PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDXLI
«[…] o Partido Comunista é um dos partidos
estruturantes do sistema político da nossa democracia […]». Editorial do
Jornal “Expresso”, 5/09/2020.
“O comunismo russo é o filho
ilegítimo de Karl Marx com Catarina - a Grande.” Clement Richard Attlee.
Se é assim, então, deveríamos aceitar as acções do
Partido Comunista como acções em prol da democracia e da sua consolidação. O
problema é que isso não é verdade. É mesmo uma rematada e despudorada mentira.
Quem tenha sido testemunha do papel e do
contributo do Partido Comunista Português para a (des)consolidação da
democracia desde 1974, até aos nossos dias, só pode chegar a uma conclusão:
criou-se uma narrativa apoiada pelos meios de comunicação social, pelos
partidos políticos (alguns…) e pela
maior parte dos políticos, jornalistas e comentadores – que começou no 25 de
Novembro com o apelo do major Melo Antunes – da imprescindibilidade do PCP na
cena política portuguesa para desenvolvermos e consolidarmos uma democracia
sólida e estável.
Que ideia mais estapafúrdia!
Ora isto é como uma fábula ou, se preferirem, como
construir uma casa em terrenos de areia movediça, é falso, o PCP não tem nenhum
vestígio de partido democrático e alguma hipotética réstia de democracia que
possa praticar nos seus órgãos internos, é imediatamente cerceada e boicotada e
os seus actores banidos, se não estiver de acordo com os cânones – vindos
superiormente de cima para a base e não o contrário como seria o caso se houvesse
democracia – que guiam o PCP para os “amanhãs que cantam”…
Acresce que o PCP sempre defendeu a Ditadura do
Proletariado – uma ficção insuperável de desconchavo político e ideológico,
na qual depois da tomada do poder pelo proletariado, o Estado desaparece! Sim,
o Estado desaparece – o que significa por si só, estar nos antípodas da
democracia liberal e burguesa pela qual os partidos genuinamente democráticos
lutam. Como é que nos países comunistas, férreamente centralizados, o Estado
pode desaparecer? Como é que numa economia centralizada – que se caracteriza justamente
por ser o contrário das economias de mercado e tipifica as sociedades e
economias comunistas – o Estado pode desaparecer? Como é que numa economia
moderna, com estratégias e acções fortemente centralizadas, o Estado poderia
desaparecer? Só se for por um golpe de prestidigitação e, para isso, o melhor
mesmo é chamar o António Costa, o grande faquir, o mestre da falácia e do malabarismo…
Quem não perceber isto, incorre no erro de
palmatória do editorial do jornal “Expresso” que valoriza o papel estruturante
do PCP na consolidação da democracia portuguesa.
A menos que o articulista se tenha enganado e, na
verdade, o que pretendia dizer era o papel DESESTRUTURANTE do PCP na democracia
portuguesa e, nesse caso, estaremos (quase) todos de acordo…
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