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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDLXXVIII

«Vamos lá acabar com isto. Não ajuda ninguém. Vejamos: pedir a demissão de Fernando Medina, a três meses das eleições, é defraudar os eleitores. Eles que decidam. Perguntar pelos outros casos é estar a meter a mão numa colmeia. Sabe-se lá quando começou. Se há escândalo político, muito grave, gravíssimo, que mereça ser enterrado, a grande profundidade, é este. Sem qualquer dúvida. Sem mais explicações. Sem mais comentários. CML? Russos? Dados? SVR? Não conheço!». Luís Delgado, 11/06/2021.

Li esta crónica de Luís Delgado e torci-me e retorci-me na cadeira…

Reparem, o escândalo é tão grande que não há como o escamotear ou disfarçar – Luís Delgado admite-o sem pejo – logo, o melhor mesmo é não falar nele, não mexer, nem remexer mais, ignorá-lo pura e simplesmente…

E adorei o argumento de que não faz sentido que ele se demita porque defrauda os eleitores e dentro de 3 meses vai haver eleições – o que defrauda os eleitores são actos incompatíveis com a dignidade e a competência de um político. Luís Delgado já sabe a data das autárquicas? São daqui a 3 meses?

O problema, ao contrário do que diz Luís Delgado, não está no tempo que falta para as eleições, o problema está na única acção digna que Medina teria e deveria tomar: a demissão imediata! Mesmo que faltasse um mês, ou quinze dias, ou uma semana, ou um dia, um erro colossal requer a única forma em democracia de redenção, de expiação, de assunção de responsabilidades, a demissão!

Luís Delgado não quer ver Medina irremediavelmente perdido para a política – sabe-se lá porquê?! – dá-lhe uma derradeira chance, deixa isso nas mãos do eleitorado, se o eleitorado o reeleger, está tudo bem! Não, está tudo mal, Medina deveria sair em qualquer circunstância e só um eleitorado sem sentido de decência e responsabilidade o pode reeleger!

Não há outra maneira, tudo o mais soa a falso, soa a argumentação sibilinamente difundida, soa a frete, frete e gigante! Se um erro deste calibre e desta gravidade não chega para um político íntegro se demitir, o que seria preciso para tal, Luís Delgado? E se não houvesse eleições este ano, Luís Delgado? Medina devia demitir-se ou isso defraudava o eleitorado que votou nele?

Que porcaria de políticos, que porcaria de jornalismo!

 

 

 

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