PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDLXXIX
"É
uma abstenção que marca um distanciamento face a opções e critérios que o
Governo assume".
João
Oliveira, líder parlamentar do PCP.
“Em política,
os aliados de hoje são os inimigos de amanhã.” Nicolau Maquiavel.
A
Geringonça morreu, morreu mas está viva! Não percebem, eu explico; a Geringonça
hoje é como um individuo que sofreu um AVC e que ficou com metade do corpo
paralisado para sempre…
A Geringonça tinha dois suportes: BE e PCP, o BE saltou fora, já
não faz parte da mesma e o PS aproveitou para lhe lançar uma diatribe na
discussão do OE-2021 e, muitas cobras e lagartos... Maquiavel, como grande
pensador, explica isso muito bem e duma forma exemplarmente sucintamente…
É verdade que, contrariamente a 2015, já não há papel assinado,
mas o PCP, mesmo sem papel, continua de corpo e alma na Geringonça mesmo que
João Oliveira faça uma pirueta inacreditável ao dizer o que diz… quando há
distanciamento vota-se contra, justamente para não se ser acusado de se ser próximo
e – o PEV, não existe enquanto partido autónomo, e o PAN não conta, é minúsculo
e o seu voto seria insuficiente – único suporte do Governo do PS!
A explicação é
simples; é preferível arcar com os custos da Geringonça – significativa quebra
no eleitorado como todas as eleições confirmam desde que há Geringonça – em que
pode sempre brandir como enorme vitória para os trabalhadores, meia dúzia de
medidas que conseguiu negociar e fazer passar no Orçamento, como, por exemplo: lay-off
pago a 100%; o aumento em 10€ a partir de 1 de Janeiro, de todas as
reformas e pensões até € 658 euros; o prolongamento por 6 meses do subsídio de
desemprego quando o período da sua concessão termine em 2021, etc.; etc.; do que a irrelevância irreversível e incontornável da
sua exiguidade eleitoral.
Manter a Geringonça
viva é um pouco como ter realizado o 1ª de Maio, ter levado avante a Festa do
Avante, e agora organizar o XXI Congresso – todos estes factos obrigam a falar
muito do PCP, põem o PCP no olho do furacão e dão-lhe a sensação de força e de
influência mas, a verdade é que não são fogos fátuos, o PCP há muito tempo que
está destinado à irrelevância e já tem o seu lugar reservado no caixote do lixo
da História, para usar a expressão de outro comunista célebre, Trotsky, que
outro comunista ainda mais célebre, Estaline, mandou matar à picareta aquando
do seu exílio no México…
Tudo isto é muito edificante e exemplar, o único problema é o
custo altíssimo para o povo português, não é em Janeiro com mais 10 Euros na
carteira, é a prazo, como em 2009, com os aumentos à Função Pública de 2,9%
(mais 1,1% de deflação nesse ano), incontornáveis na ignóbil bancarrota de 2011,
fruto de políticas análogas às que o PS e PCP fazem agora para aprovar o
OE-2021, na Assembleia da República.
Nunca a asserção: “o diabo está à espreita”, foi tão curial…

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