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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MDCXLII

OS REVISIONISTAS DA (NOSSA) HISTÓRIA…

Assisti ao longo desta última campanha eleitoral – sobretudo nas redes sociais - à negação despudorada dos factos históricos e ao branquear obsceno do papel de alguns intervencionistas nos mesmos.

É preciso fazer uma breve resenha do que se passou a partir de 2005, para compreender como é obscena esta tentativa e como, apesar de tudo, ainda há uma multidão de tansos que acreditam nela.

A crise começou com a falência do Lehman Brothers em Setembro de 2008. Portugal e a banca portuguesas não estavam expostos à vigarice monumental do “sub-prime”, felizmente.

Por outro lado, José Sócrates ganhou as eleições de 2005 com maioria absoluta e governou até 2009, ano em que a tentou renovar mas em que só conseguiu uma maioria relativa: 36,55% dos sufrágios, versus 29,11% do PSD e 10,43% do CDS, não considero os outros partidos por não fazerem parte do convencionado à época, arco da governação. A desvairada governação de Sócrates – que governava sózinho desde 2005, convém não esquecer – levou-o a chamar a Troika em Abril de 2011, alguns anos depois da falência do Lehman Brothers e após todas as agências de rating: Fitch, Standard  and Poor’s e Moody’s terem baixado sucessivamente o rating da República em função dos défices demenciais contraídos pelo Governo de Sócrates em 2009 e 2010: 9.9% e 11,4% (Fonte: Pordata) em percentagem do PIB, (Fonte: Pordata) e são estas essencialmente as razões que nos levaram à bancarrota, os “malditos mercados” duvidaram que pudéssemos pagar a dívida e fecharam a torneira do financiamento da economia portuguesa. Sócrates gastou mais, ca. de 41 mil milhões de euros – é obra e dá-nos a dimensão do delírio em termos económicos da personagem! – do que estava orçamentado nos seus OE de 2009 e 2010, sem falar na dívida escondida e nos truques dos SWAPS utilizados nas empresas de transportes. Esta situação fez subir os juros a um ponto tal que Sócrates foi obrigado a chamar a Troika, não teve outra hipótese nem alternativa, estava encurralado – quem semeia ventos colhe tempestades! Não é correcto desculpar Sócrates, muito menos associá-lo à crise internacional, por alguma razão, dos 28 Estados da União Europeia na altura, só 5 precisaram de resgates: Portugal, Espanha, Chipre Grécia e Irlanda! Então e os outros 23, não foram atingidos pela crise internacional?

Outro dos recursos utilizados para branquear a acção do Governo de Sócrates, é acusar o PSD – omitindo que por sua acção já 3 PECs tinham sido aprovados – de ter chumbado o PEV-IV, ora quem chumbou o PEC-IV foi toda a oposição ao seu Governo: BE; PCP; PEV; CDS e PSD, é bastante diferente, e um governo minoritário não pode comportar-se como se fosse maioritário: tem que negociar com a(s) oposição(ões) se quer ver as suas medidas legislativas aprovadas.

Há ainda o cúmulo do despudor que tem a ver – imagine-se até onde vai o revisionismo – com o facto de se dizer que foi Eduardo Catroga do PSD quem negociou com a Troika o célebre Memorandum of Understanding, um Memorando com essa importância é negociado pelos representantes dos Estados, neste caso pela Troika, constituída pela União Europeia, pelo FMI (International Monetary Fund) e Banco Central Europeu, e o Estado português representado pelo Governo de Sócrates. O que aconteceu foi que a Troika, e muito bem, exigiu a assinatura de concordância dos partidos do chamado na altura arco do poder, para que quando chegassem ao poder, como chegaram pouco depois, não pudessem invocar que não estavam de acordo com aqueles termos, por mais miserável que fosse o Memorandum, como se veio a provar que era. Esses partidos não tinham alternativa; ou não assinavam e não vinham os 78 mil milhões de Euros que a Troika nos emprestou, e era a bancarrota em todo o seu esplendor: falta de pagamentos do Estado; pensões, salários da Função Pública, despesas com SNS, etc. etc., com todo o ónus brutal para o povo português que essa medida acarretaria, ou assinavam, como acabaram por fazer, viabilizando o empréstimo.

Finalmente, há um argumento que é uma rotunda e obscena mentira: o Governo PSD/CDS foi ainda para além da Troika! Cito só duas ou três medidas propostas pela Troika, entre outras razões, para baixar a despesa pública, e que não foram minimamente implementadas:

·        Redução do número de deputados da Assembleia da República.

           Fechar centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas.

 ·    Pôr termo às assessorias externas dos escritórios de advogados, muitos deles com canais de comunicação privilegiados com o Governo.

Por aqui se vê, o grau de mentira, de falsificação e de falta de “fairplay” democrático dos principais protagonistas que não se pouparam a esforços – e ainda hoje o fazem… – para alterar e branquear os acontecimentos em que foram os principais (e quase que únicos) culpados de tudo o que correu mal!

E pelos vistos, este comportamento vergonhoso compensa, o PS acaba de ganhar as eleições com maioria absoluta…  

 

 

 

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