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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA - MDXVIII

ANÁLISE DAS ELEIÇÕES PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM QUE OS “ALMOCREVES DA UTOPIA” FORAM SEVERAMENTE PUNIDOS…

Nota prévia:

Pensei que os almocreves que vendiam mercadorias pelo Pais todo acompanhados de bestas de carga, visitando os sítios mais recônditos e que existiram essencialmente na Idade Média, tivessem acabado, enganei-me, foram substituídos pelo que designo como os “Almocreves da Utopia”, percorrem o País de lés a lés, vendendo descarada e desavergonhadamente utopias aos incautos e aos ignorantes…

MARCELO REBELO DE SOUSA:

Esta designação não lhe serve nem precisou de calcorrear o País todo. Ganhou folgadamente com 60.7% dos sufrágios, e ca. de 2,5 milhões de votos, número notável se considerarmos as circunstâncias em que estas eleições ocorreram. Não votei desta vez em M.R.S, não me custando admitir que o homem era de longe o indivíduo mais bem preparado sob todos os pontos de vista, sobretudo; intelectual e políticamente, mas também o homem com mais experiência, quer televisiva, quer política onde evolui como peixe na água desde 1974. Não votei uma segunda vez em M.R.S. por me sentir desiludido com a sua actuação; condescendência e compactuação em relação a um dos piores Governos de sempre, o de António Costa.

Desejo-lhe, não obstante, um segundo mandato mais feliz do que o primeiro: com menos afectos e menos selfies e bastante mais exigência institucional.

ANA GOMES:

Obteve 13% dos sufrágios e ca. de 541 mil votos. Apesar de a considerar uma mulher corajosa e de defender por vezes causas simpáticas e em que, descontando algum populismo, faziam sentido e tinham apoio popular pela sua justeza, não deixou de ter uma prestação paupérrima e muitíssimo fraca. No debate com M.R.S., este atirou-a ao tapete sem apelo nem agravo e mostrou toda a sua fragilidade, inconsistência e impreparação para a exigência deste cargo, coisa surpreendente se considerarmos que anda na política desde 1972. Teve uma derrota pesada porque apesar do segundo lugar e de não ter o apoio do PS, a sua prestação e resultados foram muito maus, basta comparar com os 19,76% de Manuel Alegre que também não teve o apoio do PS naquela altura. Não lhe valeu de nada a sua actuação enquanto almocreve de utopias. Diria que teve uma égua ao seu serviço neste desiderato…

ANDRÉ VENTURA:

Foi atacado, perseguido, vilipendiado como se fosse a encarnação do Diabo, de Mussolini ou de Hitler mas os que o atacaram dessa forma – imprensa incluída – nunca mencionaram os outros grande carniceiros da História: Estaline, Mao e Pol Pot, só para mencionar os principais. Sou contra todos os totalitarismos, sejam de direita ou de esquerda, pelo que, mesmo não sabendo até que ponto o homem é de extrema-direita – o que me suscita imensas dúvidas – não poderia votar nele. Todos os que o atacaram aguerrida e desenfreadamente, promoveram-no e isso traduziu-se em 11,9% dos sufrágios e no apoio de meio milhão de portugueses, número extraordinário na circunstância e que lhe dá um fortíssimo capital político para o futuro. Os ingénuos e sedentos de apanhar o homem em contradição, começaram logo a duvidar que o homem se demitisse como tinha prometido se não ficasse em segundo lugar – enganaram-se! André Ventura é fruto da actuação de António Costa e da sua golpada institucional em 2015 e, sobretudo, da actuação do maior partido da oposição e do seu líder, o PSD e Rui Rio, que não assumiu oposição frontal ao PS como lhe competia e tinha estrita obrigação de fazer perante um novo Governo do PS e ignorando estoicamente a bancarrota de Sócrates em 2011. Talvez se Costa não tivesse usurpado o poder em 2015 e se Rio tivesse afirmado o PSD como alternativa às forças de esquerda neste País, Ventura nunca tivesse surgido a encabeçar todos os portugueses que são contra o socialismo da miséria que há mais de 25 anos – quase sem interrupção – nos conduz ao lugar de País mais pobre da Europa, já faltou mais! Doravante, nenhum bloco de direita – por oposição ao bloco às esquerdas que Costa fundou e federou – poderá governar sem o concurso de Ventura e isso viu-se nos Açores e ver-se-á já nas próximas legislativas que, muito provavelmente, ocorrerão já este ano e porão fim ao pesadelo do Governo de Costa, a exemplo do de Sócrates, péssimo e que, nesta altura, patenteia completo desnorte funcional, limita-se a navegar à vista e a fazer tudo para se manter no poder a qualquer custo, com inúmeros Ministros desaparecidos sem Covid, e outros zombies ou cadáveres políticos.

