PENSAMENTO(S)
SIMPLES DO DIA - MDIX
UM PRESIDENTE
DA REPÚBLICA DEVERIA DEMITIR UM PRIMEIRO-MINISTRO QUE MENTE?
«A RTP teve acesso a um documento do Conselho da União Europeia que demonstra que a decisão de nomear José Guerra para procurador europeu foi fundamentada na carta com "lapsos" enviada pelo Ministério da Justiça. O Conselho Europeu invoca dois dos três erros para justificar que José Guerra tem mais experiência operacional e uma carreira internacional que o tornavam o candidato mais adequado ao cargo». “RTP”, 11/01/2020.
Evidentemente! Esta é uma situação inédita e rara, uma iniquidade completa, estamos confrontados com mais uma mentira e neste caso, gravíssima, perpetrada pelo próprio Primeiro-Ministro e extensível à Ministra da Justiça por compadrio ou protecção mútua! É que o Primeiro-Ministro alegou ainda há poucos dias que os lapsos que a carta enviada a Bruxelas sobre a nomeação do Procurador José Guerra continha, eram absolutamente irrelevantes! Repito; irrelevantes!
Este facto gravíssimo não era nem foi irrelevante, antes pelo contrário, foi decisivo para a sua nomeação, pelo que um Governo decente – que Chefia a Comissão Europeia e pertence ao primeiro mundo e que tem a obrigação moral de ser um exemplo e um farol para todos – que não mentisse, no mínimo e era pouco, teria que demitir a Ministra da Justiça que, a propósito, confrontada pela RTP com esta nova situação, optou por não responder!
Tudo isto tem a ver com decência e probidade – ambas em absoluta falta ao Primeiro-Ministro e a alguns membros do seu Governo!
O desprestígio que daqui resulta para o País e para o Primeiro-Ministro são evidentes e inegáveis! E se o Senhor Presidente da República não demitiu o Governo na altura dos fogos como o deveria ter feito, não o poderá fazer neste momento por inoportunidade face ao facto de Portugal deter a Presidência do Conselho Europeu, mas deveria! Contudo, nada o impede de obrigar à demissão da Ministra da Justiça para salvar minimamente a face e a honra do seu Governo e, indirectamente, do País.
O País não pode, de maneira nenhuma, ter um Primeiro-Ministro que mente descaradamente nas barbas da Europa, quando ela é parte interessada, está envolvida e é também vítima de uma mentira torpe.
Fico à
espera da veemente reacção de “indignação” dos partidos justiceiros: PCP; BE,
PEV e PAN…

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