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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCXLI       

UMA DESGRAÇA NUNCA VEM SÓ…                                                                                     31/01/2022

“Cada povo tem o Governo e a oposição que merece». Rui Graça Moura.

Não resisto a parafrasear Joseph-Marie Maistre e a sua frase emblemática: “Cada povo tem o Governo que merece”, acrescentando-lhe a oposição…

Não só temos o PS a governar-nos por mais 4 anos, como temos, para já, o PSD e Rui Rio a liderar a oposição. Vejamos então resumidamente o que isto quer dizer:

PS – PARTIDO SOCIALISTA:

2.246.483 votos, 41,68% dos sufrágios e 117 deputados (resultados provisórios por faltar a emigração)

Tem uma vitória retumbante pois não só consegue uma maioria absoluta, como ganha em todos os distritos, excluindo a Madeira, e consegue mais 338.447 votos e mais 9 deputados, para já.  mas previsivelmente, mais 11. Melhor era difícil!

É absolutamente extraordinária esta vitória de António Costa e do PS, primeiro, porque num País decente o PS estaria longos anos na oposição por ter protagonizado sozinho a bancarrota do Estado em 2011, e nunca foi responsabilizado eleitoralmente por essa façanha. Povo esquisito este…

Segundo, porque durante estes 6 anos de Governo de António Costa, fomos ultrapassados em PIB per capita, por Malta, República Checa, Eslovénia, Lituânia, Estónia, Polónia, Hungria, tudo países que aderiram à União Europeia este século, logo, muito depois de nós. E a coisa não vai ficar por aqui, dentro em breve, a própria Bulgária – o país mais pobre da Europa, ultrapassar-nos-á.

Terceiro, porque o PS deu provas de um nepotismo e um amiguismo descarados, infestou a administração pública – as 35 horas por semana são outro exemplo inacreditável de iniquidades – de “boys” e “girls” que muito o ajudaram a ganhar estas eleições.

Depois, porque este último Governo de António Costa foi um desconchavo completo, não havia uma única semana em que não houvesse um caso qualquer, sendo, como é evidente, o de Cabrita, o mais escandaloso.

Os portugueses ao votarem maciçamente no PS têm o que merecem: a maior dívida púbica de sempre, a maior carga fiscal de sempre, os combustíveis mais caros de sempre e a electricidade também mais cara de sempre! É caso para perguntar; os portugueses votam no PS porquê?

E uma vez que a inflação já está nos 7% nos EUA, e em 5% na Europa, isso significa que os juros vão subir e se os juros subirem vamos trabalhar porfiadamente para pagar juros, e é muito bem feito, fomos todos avisados! Quero ver como o PS resolve sem o apoio do BCE?!

 

PS –  PARTIDO SOCIAL-DEMOCRATA:

1,498,605 votos, 27,89% e 76 deputados (previsivelmente mais 2 da emigração)

Obtém mais 40.901 votos do que em 2019, e menos um deputado, se conquistar 2 da emigração.

A derrota de Rui Rio é também a derrota do PSD. A estratégia de Rui Rio estava errada desde que chegou à liderança do PSD: “arrancar o PS às garras da extrema-esquerda”!

Ora a primeira condição do erro teve a ver com o facto de o PS não se querer separar da extrema-esquerda, “deitou-se” com ela voluntariamente ao longo de vários anos e  acabou por lhe dar o abraço do urso… Rui Rio – e isto não tem nada a ver com as suas qualidades pessoais: competência, honestidade e integridade intelectual – protagonizou uma oposição canhestra e estéril: tinha obrigação de ganhar ao PS depois do desgaste de 6 anos de indigentes e péssimos Governos que não fizeram uma única reforma, e da Pandemia que paralisou quase que por completo o SNS. Rui Rio preferiu acabar com os debates quinzenais com o P.M. – a atitude mais bizarra, absurda e abstrusa que os portugueses presenciaram desde que há democracia.

 

Finalmente, nunca se posicionou como alternativa contundente, clara, objectiva, tem um dos piores resultados de sempre e penalizou todo o País ao não conseguir desalojar António Costa do poder, um desígnio nacional para muita gente.

 

CHEGA:

385.543 sufrágios, 7,15% e 12 deputados

Este partido foi hostilizado por tudo e por todos e, nesse sentido, consegue um espectacular resultado e uma grande vitória, é a terceira força política nacional, quer se goste, quer se odeie. Foi, conjuntamente com a Iniciativa Liberal, o único partido com uma actuação contundente e sem “rodriguinhos” contra António Costa e o PS. Com um grande grupo parlamentar vai-lhe fazer a vida negra em termos constitucionais, na Assembleia da República.

 

INICIATIVA LIBERAL:

268.414 sufrágios, 4,98% e 8 deputados.

É um dos claros vencedores destas eleições, sobretudo se considerarmos que só tinha um deputado e que agora passa a ter 8, não facilitará a vida ao PS e traz o Liberalismo para a ribalta, liberalismo tão mal tratado nos últimos anos por tudo o que é socialista. Vai empenhar-se em desmistificar a paranóia socialista contra o Liberalismo e tentar demonstrar que os países mais ricos do mundo, com a melhor liberdade, educação, saúde, alojamento, bem-estar, reformas e respeito pela natureza, são ou já foram, sozinhos ou em coligação como na Alemanha agora,  longamente governados por liberais.

