PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCXLIV 12/03/22
FROM
RUSSIA WITH LOVE…
Bombas,
tanques, mísseis, minas, projécteis, balas, artilharia pesada, grandes exércitos,
aviões e helicópteros de guerra, morte, fome, sede, frio e destruição total, é
com esta parafernália letal que a Rússia está a mimosear a Ucrânia, tudo com “amor”…
São
impressionantes os argumentos de algumas pessoas que se não defendem
abertamente a Rússia, também não a conseguem condenar frontal e vigorosamente
como merece, e entre elas há um partido, o indefectível PCP.
E estes
são, invariavelmente, o facto de haver nazis no exército ucraniano, uma tal
brigada Azov que fustigou os povos russófilos do Donbass, nomeadamente de Donetske e de Lugansk e, como
argumento principal e inquestionável, a invasão ser fruto da política belicista
dos EUA, da Nato e da União Europeia.
Nunca,
mas nunca, a história da Ucrânia é invocada para que se possa perceber melhor o
odioso da brutal agressão russa à Ucrânia. Por isso, gizo aqui algumas
hipotéticas explicações:
Em
primeiro lugar, muito antes de existir Moscovo, já existia o Rus de Kiev, um
dos mais antigos estados da Europa fruto da união entre povos vikings e eslavos
e que está na origem da Ucrânia, e mais tarde da Rússia e da
Bielorrússia.
Portanto,
Moscovo não tem nenhuma legitimidade para invocar a sua existência tutelar, mais
remota e anterior à da Ucrânia. Depois, muito importante e já no século
passado, em 1931-33, Estaline tentou a colectivização forçada dos camponeses
ucranianos – a Ucrânia era então e em parte ainda é, o celeiro da Europa – que
a recusaram e foram literalmente chacinados, acto que se designa por Holodomor
e que significou a morte de alguns milhões de ucranianos à fome, literalmente à
fome.
Ciente da
rejeição de tudo o que fosse russo, fruto deste genocídio e de outras
barbaridades que cometeu ao longo do seu consulado, Estaline encetou uma
política de russificação forçada de algumas regiões, como o Donbass e parte das
repúblicas bálticas, a fim de por meio da demografia, a prazo alterar a seu
favor a percentagem de nativos e de russos e seus descendentes. É esta a razão pela qual há hoje cerca de 20%
de russos no Donbass e que estão na origem de todos os problemas que aí
ocorrem, sobretudo desde 2014, significativo é também o apoio indefectível de Putin
à secessão desta região e o permanente fornecimento de armas aos seccionistas.
Nada disto é invocado pelos defensores da intervenção russa…
Quando a
Alemanha nazi invadiu a Ucrânia, os alemães foram recebidos como libertadores,
libertadores do jugo soviético, ignorando que o nazi equivalia o soviético, não
obstante, estupidamente os alemães alienaram esse apoio e acabaram a fuzilar
mais de 100.000 ucranianos. Quando Putin diz ser necessário desnazificar a
Ucrânia, refere-se a esses episódios ocorridos em 1941-43, em que os alemães
foram bem recebidos inicialmente, mas escamoteia a chacina de mais de cem mil
ucranianos pelos nazis e que Zelensky foi eleito democraticamente com 72% dos
sufrágios, a que acresce a ironia das ironias, ele é de origem judaica, para cúmulo,
ignora que hoje a extrema-direita não representa mais do que 2% da população.
Do legado
de Estaline e da sua rejeição, não deve haver nenhum ucraniano que não tenha na
família alguém que tenha perecido ao horrendo Holodomor e à política assassina
de Estaline, talvez isso explique também este levantar de armas de um povo
contra a Rússia agora e que alterou os planos militares previamente gizados por
Putin e pelos seus generais, que previam uma ocupação rápida, senão de toda a
Ucrânia, pelo menos de Kiev, a cabeça da “serpente”. A verdade é que com este
passado, não sei se estavam à espera que os ucranianos recebessem os russos com
ramos de flores, garrafas de vodka e foguetes de boas-vindas?
É por
isso que a Rússia e quem a apoia, não tem nenhum argumento válido de índole histórico
ou moral para justificar esta invasão da Ucrânia, vítima do atropelo flagrante
e vil do Direito Internacional.
Nenhum
país pode assistir indiferente ao espezinhamento de um país soberano baseado em
mentiras, actos ou factos distorcidos ou completamente falsos como os invocados
por Putin e prefere condenar ostensivamente a Nato, EUA e a EU, em vez de
condenar frontal e veementemente quem merece ser condenado, o agressor, e só há
um agressor: a Rússia!
A resistência
e a luta que por todos os meios os ucranianos estão a dar aos russos, é uma
lição e um exemplo nobre, é também fruto da sua história que honram e não
esquecem!
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