PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDXXXVIII
AINDA A
PROPÓSITO DOS 100 ANOS DO PCP…
“É
preciso dizer a verdade apenas a quem está disposto a ouvi-la”. Séneca.
O PCP cobriu inúmeras cidades do País com as suas bandeiras na data do seu centésimo aniversário. Esta acção provocou enorme impacto visual mas, sobretudo, político, a ideia chave, pela sua originalidade e grandeza, sobretudo nas maiores cidades; Lisboa (imagem em infra) e Porto.
O
PCP defende uma ideologia acérrimamente, o comunismo e para tal, entre outros,
usa sistemáticamente argumentos típicos como: defesa da liberdade e da
democracia e que só confundem as pessoas que não conseguem percepcionar a
diferença entre o significado destas palavras numa perspectiva de sociedades e
de democracias liberais, e o que as mesmas querem dizer no léxico comunista.
A
liberdade – o PCP defende a liberdade? Que Liberdade? Aquela que existia na
antiga U.R.S.S.? ou a liberdade que existe hoje na Coreia do Norte? Ou ainda em
Cuba? Só para citar dois países comunistas típicos, exemplares.
A
democracia – o PCP defende a democracia? Qual democracia, a que existe hoje na
Coreia do Norte? Ou a democracia que existe hoje em Cuba?
Quanto
à liberdade, trata-se de uma mistificação e uma usurpação completa da palavra porque
nestes países não há o mínimo resquício de liberdade – nem de opinião, nem de
imprensa, nem de reunião, para só citar as mais básicas – e quando o PCP diz
que no seu seio não podia haver mais liberdade e transparência, arvorava-se em:
“partido com paredes de vidro” – trata-se de uma falácia, até pode ser que se
comece a discutir os problemas nas estruturas de base e que os mesmos façam o
seu caminho até ao Comité Central, mas se alguém logo na base estiver em
desacordo e contrariar a hierarquia, as directrizes, a doutrina oficial ou os
inúmeros dogmas, é imediatamente silenciado ou, no pior dos casos, mesmo
irradiado, como já aconteceu a inúmeros militantes.
Quanto
à democracia, não é isso o que o PCP pratica, isso é um simulacro igual à liberdade, é
exactamente o contrário, até pode haver eleição de camaradas nas estruturas de
base, mas se algum entrar em conflito ou a sua atitude e ideias forem
inconvenientes para o Partido e os seus dogmas, a discussão e a democracia
acabam aí e não é por acaso que o Marxismo criou a Ditadura do Proletariado.
Ora Democracia e Ditadura são antónimos, logo, óbviamente incompatíveis.
Pelo
contrário, a democracia alimenta-se do confronto de ideias, da transparência,
do debate sem baias e da assunção sem complexos da diferença de pontos de
vista. Ora não é isso, de maneira nenhuma, o que se passa no PCP, conforme já
descrevi nos pontos anteriores.
Portanto,
estas duas palavras chaves são usadas deliberadamente para confundir e enganar
a opinião pública que não tem capacidade ou não sabe distinguir entre uma coisa
e outra e é levada, assim, a pensar que o PCP é igual aos outros partidos na
defesa da liberdade e da democracia.
O
PCP devia ser denunciado nestes desideratos e nestas práticas por falsidade e
danos à verdade, (com evidentes prejuízos para a democracia e os portugueses) esta
sim, juntamente com a transparência, fazendo justamente parte das qualidades da
democracia. Mas o que acontece é que o PCP é protegido e o seu comportamento
anti-democrático sistemáticamente branqueado, ainda há meses, no último
Congresso do PCP, ouvimos um seu dirigente, Albano Nunes, apelar ao derrube do
capitalismo pela força…, isto é, à ordem constitucional em vigor, sufragada
pelos portugueses em sucessivas eleições.
Finalmente,
o PCP sempre defendeu a U.R.S.S., mas a U.R.S.S. praticou uma política de
genocídio até no seu próprio País, houve fome induzida e purgas de milhões de
Ucranianos no tempo de Estaline para os GULAGS na Sibéria – toda a gente sabe o
que foram menos a ex-deputada do PCP, Rita Rato, talvez por isso lhe tenham
dado a direcção do Museu do Aljube… – e
nos milhões de soviéticos que lá foram parar e a grande maioria, morrer. Ora,
sendo assim, o PCP devia denunciar a U.R.S.S. e a sua política de genocídio, –
alguém pode defender uma política de genocídio, só se for por maquiavelismo
como Estaline?! – impunha-se esse afastamento, essa renuncia e denuncia mas,
alguém já ouviu alguma crítica do PCP a Lenine, o verdadeiro precursor dessa
política assassina, ou a Estaline, e a toda a clique que governou a U.R.S.S. até
à sua implosão?
Não,
ninguém vai ouvir e por uma razão muito simples; o PCP esteve sempre
comprometido com a U.R.S.S., esteve, está, e estará de acordo e em conúbio
total com Lenine, Estaline, Malenkov, Khrushchov, Brejnev, Andropov, Chernenko e toda a clique
e todas as políticas que praticaram na U.R.S.S., e apoiou o imperialismo soviético
imposto em todo o mundo, por meio do exército vermelho, como em toda a Europa
Oriental, ou por propaganda, sedição, insurreição, revolução, como em Portugal,
em 1975, corrupção ou outro meio qualquer no resto do mundo, responsável por
milhões de vítimas, onde quer que tenha podido actuar e expandir-se!
Só discordou veladamente de Gorbachev por este ter sido o
grande coveiro do comunismo. Um pouco de verdade baseada na história, não fará
mal ao debate, excepto, talvez, ao PCP e às suas hipocrisias… e, de novo, acabo
a citar o genial Séneca:
“Prefiro
incomodar com a verdade do que agradar com adulações”.

Comentários
Enviar um comentário