PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCXXIV
«Rui Rio insiste em
adiar diretas de 4 de Dezembro e escreve aos militantes do PSD a pedir que
“reflitam”. ». Parangona do Jornal “Expresso”, 02/11/2021.
“Em política, o que
parece é”. Salazar.
Parece nitidamente uma
golpada, é uma golpada!
Declaração de interesses: não sou do PSD nem de nenhum outro partido, o que não quer dizer que numa situação
de polarização política, com um PS dirigido por António Costa a envidar todos os
esforços para consumar uma “Mexicanização” do País, não possa alterar o meu
sentido de voto e votar útil no PSD.
Vamos ver se percebi bem,
Rui Rio quer adiar as eleições para Presidente do PSD – previstas
estatutariamente para agora, marcadas para 4 de Dezembro próximo – para depois
da legislativas.
Ora esse facto tem as
seguintes repercussões:
·
Rui
Rio continuará como Presidente do Partido e candidato a Primeiro-Ministro e
enfrentará António Costa nas legislativas próximas, ocorram elas em Janeiro ou
princípio de Fevereiro.
·
Se
o PSD ganhar as eleições – o que para acreditar nisso é preciso ir a Fátima! – então, em Fevereiro, após as eleições
legislativas com Rio indiciado como potencial Primeiro-Ministro deste País,
haverá eleições directas no PSD que Rio poderá perder para Rangel.
·
Se
for o caso, faria algum sentido que Rio cedesse o lugar a Rangel? O País teria
votado em Rio e não em Rangel.
·
Acresce
que se Rio ganhasse as directas ficava legitimado mas tinha subvertido as
regras do jogo – seria sempre acusado de ter afastado Rangel num golpe de secretaria,
numa golpada por não se ter submetido a eleições como era sua estrita obrigação
e como mandam as regras da democracia – e Rangel não teria ido a jogo em
igualdade de circunstâncias.
·
A
este imbróglio monumental haveria que acrescentar que Rui Rio teria escolhido a
lista de deputados que lhe seriam afectos para as directas, viciando assim as
regras do jogo e deitando a democracia do PSD às urtigas porque quem ganha o
partido deve constituir a lista de candidatos a deputados.
·
Acresce
que Rio invoca o interesse do partido, mas se Rio perder nas legislativas – o mais
certo – então continuará a não haver uma oposição credível e forte a António
Costa e ao seu Governo de indigência nacional, como aconteceu durante os 4 anos
que Rio foi Presidente do PSD.
·
Se
Rio perder nas legislativas e posteriormente nas directas, Rangel ficará a
fazer oposição com um resultado muito pior do que aquele que teria se tivesse
sido ele a encabeçar as legislativas e a oposição a Costa. E mais grave ainda,
ficará com um Grupo Parlamentar que lhe será totalmente desafecto durante toda
a legislatura (veja-se o exemplo gritante do CDS e de Francisco Rodrigues dos Santos).
Pior, teremos o PS a formar Governo, com ou sem “geringonça recauchutada”, a
consumar a destruição do País até 2026, como o PS sempre faz quando é Governo
deste País.
Digam-me, por favor, que
não é assim, que estou enganado, que nada disto é verdade e que Rui Rio é um
grande democrata e um grande político?!
Não tenho dados suficientes para poder comentar os motivos que levam Rui Rio a querer adiar as eleições. O partido tem os seus órgãos legitimamente eleitos e são esses órgãos que devem decidir o que é melhor para o partido. Foi assim que aconteceu no CDS. Faço parte do Conselho Nacional do CDS. É este órgão que foi legitimamente eleito no último congresso que tem poder para legitimar as várias decisões tomadas pelo partido por votação. No último congresso realizado em fins de Janeiro de 2019 em Lamego, FRS foi eleito presidente vencendo os outros dois candidatos - João Almeida e o Filipe Lobo de Ávila, que retirou a sua candidatura apoiando FRS. O João Almeida manteve a sua candidatura apoiado pelos barões do partido (um grupo escolhido por Paulo Portas), que dominava a estrutura do psrtido, onde se incluíam os vários deputados que representaram o partido na AR no tempo do governo PSD/PS liderado por PPC quando aconteceu o episódio do "irrevogável" de Paulo Portas. Em 2015 com a demissão de Paulo Portas, no congresso de Gondomar, foi eleita para presidente do partido, Assunção Cristãs indicada por Paulo Portas, que manteve a mesma equipa que vinha do governo anterior. Nessa ocasião Nuno Melo recusou candidatar-se pois estava no Parlamento Europeu, posição que lhe trazia mais vantagens do que ser presidente do partido. Em 2019, na sequência do mau resultado nas legislativas, Assunção Cristãs demitiu-se a meio do mandato. Foi nessa altura que FRS ganhou a presidência, tendo o grupo que estava no parlamento e que apoiava o João Almeida perdido o congresso. Desde essa altura que esse grupo tem feito uma oposição interna à liderança de FRS. Os deputados que se mantiveram até agora têm tomado posições sem ouvir o presidente. Nunca mais pararam de conspirar contra FRS e contra quem o apoiou. O ambiente dentro do partido foi-se agravando. Há uns meses atrás o Adolfo Mesquita Nunes pediu a convocação do Conselho Nacional para pedir eleições antecipadas onde se apresentaria contra FRS. O seu pedido foi derrotado. Como não conseguiu agora avançou o Nuno Melo pois estava ia deixar de ser deputado Europeu e queria manter os amigos nas próximas eleições. O FRS convocou o Conselho Nacional para antecipar a convocação do congresso para fins de Novembro. Nuno Melo na reunião não concordava com a antecipação e fez uma escandaleira pois evoca a que ainda não estava preparado. Foi inclusive inconveniente e malcriado para os conselheiros que não o apoiavam. O resultado foi a antecipação do congresso. Entretanto inesperadamente o governo caiu. Houve necessidade de refletir se a decisão de manter a data do congresso para fins de Novembro e desfocar-nos dos objetivos do partido que era começar já a campanha e a preparar as listas para as eleições, ou adiar o congresso e concentrar-nos nesses objetivos. Marcou-se está última reunião do CN. Agora Nuno Melo já concordava com a antecipação do congresso. Fez tudo o que podia para que o CN não se realizasse. Agora já não se importava de não estar preparado. Durante a reunião da comissão política para decidir da realização do CN, fizeram quase uma invasão à sede no Caldas. Uma escandaleira frente aos órgãos de comunicação. Passaram uma má imagem do CDS. Cheirava-lhes a poder. Estavam a ver os empregos em perigo. Foi convocado o CN para o sábado passado que decidiu com uma maioria de 60% contra 40% adiar o congresso para depois das eleições. O grupo do Nuno Melo fez uma peixekrada. Até espumavam. Ainda não se convenceu que perdeu o partido. A maioria das distritais estão com FRS. Têm o apoio dos midia que estão ao serviço do PS, que lhes interessa passa uma imagem aos eleitores que o CDS está dividido. Pura mentira. Os militantes do CDS estão com FRS.
ResponderEliminarSI texto sem revisão.