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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MDLVI

«O PS não fez mea culpa sobre a governação que nos levou à bancarrota, e ainda hoje culpa a troika e Passos pelos erros drásticos da governação socialista. É uma posição intelectual e moralmente indefensável, mas tem uma utilidade política que se entende». Henrique Raposo, Jornal “Expresso”, 20/04/2021.

Neste parágrafo estão sintetizados os principais erros do PS nos últimos anos; a bancarrota de 2011, a negação da responsabilidade do PS nessa mesma falência do Estado quando o PS governou com maioria absoluta, logo, sózinho, entre 2005 e 2009. E com maioria relativa, mesmo assim, também sózinho, entre 2009 e 2011, e o seu completo desaforo e evidente oportunismo políticos.

A culpabilização da Troika – que o PS chamou sózinho e por sua livre iniciativa – e ao mesmo tempo do Governo de Passos Coelho que, por muito mal que tenha governado e não governou assim tão mal por nos ter tirado do abismo em que o PS nos lançou, e, ainda por cima, apanhou um Memorando de Entendimento com medidas drásticas e miseráveis e o País sem um chavo para mandar cantar um cego, são dos factos mais vis a que assisti em política!

Ora, como muito bem diz Henrique Raposo, esta posição é intelectual, moral e éticamente, acrescento eu, indefensável, é mesmo abjecta; os partidos são constituídos por pessoas e tal como as pessoas, devem assumir os seus erros e humildemente pedir desculpa pelos mesmos! Os partidos não estão acima ou isentos de erros!

E por que motivo o PS não o faz? É simples, lá ia à vida a infabilidade e a superioridade do socialismo e a posição do PS como partido charneira, supino e insubstituível na vida política dos portugueses e no seu devir superior e que faça jus aos nossos, dentro em breve, nove séculos de história, não, o PS não falha nunca!

Mas não se livra de que legitimamente os eleitores e os seus adversários se questionem de cada vez que houver eleições para um novo Secretário-Geral, ou mais alargada e nacionalmente, eleições legislativas, se não estarão a eleger um novo Sócrates e, pior, se o PS é digno da confiança do povo português? Às duas perguntas, respondo com um rotundo, NÃO! Repito, NÃO! Não creio que os portugueses sejam tão néscios ao ponto de repetirem o fenómeno Sócrates, é completamente improvável e irrepetível seja em que partido for, e é óbvio que – basta a forma miserável como nos governa sempre – não podemos ignorar a ignóbil bancarrota de 2011. Como se não bastasse, há ainda a falta de um pedido de desculpas, pelo que o PS não merece, de maneira nenhuma, a confiança dos portugueses!

Todos aqueles que perante a gravidade disto tudo estiverem dispostos, mesmo assim – e parece que são muitos, inacreditavelmente, imensos! – a continuar a dar-lhe o seu voto de confiança, provavelmente, o melhor é irem a um psicólogo ou, em última análise, a um psiquiatra… sim, o pobre do ignaro povo português precisaria de um alienista, e dos bons…

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