PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCCXIV 31/07/2022
A MAIS QUE PROVÁVEL CERTIDÃO DE ÓBITO…
«Como é
que Martin Amis explica os milhões de mortos e o completo desrespeito pelo
valor da vida humana do comunismo? Através de um ponto que partilha com
Montefiore: o comunismo foi um íman de canalhas, de sociopatas, de delatores,
de torturadores e assassinos, porque o pior da natureza humana era necessário
para o triunfo da ideologia marxista. Sem canalhas, não há vitória comunista».
Henrique Raposo, jornal “Expresso”, 21/04/2022
Muita
gente não estará de acordo com esta asserção de Martin Amis e criticará
Henrique Raposo por a citar e ao seu autor, a verdade é que o comunismo tem um
rol de vítimas no seu historial verdadeiramente impressionante e alucinante e
sem igual em nenhuma outra ideologia na história da humanidade. A verdade
também, é que nunca houve nenhuma outra ideologia que tivesse tido tanta força
e tivesse atraído tantos milhões de pessoas como o comunismo por,
aparentemente, as suas ideias básicas terem muita força. Cito de memória uma só
ou a ideia que lhe está subjacente:
“A cada
um segundo as suas capacidades, a cada qual segundo as suas necessidades”.
Em
teoria era bonito, roçava o nec plus ultra em política, soava a quase
perfeito e insuperável, pelo menos na época em que surgiu a teoria, hoje os
factores económicos e a distribuição dos meios gerados por uma sociedade
capitalista livre e sobretudo, desenvolvida, são muitíssimo complexos e
impossíveis de catalogar dessa forma a roçar, não direi o primarismo, mas a
linearidade e a impossibilidade de a pôr em prática.
Tanto
quanto me apercebo, os comunistas hoje em dia são uma espécie de náufragos
ideológicos e seguem duas linhas orientadoras para justificar o falhanço
colossal do comunismo onde quer que tenha exercitado o poder.
1. A teoria
está certa, (continua certa), foi mal aplicada e exercitada.
2. O comunismo nunca existiu.
Neste caso, não se trata de ter sido mal aplicada a
teoria, o comunismo nunca existiu porque nunca foi exercitado e executado,
ponto. Houve um embuste a que chamaram comunismo. Há, não obstante, uma subtil
e ténue diferença nestas posições…
Ambas têm um problema, no primeiro caso, esquecem-se
que – é como a lei da química que diz que os mesmos ingredientes provocam
sempre os mesmos efeitos (resultados), ou seja, a teoria Marxista quando posta
em prática, provoca invariavelmente os mesmos resultados; ditadura feroz e uma
clique que se torna inamovível do poder, supressão das liberdades, polícia
política, GULAGS, supressão do Estado de Direito, só para citar o essencial. Na
segunda, o artifício que consiste em negar escandalosamente a existência em
qualquer altura da história da humanidade, do comunismo, porque este nunca
existiu! Negam, desta forma saloia, primária e absurda, os resultados
catastróficos do comunismo como se este nunca tivesse existido de facto…
verdadeiramente para tansos ou para indivíduos a quem lavaram, muito bem
lavado, o cérebro.
Seja por estas razões ou por outras, a verdade é que o
comunismo não só já teve melhores dias como está em refluxo em todo o lado,
veja-se o resultado do PCP nas últimas eleições legislativas:
4,30 % e 238.962 votos.
Para
quem já teve cerca de 17% do eleitorado nos idos de 1975:
nas Constituintes
de 1975, 12,46% e 711935 votos, aos quais devemos somar os votos do
MDP/CDE, um aliado incondicional do PCP, uma muleta e um instrumento ao seu
serviço e das suas políticas:
4,34% e
236.318 votos.
chegamos
facilmente a cerca de 17% e mais de 900.000 votos.
Se
confrontarmos os números de 2022 e os de 1975, em que mais de 75% dos votos
desapareceram, eclipsaram-se, não se pode augurar grande futuro para esta
doutrina e para o PCP, seu lídimo representante e, neste caso, talvez Martin
Amis e a suas asserções expliquem o refluxo e a queda imparável do comunismo em
Portugal e por toda a Europa. Ganhou-se consciência do que foi o comunismo em
todo o seu esplendor e, sobretudo, horror? Parece estarmos perante uma certidão
de óbito passada não por um médico legista que se prepara para exumar o
cadáver, mas pelo próprio povo, cujos interesses e defesa o PCP invoca denodada
e sistematicamente…
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