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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MDXXVII

«No Parlamento Europeu, o PCP vota contra qualquer crítica ao regime de Putin pela violação dos direitos humanos, ao lado dos partidos da extrema-direita europeia, nomeadamente no que respeita à violenta repressão policial lançada sobre qualquer manifestação da oposição não sistémica na Rússia». José Milhazes, Jornal “Observador”, 12/2021.  

“Os nossos piores inimigos estão sempre entre nós”. Autor desconhecido.

José Milhazes é, para mim, um dos melhores observadores e comentadores da política da ex-União Soviética, e da Rússia actualmente, e isto porque ainda jovem comunista convicto, conseguiu uma bolsa para ir estudar para a União Soviética, onde casou com uma cidadã desse País e onde viveu durante 30 anos. Dou-lhe muito crédito, não por ele ser um dissidente comunista, há muitos e cada vez mais, mas por ter metido as mãos na massa, ou seja, conheceu a realidade – pelos factos que enunciei – da ex-U.R.S.S., como ninguém!

Um partido de extrema-esquerda como o PCP, votar ao lado da extrema-direita ou aliar-se à mesma, não é novo, já o tínhamos visto na Grécia, com o Syriza a formar Governo com o partido Gregos Independentes, um partido hiper-nacionalista da extrema-direita grega – um partido tão desavergonhado como o próprio Syriza – porque não se coibiu de se aliar ao seu pior inimigo para ascender ao poder, sendo a única argamassa comum aos dois, a política anti-austeridade.

Quem conhecer um pouco da história, sabe que o sacrilégio máximo foi os comunistas terem-se  aliado aos nazis em 1939, por meio do Pacto Ribbentrop-Molotov, selado entre ditaduras antagónicas e ferozmente inimigas, que deixaram o mundo estupefacto. 

Com efeito, este Pacto teve repercussões catastróficas para os comunistas em todo o mundo – sendo a maior vítima a pobre Polónia, invadida, dividia e esquartejada pelos seus algozes e poderosos vizinhos – pois provocou o primeiro verdadeiro cisma no movimento comunista internacional, só comparável ao que aconteceu décadas mais tarde com a invasão da Checoslováquia pelos soviéticos em 1968, fonte de críticas violentas, dissensões, cismas e múltiplas deserções como o Internacionalismo Proletário e os seus mentores, nunca pensaram pudessem ocorrer.

É por isso que, ninguém se deve admirar que a coerência política do PCP esteja hoje em dia pelas ruas da amargura e vote no forum da democracia europeia, ao lado da extrema-direita europeia que apoia Putin, um autocrata, um déspota travestido de novo Czar e que tenta por todos os meios minar as democracias Ocidentais por serem a maior barreira aos seus intentos imperialistas, como a intervenção militar na Crimeia e a sua anexação à Federação Russa em 2014, foi um bom exemplo. Por fim, percebe-se o voto do PCP, a Europa foi e será sempre, um poderoso baluarte, um fortíssimo esteio contra o comunismo que, por sinal, está entre nós, está no nosso meio…

Os apoiantes do PCP não ficam incomodados com isto?

Acabo a citar José Milhazes nesse seu artigo, de novo e pela pertinência da observação:

“O destino dos partidos comunistas português e russo será o mesmo: o desaparecimento gradual. Em Portugal, porque o PCP está completamente desfasado da realidade interna e externa».

Asserção que me parece completamente verdadeira e verificável – pelo menos, no que ao PCP diz respeito – basta olhar para as últimas Presidenciais e atentar nos resultados do PCP no Alentejo, sobretudo no Alentejo…

 

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