PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDXLIX
O PCP NO SEU PIOR, PERDÃO, NO SEU MELHOR… 8/04/2022
"A solução para este conflito,
[ao votar contra a intenção do parlamento convidar Zelensky para discursar] a
solução para a Ucrânia, para a Europa e para o mundo passa por avançar numa
perspetiva de cessar-fogo, de avançar numa solução negociada, no respeito e no
cumprimento da Carta das Nações Unidas". Paula Santos, líder parlamentar do PCP, jornal “DN”, 6/04/2022.
Espero que quando a guerra da
Ucrânia acabar, ou mesmo antes disso, haja jornalistas – da RTP; SIC; TVI, ou
de qualquer outro órgão de comunicação que tenha estado no teatro de guerra – que relatem em livro, fidedigna e
detalhadamente – se possível com fotografias – o que viram e ouviram nesse País
e os depoimentos desse povo mártir. A verdade do que viram será um testemunho
crucial e esconjura qualquer tipo de manipulação ou acusação de manipulação, o que
está sempre a ser invocado e dá muito jeito a todos os que querem branquear os
crimes, alguns hediondos, perpetrados pela Rússia ao invadir a Ucrânia, qual autêntica
U.R.S.S., que todos os dias vemos e ouvimos nas ligações directas à Ucrânia.
Aliás, a brutalidade da invasão da Rússia é insusceptível de disfarce,
branqueamento ou manipulação – é a verdade nua e crua e está ali à vista de
todos!
Tenho a certeza de que será um
“best-seller” e ajudará muita gente a perceber melhor o que é um agressor e o
que acontece ao agredido quando este conta já milhares de mortos e de feridos,
milhões de deslocados e de refugiados, inúmeros órfãos e incontáveis viúvas,
quando as suas cidades são reduzidas a escombros – a propósito não vejo aqueles
que estão sempre a invectivar os americanos e as bombas que lançaram sobre
Hiroshima e Nagasáqui, protestar quando se vê uma imagem aérea de Mariupol,
parece arrasada por uma bomba atómica, tal o grau de destruição! – os
automóveis são um monte de chapas retorcidas e disformes, as suas casas,
hospitais, escolas, maternidades e orfanatos, só para citar os principais alvos,
esventrados, inaproveitáveis e, por vezes, reduzidos a pó, os seus bens
irremediavelmente aniquilados, e o trabalho de uma vida inteira completamente
destruído.
Talvez aquela menina do PCP,
Paula Santos, a líder parlamentar, perceba que há uma diferença muito
substancial entre propor a paz em teoria e indiferenciadamente e acções em prol
da mesma, e propor a paz para um teatro de guerra a decorrer, com um agressor
armado até aos dentes e que invadiu um país pacífico e soberano – sim, a
soberania é importantíssima neste caso e chamada à colação! – com aviões,
helicópteros, tanques, veículos blindados, drones e dezenas (ou centenas?) de
milhar de soldados, todo um exército a despejar mísseis, bombas e morteiros
todos os dias sobre as cidades ucranianas, a despejar a morte sobre os cidadãos
ucranianos! Não seria de, em vez de propor a paz e acções teóricas e cegas
dirigidas aos dois contendores – como se eles fossem igualmente culpados… – propor
antes a condenação inequívoca e imediata do agressor, sem hesitações nem
tergiversações, ou seja, do único culpado; da Rússia, de Putin, de Lavrov e de
toda a clique responsável por esta tragédia e por todos estes crimes de guerra?
E essa acção, sim, essa é que pode
ajudar à paz, a denúncia dos crimes e dos criminosos pode ajudar a isolá-los e
à condenação internacional, como já aconteceu na ONU – sim, essa é a única
acção que o PCP poderia e deveria estar a tomar e não votar contra o discurso
de Zelensky ao parlamento, a exemplo do que tem feito nos parlamentos das
principais democracias mundiais.
Não me consta que o PCP tenha
proposto a paz quando os tanques do exército vermelho entraram em Berlim em
1953, em Budapeste em 1956, e em Praga em 1968, só para citar as principais
agressões do exército vermelho, o que fez o PCP na altura, recusou-se a
criticar a URSS – como faz agora com a Rússia – e propôs avançar numa solução negociada que
respeitasse os anseios dos sublevados nesses três países, tudo no respeito e no
cumprimento da Carta das Nações Unidas?
O PCP quer condenar os
acontecimentos em Bucha e, ao mesmo tempo, a Nato e os EUA, mas foi a Nato ou
os EUA, que ataram as mãos atrás das costas dos cidadãos ucranianos que
abateram sumariamente, que fuzilaram com tiros na nuca? Se isto não é o delírio
completo, o surreal, a distorção absoluta da realidade, não sei o que o possa
ser! Mas este autismo, este desatino, esta alienação tem um custo – a irrelevância
cada vez maior do PCP. A democracia agradece!
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