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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDXCIII 

FLY, FLY, BABY, FLY… 

«Pelo menos 200 trabalhadores da TAP ganham mais de 120 mil euros/ano». Parangona do jornal “CM”, 11/12/2020. 

Não me admiro minimamente com a parangona do CM, creio que peca por defeito.

 O Ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, forneceu aos portugueses – o que não foi muito bonito e quem sabe se não teve segundas intenções? – na entrevista que deu recentemente à SIC-Notícias, a lista dos salários (incompleta) dos pilotos da Tap, ei-la:

  • Oficial Piloto com 1 ano na TAP  –      80 mil euros/ano
  • Comandante com 10 anos na TAP – 185 mil euros/ano
  • Comandante com 20 anos na TAP – 241 mil euros/ano
  • Comandante com 30 anos na TAP – 260 mil euros/ano

Afirmou ainda que havia diferenças salariais desde 18 e até 85% nos vencimentos de tripulantes da TAP quando comparados com os da Ibéria, os da Tap ganhavam mais. Os sindicatos apressaram-se a dizer que os pilotos da Tap não ganhavam mais do que os seus congéneres europeus, da Lufthansa, por exemplo. Então, ganham o mesmo? 

Analiso os custos de um salário de um Comandante com 30 anos de casa; 260 mil euros/ano a dividir por 14 meses é igual a 18,571 €, sei que a este salário corresponderão mais alguns custos: Taxa Social Única: 23,75 correspondentes à entidade patronal, ou seja, 4,410 €. Imagino que estes pilotos tenham um seguro de saúde e de vida que não faço a mínima deia do que podem custar, com este nível de salários não poderão ser baratos. Para além de outros custos, os Comandantes que voem em longo curso, têm, obrigatória e contratualmente que ficar alojados em hotéis de 5 estrelas sendo abonados de todas as refeições e provavelmente de mais alguma ajuda de custo, que ignoro. Seja como for, podemos contabilizar como seguros, cerca de 23.000€/mês, ou, vezes 14 meses, igual a 321,734€. Já não falo dos custos de formação, enormes e incontornáveis! 

Aliás e a este propósito, Rui Rio afirmou há dias que: “A Tap paga em média 16 200 euros a cada piloto por mês”, e ouvi Camilo Lourenço afirmar que alguns pilotos custam mais de meio milhão de euros por ano à empresa… 

Nada tenho contra um piloto, com 30 anos de casa ou só com um, ganhar bem, trata-se de uma profissão muito exigente, de enorme responsabilidade e de desgaste substancial, sendo certo que as pessoas que optam por esta profissão, sabem ao que vão e o que as espera. 

A Tap tem 1.500 pilotos e analisando esta grelha salarial, vivendo nós em Portugal, sendo a Tap uma empresa pública que nos últimos 10 anos deu lucro uma única vez: 

https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/tap-apresentou-prejuizos-em-nove-dos-ultimos-dez-anos

 estes salários, repito em Portugal e na Tap, são absoluta e completamente insustentáveis e inaceitáveis, por dizerem respeito a uma empresa pública falida, num país indigente, sempre de mão estendida na Europa e agora também completamente falido e com uma dívida colossal. 

Se analisarmos um pouco da história laboral da Tap, constatamos que os pilotos da Tap fizeram greves sucessivas – que começaram ainda no tempo de Sá Carneiro, que propugnava como solução na altura, fechar e reabrir uma nova empresa com novos contratos e uma reorganização geral que a expurgasse de tudo o que era pernicioso para um salutar desempenho – tantas quanto as necessárias até conseguirem salários equivalentes aos das companhias mais ricas da Europa que pertencem também aos países mais ricos da Europa: SAS; Lufthansa; KLM; British Airways e mais algumas, nenhuma companhia nem nenhum país comparável à Tap e a Portugal. 

A Airbus, o principal fabricante de aviões que equipa o grosso da frota da Tap, recomenda 4 tripulantes num dado modelo de avião, a Tap – não teria sido fruto de lutas, greves e reivindicações exageradas? – emprega 5 tripulantes nesse mesmo avião! Sabem qual o custo de um tripulante a mais em dezenas de aviões e quando qualquer avião é capaz de exigir um número enorme de tripulações fixas para retirar o máximo rendimento do mesmo? 

Na verdade, acho que este plano entregue em Bruxelas e esta reorganização forçada, é mesmo a última oportunidade para fazer uma Tap despida de privilégios absurdos e de salários pornográficos que todos pagámos com língua de palmo. 

A Tap se for gerida por profissionais do ramo e não por políticos, se estiver equilibrada, enxuta e sem nenhum privilégio – é claro que os pilotos terão que ganhar muito mais do que os outros funcionários, não é piloto quem quer – poderá ser viável, quero crer e espero bem que isso aconteça, até para justificar a barbaridade de dinheiro que exigiu, exige e vai continuar a exigir de todos nós, dos nossos impostos, os que os pagámos. 

Por algum motivo os pilotos já propuseram um corte nos salários igual ao da Lufthansa: 

45%, sómente… imagino que agora haja centenas de milhar de pilotos desempregados por esse mundo fora…no fundo, é a lei da procura e da oferta a funcionar…




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