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PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCDI

«O dinheiro que o Estado pretende injectar na Tap, seria melhor distribuído através das várias companhias que operam em Portugal em proporção do seu contributo para a conectividade do país. […] Operações de salvamento massivas, compostas por muitos milhares de milhões de euros a um punhado de companhias aéreas nacionais são regressivas, injustas e ilegais numa crise que afectou tudo e todos». Michael O’Leary, CEO da Ryanair, Jornal “Expresso”, 27/06/2020.

Declaração de interesses: não tenho nada de pessoal contra a Tap, antes pelo contrário, é credora da minha simpatia – analiso a sua performance sob um ponto de vista institucional – pois foi fornecedora de serviços a empresas estrangeiras para quem trabalhei inúmeros anos e mantive relações de trabalho de enorme rigor profissional, ao mesmo tempo que aprofundei amizades que ainda hoje perduram com os inúmeros colegas com quem lidei durante anos.

Ao que se sabe, a Ryanair não vai receber nenhum apoio do Estado Irlandês para se aguentar na crise Pandémica provocada pelo Coronavirus. E se isso for verdade, numa economia de mercado onde as regras da concurrência devem ser iguais para todos e respeitadas por forma a não provocar distorções e a não permitir que uns sejam favorecidos e os outros preteridos, Michael O´Leary tem carradas de razão.

Há décadas que a Tap voa amparada e suportada pelos dinheiros do Estado, sem ajudas a Tap já teria falido – o que só mostra a sua inviabilidade económica – inúmeras vezes e faliria agora mais uma vez. Ao que consta, a Comissão Europeia autoriza uma injecção de 1.200 milhões de Euros com condições. Claro, quem é que o faria sem condições?

Finalmente, a Ryanair assegurou durante muito tempo as ligações que a Tap não quis ou não pode manter à partida do Porto, estou a lembrar-me de Barcelona, Roma e Frankfurt, por exemplo. E se a Tap fechar amanhã, há duas coisas que vão acontecer; alguém vai garantir as ligações que a Tap não vai poder assegurar mais, e vai acabar o poço sem fundo – em que a Tap se transformou, aliás, sempre foi – dos impostos dos portugueses.

Mas é facto que Michael O’Leary tem razão, as ajudas públicas são um factor de perturbação da lógica de mercado e, sobretudo, da equidade entre os seus diferentes actores…


P.S. – hoje, dia 29 de Junho, há 17 ligações de e para o Porto (favor ver: chegadas em temo real – aeroporto do Porto) de diversas companhias aéreas estrangeiras, só de Paris há 4 vôos, da Tap há um único, TP 2474 proveniente de Lisboa…  haverá melhor prova do que esta de que se a Tap fechar não vão faltar ligações de e para o Porto?

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