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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDXXVI

«A esperteza do PCP para transformar um evento com duas horas de comício e dias inteiros de música num acontecimento político com uma faceta lúdica (quando sabemos que é o contrário) causa espanto ou irritação». Manuel Carvalho, Jornal “Público”, 15/08/2020.

A esperteza do PCP é uma esperteza saloia. Como quase sempre com os políticos – sobretudo os de esquerda, veja-se Sócrates, um “espertinho”, fez de nós todos os tansos do século! – que usam e abusam da nossa capacidade de condescendência, boa fé e, acima de tudo, da ignorância, quando se aplica...

Parece que o PCP alega que a festa do Avante não é um festival porque a componente política é a razão principal, de fundo e do espectáculo todo e, sendo assim, é diferente dos outros festivais puros e duros onde, em princípio, só há música…

Manuel Carvalho no parágrafo que cito em supra, desmonta, escaca e deita ao caixote do lixo essa argumentação; com efeito, é verdade que há debates e política na festa do Avante, mas o mais importante, o essencial e com grande impacto nos meios de comunicação social – onde naturalmente, o PCP joga muito forte –  são as duas horas do discurso do inefável Jerónimo de Sousa, o resto, os outros dois dias e meio; é música,  teatro, ranchos folclóricos, grupos corais, ballet, cinema, desporto e comes e bebes, ou seja, é festival! E se é festival, por que raio foram todos os outros festivais proibidos?

Só os verdadeiramente tansos não vão perceber isto, mas esses são, muito provavelmente, aqueles que contra os ventos da História e toda a evidência, continuam a votar no PCP e a acreditar que o projecto comunista – a ideologia mais falhada alguma vez congeminada e posta em prática pelo homem, se não anterior, pelo menos desde a Guerra de Tróia – lhes há-de trazer; “o sol a brilhar para todos nós”, mesmo em dias de nevoeiro espesso…

Não me admiraria que muitos dissessem que iam às fêveras com aquele tintol do Cartaxo, ou ao frango assado no espeto à Angolana acompanhado daquela cerveja fresquinha a estalar, mais umas azeitoninhas, boroa e presunto, mais a música e a alegria da festa, e que a política não os interessava, era para os outros…

P.S. – Parece que ninguém vai criticar os músicos que actuam na Festa do Avante como criticaram Olavo Bilac por este ter actuado num comício do Chega, é que ele há músicos e músicos e Festivais e Festivais, uns são da extrema-direita, outros são da extrema-esquerda, topas a diferença?


 

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