PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDXLIX
A PROPÓSITO DE
JORGE COELHO…
«Quem se
mete com o PS, leva»! Jorge
Coelho, quadro do PS, ex-Ministro, gestor, ultimamente empresário.
“Alguns
políticos são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal”.
Séneca.
Jorge
Coelho era um político sobre o qual tenho uma opinião divergente da maioria das
pessoas e de tudo o que tenho lido ou ouvido nos últimos dias a propósito do político,
da sua vida, da sua acção política e da sua morte. A esmagadora maioria dos
comentários são encomiásticos e grandiloquentes da sua pessoa e da sua prestação
política…
Vi-o no
programa a “Quadratura do Círculo” inúmeras vezes e não fiquei nada bem
impressionado, para além de usar lugares comuns à exaustão, fazia a defesa à
outrance, e pior, descarada propaganda política do PS e dos seus Governos
em contraste com os seus companheiros de painel: Pacheco Pereira, convidado enquanto
militante do PSD – sempre crítico acérrimo do seu partido e, sobretudo, do
Governo Passos Coelho embora filiado de longa data no PSD onde ocupou lugares
importantes de altíssima confiança política: líder parlamentar e cabeça de
lista dos eurodeputados ao Parlamento Europeu – e omitindo sempre que o mesmo
geria a ignóbil bancarrota provocada pelo Governo de Sócrates que selou e consignou
com a Troika um miserável memorando de entendimento que Passos Coelho teve que cumprir
e honrar, e Lobo Xavier, um político fino, culto, civilizado, muito
inteligente, subtil e que não me lembro de alguma vez ter defendido abertamente
o CDS… talvez defendesse posições coincidentes, o que é diferente da posição de
Jorge Coelho…
Mas o que relevou
mais foi a frase super populista que cito em supra, que me faz lembrar o Estado
Novo e as suas práticas, ou seja, os defensores do mesmo diziam à boca cheia,
com um cinismo inultrapassável, algo do género:
“Há
liberdade total em Portugal, quem não se meter com o Governo e a situação, não
tem nada a temer da PIDE nem do regime”!
Similar e
não menos hipocritamente, Coelho arrogantemente ameaçou e dixit: “quem
se mete com o PS, leva”! Esta frase, além de supinamente primária, dá-nos a
real dimensão da forma como Jorge Coelho entendia a democracia, a exercitava e
o lugar ponderoso que reservava ao PS na democracia portuguesa. Há alguma
diferença de fundo entre a hipocrisia e a desfaçatez desta posição e a do
Estado Novo?
Finalmente,
nunca percebi muito bem como é que o homem foi parar a Presidente da
Mota-Engil, ou antes, julgo que o colocaram lá para poder exercer lobbying,
usar os seus conhecimentos junto das pessoas que interessavam, praticar a
influência a alto nível, servir-se dos contactos, prestar e receber informações,
exercitar recorrentemente actividades deste teor por ter pertencido ao
núcleo duro de um Governo e de um partido, mas ressalvo que posso estar
equivocado e que as razões tenham sido outras…. não obstante, ocorre-me sempre
o que aconteceu a Durão Barroso, ressalvadas as devidas proporções, quando
deixou a Presidência da Comissão Europeia e foi para Presidente não executivo
do Conselho de Administração do banco Goldman Sachs International…
Como dizia
já não sei quem: “em negócios, o que parece é”! Ou será que era em
política?
Claro que
sob o ponto de vista social, mundano e como pessoa, era um indivíduo estimável,
sem dúvida e não lhe guardo qualquer rancor ou sentimento negativo – à parte a
política, naturalmente, o homem defendia o socialismo e eu estou nos seus
antípodas, ataco-o por sistema… – até porque sou um democrata, mas um democrata
genuíno incapaz de utilizar qualquer frase ameaçadora ou que coarte quem exerce
e frui dos direitos que a democracia legitima e naturalmente lhe confere…
Paz à sua
alma.

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