior derrotado
da noite – que “António Costa só não formaria Governo se não quisesse”, cito de
memória. Contudo, trata-se
de um logro grosseiro, porque está mais do que provado que António Costa tinha
reunido com o PCP várias vezes antes das eleições e quando todas as sondagens o
davam como um dos grandes derrotados desse pleito eleitoral por ficar em
segundo lugar, bem atrás da coligação PSD/ CDS, indiciando que o seu lugar no
PS, com essa derrota inesperada e insuportável depois de 4 anos de chumbo das
políticas da Troika – assinadas e
caucionadas pelo incumbente José Sócrates – e das “malfeitorias” do Governo de
centro-direita do PSD/CDS, estava destinado ao caixote do lixo da História ou,
na melhor das hipóteses, a obscuro deputado no meio da sua bancada.
Ficámos a dever esta
“gentileza” política a Jerónimo de Sousa, que não passou da subversão da regra
mais básica da democracia: quem ganha, governa! A que acresce um cinismo
insuportável, sobretudo para quem invoca a democracia a torto e a direito…
Aconchegado por este
acto subversivo da democracia com o qual pactuou e foi também responsável e interveniente
activo, Costa perpetrou várias traições em simultâneo, sendo a principal, ter
traído o eleitorado português negando-lhe tomar conhecimento de que tinha um
contrato com Jerónimo de Sousa e com o PCP, que o levaria ao Governo se, PS e
PCP, tivessem votos suficientes para tal, antes de as eleições terem ocorrido –
à revelia do conhecimento do eleitorado quando democracia é o regime da
transparência por excelência – e isto é desprezível, deplorável e inaceitável para
qualquer democrata.
Mas verdadeiramente
grave foi o branqueamento que António Costa fez dos partidos extremistas e
comunistas, das suas políticas repressivas e dos seus crimes contra a
humanidade, onde quer que os comunistas tenham governado, ao trazer o PCP e o
cripto-comunista BE, para o seio do poder.
António Costa não podia
ignorar que Jerónimo de Sousa era e é Estalinista e que sempre defendeu a
U.R.S.S. até à sua implosão e depois disso. Ora defender a U.R.S.S., um regime
radical, extremista e Marxista/Leninista, significa estar de acordo, ou no
mínimo, pactuar com todas as ignomínias e infâmias que a U.R.S.S. representava:
Ditadura do Proletariado; Gulags; supressão de todas as liberdades cívicas,
supressão de toda a liberdade dos mídia; supressão do Estado de Direito, caucionar
a actuação criminosa do KGB; supressão de toda a democracia a todos os níveis;
imperialismo e militarismo desenfreados e infrenes; existência de uma
Nomenclatura corrupta e privilegiada e, finalmente, aceitar tacitamente a
tomada de poder pela força conforme os ditames do mais puro Leninismo. António
Costa não é ingénuo e embora fosse muito novo, assistiu ao PREC em 1975, ou
seja, à tentativa de tomada do poder pela força por parte do PCP e dos seus
aliados na altura, pelo que não consigo perceber os encómios de Costa e de
inúmeros correligionários seus a Jerónimo de Sousa.
Jerónimo de Sousa foi
sempre um activo actor ao serviço do Marxismo/Leninismo/Estalinismo, não
prestou nenhum serviço à democracia burguesa com a qual sempre discordou, antes
pelo contrário, torpedeou-a e minou-a todos os dias desde que foi eleito
deputado à Constituinte em 1975. Aliás, ser Leninista, também significa tomar o
poder pela força, se necessário, o que o próprio Lenine fez na Rússia depois de
perder as primeiras e únicas eleições livres para a Duma, obteve cerca de 25%
dos sufrágios e assumiu o poder como se as tivesse ganho, acto genuinamente
revolucionário e que subverteu a democracia e as suas regras e legitimidade.
Mas será possível que
António Costa não veja as repercussões negativas enormes da sua aliança com os partidos
radicais da extrema-esquerda e com Jerónimo de Sousa? A geringonça teve um
custo muito elevado durante os anos que durou; para além do inventário do custo
global dessa aliança que a história se encarregará de fazer, há desde já um a
salientar: não houve reformas de espécie alguma, e isto quando vivemos num
mundo altamente competitivo, estar parado durante seis anos, é letal e é
justamente por isso que a Roménia, um Estado pouco mais do que indigente
durante as décadas de governação comunista de Ceausescu, está em vias de nos
ultrapassar em breve em termos de PIB per capita, pior era difícil…
É por isso tudo que nenhum
democrata digno desse estatuto, se pode sentir agradecido a Jerónimo de Sousa. Eu
não estou e por isso o denuncio, por mais simpático e cordato que o homem seja,
não é isso que está em questão…
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