PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDXXI
«António Costa foi para a estrada pedir maioria absoluta nas legislativas de 2015 e acabou por perder as eleições. Pormenor: apesar de publicamente pedir a maioria absoluta, nos bastidores, já fazia contactos discretos e exploratórios com destacadas figuras do PCP». Miguel Santos Carrapatoso, Jornal “Expresso Curo”, 25/05/2020.
«Quando o sangue respira ódio, não pode dissimular-se». Séneca.
António
Costa de democrata só tem o nome e o hábito muito esfarrapado. As Legislativas
de 2015 foram o exemplo acabado de um desrespeito absoluto de Costa pela
democracia e pela sua essência.
Nenhum genuíno
democrata, digno desse nome e que cultive, preze e respeite a democracia tal
como foi concebida e deve ser exercitada – justificaria e legitimaria o assalto
ao poder de Costa e correligionários em 2015 – aceitaria e caucionaria a
“golpada” que Costa protagonizou e da qual foi actor principal. Para Costa e
aliados, era intolerável naquela altura, termos um Governo de centro-direita
por mais 4 anos, nem que para tal tivessem que apear o Governo escolhido
pelos portugueses democraticamente. Foi o que fizeram e para esse desiderato desprezaram
o princípio número um da democracia: governa quem ganha as eleições. É por isso
que democraticamente, não se pode aceitar a maneira como Costa chegou ao poder
em 2015, este curto parágrafo que cito em supra, é a prova disso mesmo;
negociava com o PCP nos bastidores e secretamente para formar Governo com o seu
apoio, mas mantinha o eleitorado na ignorância dessa intenção! Apesar de
constitucional, não deixa de ser um exemplo de indignidade e que define a
personagem.
Costa sabia que se o anunciasse préviamente, o eleitorado perceberia a intenção como uma manobra inaceitável devido ao repúdio que o comunismo ainda hoje gera(va) no eleitorado moderado do PS, que nunca o aceitaria. Costa arriscava uma derrota histórica, muito pior do que os 32% que obteve na altura, e isto após 4 anos de chumbo na vida portuguesa fruto da bancarrota de Sócrates em 2011 e da correlativa acção da Troika. Muita gente que votou PS – votaria ou abster-se-ia – embora com relutância dada a sua índole de esquerda, na continuação do Governo PSD/CDS, aliança com os comunistas, é que não!
A
democracia é acima de tudo; transparência, lisura, correcção de princípios e
respeito pelo adversário, sim, respeito pelo adversário, alguém encontra esse
respeito por parte do PCP e BE em relação aos outros partidos à direita do PS?
Os “democratas” de que Costa se rodeou, são os mesmos que todos os dias
destilam ódio em relação à democracia a que chamam burguesa, e que tentam
passar a falácia de que o PCP e o BE são partidos genuinamente democratas e
empenhados na prossecução e aprofundamento da mesma!
Que o PS
se tenha prestado a esta encenação e a esta mistificação, só merece um reparo;
estão muito bem acompanhados pelo PCP e BE na sua luta e no seu “apego” à
democracia, só não percebo porque apoiaram incondicionalmente Mário Soares
durante décadas na sua luta contra o PCP, para agora apoiarem Costa?
O dia do ajuste de contas – como sempre acontece em política e não será só do eleitorado, surgirá de dentro do próprio partido – já esteve mais longe…

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