PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCXLVI 23/03/2022
A NOSTALGIA, EMPATIA, SIMPATIA E ADMIRAÇÃO PELA DEFUNTA U.R.S.S. –
EXPLICAM (QUASE) TUDO…
"Putin não atacou a Ucrânia por recear que
aderissem à NATO, foi um pretexto. Atacou a Ucrânia porque não queria uma
Ucrânia europeia, e a Ucrânia é um caminho aberto para a Rússia. E por isso
quer conquistá-la e ficar na História como um grande líder, como
Estaline", Alexander
Stubb, ex-Primeiro-Ministro Finlandês. Lusa, 22/03/2022.
Foi um pretexto, exactamente, Alexander Stubb é
finlandês e por isso sabe bem do que fala, o seu país – um pigmeu quando
comparado com o gigante U.R.S.S. – foi atacado por esta última, sem razão nem
motivo, tal como a Ucrânia hoje, no ano de 1939 e os finlandeses portaram-se
com grande bravura e heroicidade, tal qual como os ucranianos hoje.
Parece-me evidente que a acusação de
desnazificar a Ucrânia é uma falácia que dá muito jeito a quem não quer
reconhecer o papel odioso da Rússia nesta guerra; com efeito, em 1941, os
ucranianos receberam os nazis de braços abertos porque pensaram que eles
significavam a libertação do jugo soviético, enganaram-se rotunda e
confrangedoramente, coitados, não sabiam o que era o nazismo, é caso para
dizer: entre os soviéticos e os nazis, venha o diabo e escolha! Por algum motivo o Parlamento Europeu equiparou o
comunismo ao nazismo, lembram-se?
Mas pouco depois pagaram bem caro esse gesto.
Os nazis fuzilaram mais de cem mil judeus em Baby Yar e mais tarde, Zelensky,
actual Presidente da Ucrânia, fala em milhões de ucranianos que lutaram ao lado
do exército soviético para expulsar os nazis e que pereceram, durante e depois
da guerra, Estaline não perdoava.
Absolutamente relevante é o facto de a Rússia
beneficiar ainda hoje de imenso apoio entre nós, e quando se discute com essas
pessoas que a defendem, percebe-se bem a razão: Putin e a Rússia corporizam a
nostalgia, empatia, simpatia e admiração pela defunta U.R.S.S. e encarnam a luta
contra tudo o que ainda hoje mais odeiam, particularmente a Nato, os EUA, a UE
e o Ocidente em geral e toda a cultura ocidental. Para entender esta atitude, é
preciso ver que a grande maioria destas pessoas são comunistas imensamente
frustradas com o colapso e o fim da U.R.S.S. e que não se resignam a desistir
da utopia.
Não podem apoiar abertamente a Rússia porque a
sua acção roça o genocídio mas arranjam subterfúgios para o fazerem. Entre
eles, está o facto de que se recusam a analisar isoladamente a acção da Rússia
sem automáticamente invocarem um rol de outras guerras: Kosovo; Líbia, Iraque,
Afeganistão, Israel, e por aí fora. Ou seja, a acção da Rússia é má, sem
dúvida, não a defendem, mas e a dos EUA nesses países? Admitindo e dando de
barato que também foi má e indesculpável, então a perversão vai ao ponto de
desculpar um mal com outro, a acção da Rússia é má, mas a dos EUA também não é
melhor! Sob o ponto de vista ético estamos conversados, para eles, um mal, o
mal nunca pode ser analisado de per si…
Outro esquema a que recorrem sistemáticamente é
acusar todos os canais de televisão e os média em geral, de manipularem a
opinião pública sistemáticamente em prol da Ucrânia, leia-se, do Ocidente.
Possívelmente, à BBC e à sua proverbial isenção e rigor, preferiam a
fidedignidade de canais como o “Russia Today”, ou a agência de notícias
“Sputnik”? O facto de vermos as bombas a rebentar em directo com as mais
diversas estruturas do País e os edifícios residenciais a serem um alvo
sistemático, de vermos as pessoas ensanguentadas e os cadáveres nas ruas, as
estações de caminho de ferro apinhadas de gente em fuga, e já cerca de 3,6
milhões de refugiados, não significam nada para esta gente, trata-se de
manipulação “tout court”! Compreende-se que se recusem a aceitar a realidade
monstruosa que as televisões nos mostram diariamente, por um motivo simples; é
irracional, injustificável, inaceitável e, sobretudo, indefensável! Não têm
argumentos, não há argumentos contra o genocídio.
Finalmente e como último argumento, usam a
brigada Azof que apodam de nazi e garantem ter feito a vida negra aos
russófilos do Donbass, ignorando os factores históricos prévios e fundamentais: a
russificação do Donbass por Estaline, o facto de Moscovo e Putin municiarem e
alimentarem a secessão do Donbass há
décadas e, acima de tudo, o Holodomor e os seus milhões de vitimas que
pereceram à fome na década de 30 do século passado por decisão assassina de
Estaline – isto no País considerado o
celeiro da Europa – o que por si só, poderia explicar muitas das reações dos
ucranianos a esta invasão do seu País pela Rússia de Putin e do “amor” sincero
que lhe devotam…
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