PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MDXXXVI
«Cem anos do PCP – em busca de uma sociedade que ainda
não existiu». Parangona do Jornal
“Público”, 06/03/2021.
“Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo
igual”. Albert Einstein.
As sociedades pelas quais os comunistas lutam, o
próprio título do jornal o reconhece, nunca existiram.
Ora, aparentemente, é legitimo lutar por uma ideia,
por um objectivo, por uma utopia, por um destino superior e que, segundo os
comunistas, beneficiaria toda a humanidade.
O problema está no facto de que todas as tentativas
para alcançar esse fim, esse objectivo, essa utopia, falharam estrondosamente e
continuam a falhar, veja-se o caso actualíssimo da Venezuela em que as pessoas
nem comida conseguem arranjar, passam fome, o que já levou à fuga de milhões de
Venezuelanos para os Países vizinhos; Colômbia e Brasil e, até, muitos
regressaram à Madeira.
Por outro lado, há milhões de vítimas que o comunismo
averba já no seu cartório, fala-se em cem milhões, o número é gigantesco, é
colossal, basta pensar nos sessenta milhões que Mao tem à sua conta e
responsabilidade na China com o “grande salto” em frente, um salto gigantesco
para a infâmia, tortura e morte de milhões de inocentes, a acreditar no número, para lhe dar credibilidade.
O mesmo fez Pol Pot no Camboja, mais dois ou três milhões, e um pouco por todo
o lado, na Europa, Estaline e Ceausescu foram os maiores “carniceiros” e,
sobretudo o primeiro, deixou um rol de milhões de vítimas só na U.R.S.S..
Tudo isto são factos e não são invenções dos neo-liberais.
O grande filósofo francês, Raymond Aron, analisando o
alfa e o ómega do Marxismo; a Ditadura do Proletariado, perguntava como
é que – numa economia planificada e centralizada como o são todas as economias
comunistas – essa centralização se coadunava com o desaparecimento da própria Ditadura
do Proletariado e com a dissolução do Estado, objectivos primordiais da teoria
Marxista e da edificação do comunismo? Concluía; uma verdadeira impossibilidade!
Parafraseando Einstein, há uma lei na física que diz
que os mesmos estímulos produzem sempre
os mesmos resultados, ou seja, no comunismo: a nacionalização de toda a
economia, a supressão da democracia, da liberdade, da liberdade de imprensa, e
eliminação dos partidos políticos, a criação de polícias políticas como a Pide
ou o KGB, e de campos de concentração como os Gulags, o aprisionamento e
supressão física dos opositores políticos, o confisco da terra dos agricultores
e a supressão de toda a possibilidade de remoção dos seus cargos dos dirigentes
em cada momento – repare-se que na Coreia do Norte há uma verdadeira “Dinastia”
que começou no avó, Kim II-Sung, passou para o filho; Kim Jong-II, e deste para
o neto, Kim Jong-un, sem que o povo tenha sido ouvido ou achado e sem que tenha
a mínima possibilidade de os remover do poder – gerindo o poder absoluto que
detêm e que já Cícero dizia que o poder corrompia e que o poder absoluto
corrompia absolutamente – por uma razão simples, comezinha; a democracia foi
abolida.
É por tudo isto, por todas estas vitimas, por todas
estas evidências que me mete imensa impressão ver o enorme número de pessoas,
bons amigos meus também, que querem que se aplique exactamente a mesma “receita”
e que os resultados sejam diferentes…
E o PCP não é diferente, antes pelo contrário, é um
verdadeiro partido dinossauro, anacrónico, obsoleto, sectário e, acima de tudo,
totalmente desfasado da realidade, luta por uma ideia e uma ideologia pensada,
gerada e inspirada na observação por parte de Marx da exploração desenfreada da
Revolução Industrial Inglesa, depois corporizada no Manifesto Comunista, dentro
em breve, velho de 200 anos, não tem nada a ver com o desenvolvimento,
progresso e bem-estar do país em que se inspirou e de todos os países
desenvolvidos do mundo Ocidental.
Haverá alguma coisa que nos dias que correm resista a
20 anos, quanto mais a 200?
Ontem de manhã, olhei para a fotografia das bandeiras
do PCP na Avenida dos Aliados e pensei que estava na Coreia do Norte… uma secção de agitação e propaganda eficaz
consegue disfarçar o facto de o PCP e o seu apêndice que dá pelo nome de PEV,
terem tido o apoio e o voto de 332.433 portugueses nas últimas legislativas de
2019, ou seja, 6,3% dos portugueses que votaram num universo de 5.251.064 eleitores, numa abstenção brutal de 51,43% e numa população de cerca de 10,5 milhões de pessoas,
332 mil em mais de 10 milhões…
Estes números dão-nos a verdadeira dimensão – sem
bandeiras nem propaganda – deste(s) partido(s) e do verdadeiro apoio que têm e
congregam na sociedade portuguesa…
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