 

BLOCO DE ESQUERDA:

240.247 sufrágios, 4,46% e 5 deputados

À imagem do antigo CDS, partido do táxi, o BE substitui cabalmente o CDS que deixa de ter representação parlamentar. O que se pode dizer de um partido que tem uma quebra de ca. de 74% no número de deputados e de ca. de 52% no número de votos? Que esta direcção protagoniza um fiasco completo na estratégia política que gizou e que tem trilhado desde as últimas eleições.

Julgo que uma saída com dignidade seria a demissão de Catarina Martins e da sua direcção embora, para ser franco isso nunca tenha acontecido num partido Estalinista, nem num partido Maoista, muito menos num partido Trotskista…

 

PCP (CDU):

236.630 sufrágios, 4,39% e 6 deputados.

Estas eleições só vieram demonstrar aquilo que é visível e previsível há muito tempo; a irrelevância cada vez maior do PCP e nisso, verdade seja dita, o PCP não está sozinho, já aconteceu em toda a Europa, só que aqui chega tudo com atraso…

O PCP, ou a ficção da CDU, se quiserem, tem uma quebra de ca. de 71% no número de votos e de 50% no número de deputados e isto num partido pequeno como o PCP configura a verdadeira catástrofe insofismável e inocultável! É uma tragédia que põe em evidência o facto de o PCP deter uma posição na sociedade portuguesa e nos media sem suporte e sem sustentabilidade.

Em qualquer outro partido e a exemplo do BE, a estratégia seria questionada e a direcção responsável pela mesma, posta na rua, com partidos totalitários e Estalinistas isso não é bem assim. Contudo acho que isto acelera a saída de Jerónimo de Sousa, a um geronte seguir-se-á um jovem, muito jovem, arrisco João Ferreira…

 

PEV - PARTIDO OS VERDES:

O PEV foi durante anos uma das maiores farsas da política portuguesa, nunca foi a votos sozinho, elegia sempre 2 deputados nas listas do PCP, e 2 deputados porquê? Porque assim podia constituir um grupo parlamentar com todas as prerrogativas e vantagens a que o mesmo dá direito. Na realidade o PEV era o PCP e o PCP era o PEV:

Acabou a falácia, morreu, paz à sua alma! Espero que seja enterrado num prado verde, tranquilo, bonitinho…

PAN

82.250 sufrágios, 1,53% e 1 deputado

Um verdadeiro partido da trotineta e vai ser difícil andar de trotinete nos caminhos do mundo rural, cheios de escolhos... Tem uma derrota histórica, perde ca de 53% dos seus votos e 75% dos seus deputados. Pior era difícil! Talvez uma demissão lhe assentasse bem…

LIVRE:

68.971 sufrágios, 1,28% e 1 deputado

Segundo partido da trotineta, bom, é mais fácil andar de trotinete nos passeios de Lisboa e do Porto… ganha cerca de 20% a mais de sufrágios, não está mal! Rui Tavares personifica a aventura política completa com propostas absolutamente alucinadas como, por exemplo, o estudo do rendimento mínimo incondicional, só o título assusta, mas acima de tudo, personifica a perseguição da UTOPIA, do sonho, da irrealidade e o facto de haver perto de 70.000 portugueses que acreditam nisso, é esclarecedor...

 

CDS:

O CDS na sua vertente da A.R., desapareceu, morreu e Francisco Rodrigues dos Santos, apesar da sua garra e grande combatividade vai fazer falta, bem como a democracia cristã e o seu olhar social sobre a sociedade. A democracia por vezes é cruel.

 

PERDEDORES ADICIONAIS INDIVIDUAIS:

·        Marcelo Rebelo de Sousa:

porque o pior que lhe podia acontecer era uma maioria absoluta do PS, retira-lhe protagonismo, imprescindibilidade e margem de manobra – é bem feito, não tivesse protegido escandalosamente este Governo, protecção muito para além das suas obrigações institucionais e de garante da Constituição e da equidistância entre os diversos “players” na cena política portuguesa.

·        Pedro Nuno Santos:

que veria as sua ambições políticas facilitadas se António Costa tivesse perdido e se tivesse demitido como garantiu que o faria. No mínimo, vai esperar mais dois anos, e quem sabe se Costa não querendo concorrência, agora que tem uma maioria absoluta, não o corre do próximo Governo…

·        José Sócrates:

 não poderá invocar nunca mais que foi o único a conseguir uma maioria absoluta para o PS e que este desdenhou da mesma. José Sócrates cada dia que passa é mais um “has been” de péssima memória e fica com esta vitória de Costa, com o caminho mais “facilitado” para, pelo menos e a exemplo do Armando Vara, passar uns (poucos, poucochinhos), anos na cadeia.

Acabo com uma frase de António Costa, proferida no último dia da campanha, e que dá bem a sua dimensão de “estadista” e de uma estratégia política completamente errática, depois de ter pedido abertamente a maioria absoluta: "Manifestamente as pessoas não queriam, não querem, não desejam uma maioria absoluta”!

 

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