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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MDXXXI

«Covid-19: Santos Silva admite à CNN responsabilidades do Governo no pico da crise. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, admitiu hoje responsabilidades do Governo no agravamento da pandemia de covid-19 em Portugal, no mês de janeiro, pelo relaxamento de medidas no Natal». Em entrevista à CNN, jornalista Becky Anderson, em 12/02/2020.

“Somos responsáveis por aquilo que fazemos, pelo que não fazemos e pelo que impedimos de fazer”. Albert Camus.

Como é óbvio, prefiro um político que tem a decência e a hombridade de admitir os erros do Governo de que faz parte, do que o rechaçar de responsabilidades sistemático de António Costa em relação a todos os inúmeros erros que ele e o seu Governo têm cometido e de que são autores. Sem nenhuma margem de dúvida. Santos Silva acabou de demonstrar porque motivo é provavelmente o melhor e mais sólido elemento deste Governo de desconchavo nacional.

Não obstante, este seu reconhecimento dos erros do Governo no relaxamento de medidas do Natal, traz consigo um gravíssimo problema que o anterior Governo de António Costa (e de Santos Silva) já tinha experimentado com os 110 mortos no terreno, muitos (quantos, ninguém saberá dizer?) fruto de incompetências e negligências várias do Governo e da cadeia de comando na luta contra os fogos de 2017; do Primeiro-Ministro ao Ministro da Administração Interna, e deste até às chefias da Protecção Civil à época, ao que se dizia, infestada de “boys” recém nomeados e completamente incompetentes na matéria.

Mais uma vez, o problema é este: quantas pessoas, agora no Natal passado, fruto desses erros morreram e poderiam não ter morrido? A mim parece-me que também ninguém saberá responder a esta pergunta com segurança, mas que houve vítimas, parece-me consensual e o próprio Ministro Santos Silva acaba por o reconhecer implicitamente e, sendo assim, um político decente e íntegro, mesmo que só tivesse havido uma única vítima mortal e não centenas como nos fogos de 2017 e agora no Natal, só tem um caminho numa circunstância destas:

A demissão!

Até para ficar o melhor possível com a sua consciência.

Razão tinha o professor Romano de retórica, Quintiliano (35-95) quando proferiu: “A consciência vale por mil testemunhas”.

Na condição de se a ter, claro…

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