Ventura não tem a qualidade de almocreve, vendeu a realidade da importância do seu partido e das ideias que defende e com as quais muitíssimos portugueses estão de acordo, como a prisão perpétua, por exemplo, na nova situação política nacional.

JOÃO FERREIRA:

4,3% dos sufrágios e ca. de 180 mil votos. João Ferreira, juntamente com o PCP, é um derrotado nestas eleições, então o PCP que influi decisivamente na governação deste País todos os dias, só consegue o apoio de 180 mil portugueses? É caso para dizer, de derrota em derrota até à irrelevância nacional! João Ferreira foi o paladino e o arauto da Constituição da República e não houve ninguém que lhe dissesse que o seu partido, o PCP, se opôs tenazmente a esta Constituição e que para tal mandou um dos seus sindicatos de mão, o da Construção Civil, cercar a Assembleia Constituinte em 1975, numa tentativa vã de a boicotar irremediavelmente, Constituinte que, justamente, elaborava a Constituição que João Ferreira tanto defende! Joao Ferreira pensa que está a lidar com tansos ou com desmemoriados? João Ferreira é mais um almocreve da utopia que se fez acompanhar por uma mula.

MARISA MATIAS: 

4% dos sufrágios e cerca de 165.000 votos. Uma derrota em toda a linha, basta comparar este resultado com o seu resultado de 2016, 10,12% e cerca de 470.000 votos, uma queda de 65%, em número de sufrágios, uma hecatombe indisfarçável e uma derrota clamorosa para o BE, para Catarina Martins e Louça. Pior era difícil! A sua defesa à outrance do SNS, como se alguém ou algum partido no seu perfeito juízo, quisesse acabar com ele, chega a ser patética, sobretudo quando ele dá tão má conta de si – apesar do BE ter votado 4 Orçamentos e as verbas consignadas ao mesmo SNS – neste momento, com milhões de consultas por fazer e centenas de milhar de operações por efectuar:

https://expresso.pt/sociedade/2020-09-25-Mais-de-12-milhoes-de-consultas-e-cirurgias-vao-ficar-por-fazer

Marisa Matias é mais um almocreve da utopia que não conseguiu melhor do que uma burra de carga para a acompanhar.

 TIAGO MAYAN GONÇALVES:

Obteve 3,2% dos sufrágios e ca. de 134.000 votos. Notável para quem não tinha nenhuma experiência destas lides e duvido que tivesse grande estrutura a apoiá-lo. O seu resultado multiplica por praticamente dois o resultado da Iniciativa Liberal nas últimas legislativas. Foi vítima dos epítetos das esquerdas que colocam o liberalismo, que apodam de “neo-liberalismo”, como lhe chamam depreciativamente, e colocam ao nível do fascismo não sabendo o que foi uma coisa e a outra. Se não tivesse havido Liberalismo em Portugal em 1820 e a sua acção e frutos, provavelmente não haveria partidos de esquerda hoje em dia.

Não o considero almocreve porque o homem não vende ilusões, aponta factos concretos: os países mais ricos do mundo a todos os níveis; saúde, educação e liberdade, só para citar o essencial, são governados ou têm o concurso dos liberais! A Iniciativa Liberal é uma força a ter em conta em qualquer Governo não socialista em Portugal e há muito que fazia falta um Partido Liberal com uma palavra a dizer na democracia portuguesa e contra o esbulho fiscal de que somos vitimas com este Governo.

Votei no homem com convicção e sem complexos!

VITORINO SILVA:

2,9% dos sufrágios e ca. de 123.000 votos.

Que haja 123.000 portugueses que votam neste homem que se limita a dizer meia dúzia de vulgaridades que as pessoas gostam de ouvir, ao estilo verdades de La Palice, diz bem do povo português e ocorre-me Montesquieu que parafraseio livremente:

cada povo tem os políticos e candidatos que merece…

Já li, não sei onde que o subsídio que o homem recebe do Estado pelos resultados que obteve, lhe garante uma excelente maquia, livre de impostos, até à próximas eleições, não sei se é verdade, é capaz de ser…

Não o classifico como almocreve de utopias porque o homem nem besta de carga tinha para o acompanhar…

 



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