PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDXCIX
«O ex-agente duplo britânico George Blake, a famosa toupeira que
espiou para o KGB soviético na década de 1950, antes de se mudar para o Leste,
morreu aos 98 anos, anunciaram, este sábado, agências de notícias russas. […] Blake revelou que terá traído pelo menos 500
agentes ocidentais com a informação que passou para a União Soviética, mas
recusou a acusação de que 42 destes espiões morreram depois de ter revelado a
sua identidade.». “Jornal Económico”,
25/12/2020.
Recusou a acusação? Mas Blake vivia um conto de fadas? O que é que Blake achava que aconteceria aos seus conterrâneos ou aos cidadãos soviéticos que denunciou como espiões ao serviço do Ocidente? Seguramente que Estaline, os seus sequazes e depois, os seus continuadores; Krutchev, Brejnev e o resto da geriatria soviética, não só não os promoveriam como não lhes davam uma datcha no Mar Negro como prémio por traírem aquilo que designavam por internacionalismo proletário, o ideal, e o caminho para o sol brilhar para todos os trabalhadores…
Blake foi duplamente traidor; traiu o seu País, a Inglaterra, os seus conterrâneos, e sobretudo, os cidadãos soviéticos que viviam na miséria do comunismo e, exactamente por isso, o mais provável era denunciarem e espiarem contra a U.R.S.S. – na vaga esperança de assim estarem e contribuir para o fim da utopia do pesadelo – naquilo que se pode considerar a maior falácia da história da humanidade: o comunismo!´
É por isso que Blake e companheiros não merecem nenhuma consideração e é fácil constatar que todos os seus esforços foram em vão, por uma causa perdida e que deixaram inúmeras vítimas no terreno para além de terem feito perdurar o comunismo, possívelmente, sem Blake, Anthony Blunt, Kim Philby, Donald Maclean, Guy Burgess e John Cairncross, o grupo de Cambridge – os maiores traidores ocidentais da democracia e dos ideias do Ocidente, dos quais, pelo menos quatro, refugiaram-se e exilaram-se na U.R.S.S.. – e sem o seu forte e importante contributo, a U.R.S.S., teria sucumbido antes de 1991, e com a sua queda, toda a desgraça correlativa e associada ao comunismo, ter-se-ia desvanecido e colapsado mais cedo.
Foi pena que a perseguição absurda de uma utopia que deu demasiadas provas do seu irrealismo, os levasse a esta insanidade, creio que quando desertaram para a URSS se puderam aperceber da diferença colossal entre viver em democracia, em Inglaterra, um exemplo dos mais sãos e válidas do Ocidente, e uma ditadura execrável, ao serviço de um totalitarismo indisfarçável, implacável e cruel como o são todos, com um torcionário psicopata que dava pelo nome de Estaline, a chefiá-lo.
Acho que esse
foi o castigo de todos eles, e faz sentido, se não se é punido no Além, que se
observe o velho provérbio terrestre: “cá se fazem, cá se pagam”! e
francamente, passar um inverno em Moscovo na qualidade de traidor, deve ser
horrível, passar inúmeros sem poder regressar a casa e tomar o “five o'clock tea“ – um requinte civilizacional
que, por sinal, parece que em Moscovo não apreciavam chá… só vodka, e vodka,
como sabemos, não é para todos… – deve ter
sido o castigo terreno supremo, e foi muito bem feito!

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