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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCXXXII                                                                  7/12/2021

“[…] a TAP ridiculamente representa 10% dos passageiros transportados no aeroporto do Porto, 3% no de Faro, 20% no do Funchal e 11% no de Ponta Delgada. […] não é uma companhia relevante na lógica de conexão da região Norte, uma vez que, apesar de todos os constrangimentos estruturais do aeroporto de Lisboa, não aproveita a infraestrutura moderna e agora com maior capacidade que existe no Francisco Sá Carneiro.” Rui Moreira, Presidente da Câmara ´Municipal do Porto, 02/12/2021.

Dizem-nos que a Tap é essencial, que é uma companhia de bandeira e que por esse facto, inferimos, é uma companhia ao serviço do povo português e que o seu desaparecimento seria uma catástrofe nacional. Não obstante, quando se vê estes números, chegamos fria e lamentavelmente a uma única conclusão; a Tap neste momento é uma companhia que serve e se serve do Hub de Lisboa, mas não é uma companhia nacional que sirva uniforme, igual e equitativamente o povo português. E é pena que seja assim, a Tap já foi de imensa importância para a diáspora portuguesa.

O que é natural e normal é uma companhia de bandeira, ou a principal companhia nacional em qualquer país europeu, de bandeira ou não, deter uma cota de mercado, no mínimo, de cerca de 50% - sinal da sua robustez e competitividade no mercado – ora a Tap já perdeu completamente esse estatuto nos principais aeroportos nacionais – conforme os números citados em supra, confirmam – resta-lhe Lisboa e mesmo aí, a sua cota de mercado está cada vez mais ameaçada. E já não representa sequer 40% do tráfego no aeroporto de  Lisboa:

https://www.porto.pt/pt/noticia/tap-nao-tem-nenhuma-utilidade-para-o-porto-critica-rui-moreira

O que redunda numa catástrofe nacional e numa posição muito insatisfatória mesmo ao nível do Hub de Lisboa. Sobretudo se tiver que ceder slots em número superior – imposição de Bruxelas – àqueles a que estava disposta a abdicar para ver finalmente o seu plano de recuperação aprovado pela Comissão Europeia.

Aqui chegados, será que faz sentido todos os portugueses, através dos seus impostos, pagarem quase 4 mil milhões de euros para manter uma companhia regional completa e irreversívelmente falida – sim, a Tap neste momento não passa de uma companhia local que se não fosse a ajuda do Estado já teria falido vezes sem conta, mesmo antes da pandemia chegar – que nem sequer se sabe, apesar desta injecção colossal dos nossos recursos, se terá condições para vingar?

É provável que a melhor solução fosse encerrar a Tap e criar uma companhia de raiz – a exemplo da Swiss que substituiu a Swissair, ou da recente ITA Airways, quando acabou a Alitalia –  expurgada de todos os vícios, malefícios e conotações negativas em que a Tap é sujeito e está rotinada – poucos se oporiam a essa solução.

Vamos ver que tipo de vôo a Tap nos reserva no curto prazo mas, pela amostra, será um vôo com extrema turbulência… de apertar bem os cintos e de cerrar os dentes…isso se não borregar…

 

 

 

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