PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDC 17/08/2021
«SPAC [Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil] acusa Governo e a TAP de
"atear fogo" com o despedimento coletivo de 35 pilotos. Demissão da
direção do sindicato é para evitar greve». Jornal “Expresso
Economia”, 11/08/202.
Há uma greve iminente dos pilotos da Tap? O Estado (nós todos, nós somos o
Estado, e a propósito, a mim, ninguém me perguntou nada, meteram lá o dinheiro
dos meus impostos e pronto…) meteu na Tap 1.200 milhões de Euros em 2020; no
primeiro trimestre deste ano, 2021, a TAP perdeu 395 Milhões de Euros, quanto
perdeu no segundo trimestre (os números devem estar a sair)? E quanto vai
perder no terceiro? E quanto vai perder no quarto? Sabemos que, ao todo, o
Estado (nós todos) vai lá meter 3,2 mil milhões de Euros, pelo menos… E é nesta
situação de uma gravidade ímpar, que os pilotos da Tap se preparam (preparavam?)
para fazer greve? Isto é surreal!
Como é que os pilotos, numa situação destas, podem pensar em fazer greve?
Porque os pilotos abdicaram de 50% do salário e por isso pensam que não é
legitimo despedir 35 de entre eles?
Talvez, mas a verdade é que os salários dos pilotos da Tap foram nas
últimas décadas altíssimos, ao nível dos
seus congéneres europeus que pilotam em companhias que pertencem aos países
mais ricos da Europa e que são, elas próprias, das mais ricas companhias de
aviação europeias e sem nada que se pareça, com os problemas que a Tap enfrenta
neste momento.
Mas Portugal é um dos países mais pobres da Europa, como é que os pilotos
ganhavam como os dos países e companhias mais ricos? E essa situação não tinha
paralelo nas outras funções dentro da companhia que ganhavam ao nível de
Portugal, como se ganha num País pobre ou remediado. Não podiam e esse foi,
seguramente, um dos factores que mais contribuiu para a permanente situação de
insustentabilidade das contas da Tap. Greves atrás de greves durante anos,
explicam razoavelmente como os pilotos chegaram e mantiveram sempre esta
situação de privilégio.
Seja como for, Bruxelas parece não estar disposta a aceitar o plano da Tap
sem que a mesma abdique de inúmeros “slots” (autorizações de descolagem e
aterragem em cada momento) no aeroporto de Lisboa, ora se a Tap vai diminuir
substancialmente o seu tamanho – ao que consta – então a Tap não precisará de
tantos “slots” porque a sua operação diminuirá correlativamente!
Parece que isso contraria as intenções do Ministro Pedro Nuno Santos – possívelmente faz parte daquela corrente no PS que propugna bater o pé à Europa… – vamos ver como é que se vai sair airosamente deste imbróglio e deste braço de ferro com Bruxelas que não se compadece nem com amadorismos, muito menos com fanfarronices como quando admitiu que os despedimentos na Tap não eram uma inevitabilidade… não eram, Senhor Ministro?
Se tudo correr mal, como é mais do que expectável, será caso para dizer, ou antes, para parafrasear uma expressão que se ouvia muito na gíria da aviação comercial:
TAP – “take another plane”!
Agora, TAM!
Ou seja: “take another Minister”!
E já agora, “take” todo este governo miserável também!
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