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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDLXIV

«Ele afirma [Vasco Pulido Valente] que, se não tivesse havido o 25 de Novembro, o Cunhal teria mandado matar o Soares». José Couto Nogueira, Jornal “Observador”, 30/04/2021.

Esta afirmação – e Vasco Pulido Valente era talvez o analista político mais credível e mais bem preparado deste País, ajudado por um doutoramento em Oxford, em História, e um profundo conhecimento da História de Portugal dos séculos XIX e XX, era contundente e desconcertante – é uma verdadeira bomba porque faz de Cunhal um assassino vulgar e reles, abala e interpela as convicções e consciências dos admiradores e idólatras, e para os não-apaniguados é o escaqueirar final e a destruição irreversível da imagem e do mito do político.

Não sei se Cunhal mandaria matar Soares ou não. Não obstante, sei que Cunhal era um Estalinista ferrenho, ortodoxo, e foi de Estaline um seguidor fiel e exemplar. Também sei como Estaline tratou um dissidente célebre e seu grande adversário político; Trotsky – mandou-o assassinar, morreu vítima de uma picareta espetada no crânio por um sicário ao seu serviço!

Sendo assim, sendo Cunhal um Estalinista confesso e tendo Estaline usado os métodos que usou, é legitimo pensar que Cunhal poderia ter feito a mesma coisa, poderia ter mandado assassinar Mário Soares?

Aos cépticos de que Cunhal pudesse mandar matar Soares, respondo como Cristo respondeu aos Fariseus quando quiseram apedrejar uma mulher adúltera na sua presença, fiéis às leis de Israel em relação ao adultério e pretendendo colocar Cristo numa posição difícil:

– Aquele que não tem nenhum pecado que atire a primeira pedra!

Comentários

  1. Eu duvido que a comparação entre Estaline Cunhal seja lícita. Estaline era um homem absolutamente corrompido pelo poder absoluto; a Cunhal faltava o poder e a corrupção.

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  2. Cunhal não possuía todos os atributos que, segundo Cícero; “O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente”, fazem de um homem um político absoluta e completamente corrupto, embora detivesse poder absoluto no seu “cosmos”, mas a questão aqui é diferente, Cunhal era maquiavélico como a doutrina que abraçou e à qual dedicou toda a sua vida – como o é e o demonstrou ser cabalmente o comunismo ao longo da história – sem hesitação, logo, é legitimo interpelarmo-nos, que é o que faço, se Cunhal mandaria matar Soares ou não?

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