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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDXXIV

«Covid- 19 já provocou 628 mortos em utentes de lares em Portugal». Jornal “DN”, 10/08/2020.

“A dignidade pessoal e a honra não podem ser protegidas por outros, devem ser zeladas pelo indivíduo em particular”. Gandhi.

As notícias dizem que só no lar de Reguengos já morreram 18 pessoas:

https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/lar-em-reguengos-de-monsaraz-onde-morreram-18-pessoas-com-covid-19-nao-cumpria-orientacoes-da-dgs-conclui-inquerito

Esta notícia tem a data de 6 de Agosto passado, ou seja, é de há poucos dias atrás.

Não sei como é possível continuar a afirmar – como muita gente faz contra factos, números e argumentos – que a Ministra da Saúde, a Directora Geral da Saúde e demais responsáveis estão a fazer bem o seu papel? Não percebo, quando surgiram as primeiras vítimas do Covid, os lares foram os principais focos de infecção e provocaram o maior número de vítimas – 40% de todas as vítimas tiveram origem nos lares – estamos a falar de Abril, Maio ou Junho passados, mas estamos em meados de  Agosto e isto ainda é possível, não tendo estes responsáveis pela saúde de todos nós, aproveitado minimamente da experiência recolhida e agido em conformidade para evitar o que se passou em Reguengos.

O relatório da Ordem dos Médicos é arrasador a este respeito, nem sequer as instruções da Direcção Geral de Saúde eram cumpridas. Então, e não se passa nada? Não há demissões, não há dignidade? E o que diz o Presidente da Câmara eleito pelo PS a um acontecimento com esta gravidade ocorrido no seu Município? E que, por sinal, preside também ao Conselho de Administração da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) que detém a Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), onde ocorreram as mortes. Nada, ou antes, diz que tudo foi feito para salvar vidas, imaginem só que não tinham feito tudo… quantas vitimas haveria?

Não me admiro, já vi um filme idêntico, só que, embora também não tenha havido demissões, excepto uma imposta pelo Presidente da República; a da Ministra da Administração Interna da altura, Constança Urbano de Sousa, a tragédia deixou marcas no curriculum vitae desta agremiação de incompetentes que nos governa e zela pela nossa saúde. Houve até quem afirmasse que a colocação de “boys” sem nenhuma experiência na Protecção Civil pouco tempo antes da ocorrência dos incêndios, não foi alheia à tragédia brutal que deixou 110 mortos no terreno. E se não há demissões com 110 vítimas mortais, por que raio haveria de as haver com uns meros 18 mortos, 17 dos quais velhinhos e alguns por desidratação e falta de cuidados básicos? Sim, por desidratação, acreditam?

Conclusão; “demissão”, passou a ser um vocábulo que este Governo e a sua entourage desconhece estoicamente. Para tudo é preciso dignidade…


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