PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDXCVII
«No próximo ano, o salário mínimo vai
subir 30 euros, para 665 euros. Governo está a preparar um subsídio para as
empresas mais afectadas, através da devolução do aumento dos encargos com TSU».
Raquel Martins, Jornal “Público”, 10/12/2020.
Cada vez me convenço
mais de que vivo num País surreal, e de que sou governado por um Governo que
pensa que vive e que governa como se o País se revisse no conto de Lewis
Carroll: “Alice no País das Maravilhas!
Esta intenção é
Kafkiana e rotundamente absurda. Não, por favor, não me venham com os baixos
salários que os mais mal pagos auferem em Portugal, estamos de acordo, o dobro
do Salário Mínimo Nacional, seria insuficiente para fazer face ao custo de vida
altíssimo para quem aufere de rendimento tão parco! Esse é um falso problema. O
que é preciso é ver se as empresas têm condições para pagar mais – já sabemos
que para o Estado isso não é um problema porque até se pode dar ao luxo de ir
para além do S.M.N., como fez em 2020, Estado rico, a nadar em dinheiro! – e,
francamente, num momento em que vivemos uma crise terrível, em que grande parte
das empresas estão de gatas, há meses sem produzir nem facturar nada que se
veja e que lhes cubra as despesa mínimas, o “breakeven”, aumentar o salário
mínimo é como mais uma facada num tipo que numa rixa já levou várias e já está
a jorrar sangue abundantemente enquanto espera pela ambulância, que está entre a vida e a morte e que esta
última facada pode ser letal… vai ser mortífera para imensas empresas.
Já sei, o
Governo até foi para além do que tinha proposto na Concertação Social, o PCP
obrigou-o, mas a solução encontrada é económica e políticamente absurda, um
“nonsense” perfeito!
Então as
empresas que não podem pagar vão ser subsidiadas por todos nós através da Taxa
Social Única? A Taxa Social Única, como o nome bem diz, é uma taxa e se é uma
taxa é um tributo, e se é um tributo, é um imposto, e se é um imposto,
consignado ou não à Segurança Social, é pago por nós todos ou por todos os que
temos trabalho. E se a Segurança Social não tiver recursos o Estado terá que
prover a Segurança Social. É dos livros e das obrigações do Estado e da
solidariedade que deve a tudo e entre tudo o que é Estado…
E se as empresas
não podem pagar é porque não têm condições económicas para tal! E se não têm
condições para tal, não deve ser o Senhor Anastácio de Trás-os-Montes, ou a
Dona Felisbela do Alentejo profundo, a pagar isso com os seus impostos, com a
sua TSU, isto se tiverem emprego, se pagarem impostos, e se não pagarem,
seremos nós que pagaremos por todos eles!
Este
Governo – felizmente e já vai atrasado –
cava o caminho da sua queda, da sua inoperância, da sua paralisação, das suas
contradições insuperáveis, da sua incompetência e dos seus malabarismos
permanentes, como é o caso vertente. É um Governo imprestável que concorre
activamente para o anedotário e para o absurdo nacional.
O que se podia
esperar de um político como António Costa que por onde passou não fez nada de
jeito, antes pelo contrário, por exemplo, no Ministério da Administração
Interna, quando foi Ministro da pasta, foram só asneiras: Kamov, Siresp, fim
dos guardas-florestais, etc., chega?
Agora imaginem
uma inépcia destas a dirigir o País, é como Sócrates e da mesma escola ou não
tivesse sido seu braço direito durante anos, no início corre tudo bem, o pior é
depois…

Comentários
Enviar um comentário