PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDCXII
O PCP A CAMINHO DA IRRELEVÂNCIA ABSOLUTA…
“O comunismo não é um grande ideal que se perverteu. É uma
perversão que se vendeu como um grande ideal”. Olavo de Carvalho. (1947),
ensaísta brasileiro.
No tempo do Estado Novo, sempre
me meteu muita impressão o facto de as pessoas não anteciparem claramente uma
derrota dos portugueses na guerra colonial em África. Sim, é claro que vivíamos
em ditadura e, consequentemente, era muito mais difícil expressar e discutir opiniões
aberta e livremente.
Não obstante, não era preciso ser
especialmente arguto para a antever, bastava olhar para o que tinha acontecido
às grandes potencias coloniais e às suas respectivas colónias. Refiro-me,
naturalmente, à Inglaterra, Espanha, França, Bélgica e Holanda enquanto
principais potências coloniais europeias. Todas foram obrigadas a descolonizar
e a França foi das últimas quando em 1962, após uma guerra de libertação cruel
e sangrenta, concedeu, finalmente, a independência à Argélia. Nesse contexto, sendo
Portugal um País pequeno, atrasado, pobre e periférico quando comparado com as
outras potências suas congéneres, o resultado após 13 anos de guerra colonial,
só podia ter o desfecho que teve…
Vem isto a propósito do PCP, analogamente
à guerra colonial, subsiste uma sensação de “déjà vu” quanto observamos a sua
queda eleitoral reiterada, de eleição para eleição, seja em autárquicas,
legislativas, ou ainda europeias. A sua decadência e concomitante perda de
influência parece inexorável e inelutável. As eleições de 26 de Setembro último,
acabam de confirmar esta simples profecia: mais uma derrota e agora restam somente
19 Câmaras Municipais em todo o País quando nas eleições anteriores, em 2017,
ainda eram 26. O PCP e as coligações que liderou – FEPU e APU – chegaram a ganhar a liderança de 37 câmaras em
1976, e de 50 em 1979, com ou sem maioria absoluta. De 50 para 19 vai um
trambolhão monumental, uma quebra de 62%, que se traduz também numa perda
enorme de votos e de influência a nível autárquico, se não mesmo nacional.
Trata-se não só de uma verdadeira
derrocada ao longo do tempo, como este é o caminho para a irrelevância
absoluta, já nem o Alentejo – antigo reduto e, de certa forma, “feudo” do PCP –
lhes vale, até aí têm perdido as principais autarquias para o PS – mantiveram
Setúbal e Évora – algumas autênticas
cidadelas comunistas como Almada, Barreiro, Beja e agora Loures! E como se não
bastasse, até o PSD fez uma incursão vitoriosa nestes domínios, ganhando as
câmaras de Vila Viçosa, Reguengos de Monsaraz e Redondo, outrora regiões
completamente afectas ao PCP e “compagnons de route” sob a forma de CDU ou
outra.
Sendo assim, o que se passa parece
simples, tudo nos chega com cinquenta ou mais anos de atraso, o PCP está a
passar por aquilo que ocorreu em toda a Europa no pós-segunda guerra mundial e
último terço do século XX, os partidos comunistas europeus – outrora
fortíssimos, como o Italiano, com Enrico Berlinguer, o Francês, com Georges
Marchais, ou o Espanhol, com Santiago Carrilho – quase que desapareceram do mapa
político ou são irrelevantes e incapazes de influenciar na definição do
presente e futuro dos seus respectivos
países.
Para cúmulo, a Geringonça parece
ter sido o detonador que acelerou esta decadência e esta irrelevância do PCP que
a curto prazo estará acantonado na CGTP, a única jóia da coroa – que parece
também já ter tido melhores dias no que ao número de sindicatos e trabalhadores
filiados na mesma, se refere – que subsiste e que lhes transmite a sensação de
poder e de capacidade de influenciar o destino dos portugueses, enquanto
partido que foi incontornável no espectro político nacional.
Karl Marx dizia:
“O
capitalismo gera o seu próprio coveiro”.
Pois a verdade é que
não parece rigorosamente nada assim, talvez o que pareça mesmo seja o seu
contrário:
“O comunismo gera o
seu próprio coveiro”…
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