PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCCXCV
HÁ FALÁCIAS E FALÁCIAS, ESTA É DAS MAIS
VERDADEIRAS…
“De
cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”.
Karl Marx.
Princípio que António
Costa parafraseou da seguinte maneira: “é uma sociedade onde cada um contribui para o bem comum de acordo
com as suas capacidades, e cada um recebe de acordo com as suas necessidades”.
Temos, assim, um
Primeiro-Ministro que acredita em histórias da carochinha, de polichinelo, em
suma, no Pai Natal porque este princípio Marxista básico, linear que qualquer
pretendente a seguir a cartilha comunista aprende e decora inicialmente, se
traduz, da seguinte maneira:
De cada um a sociedade pode
esperar o seu contributo na medida da sua capacidade, quer seja diminuta ou
básica, ou também se for superior; em inteligência, em aptidão ou em formação;
todos receberão segundo as suas necessidades, os mais capazes receberão adicionalmente segundo
essas qualidades evidenciadas, mas a ninguém faltará nada do que é essencial e
básico para uma vida digna, de todos.
Ora, o que se passa e
sempre passou nas sociedades marxistas é o seguinte:
Todos recebem um mínimo,
quando recebem, muitíssimo abaixo das suas necessidades, daí as carências
brutais em todas estas sociedades de tudo o que é básico e até do essencial: os
que têm mais capacidade e sobretudo, mais formação, recebem menos do que os
demais, dos que não têm essas capacidades. A única excepção tem a ver com o
facto de se ter um cartão do Partido que, claro, permite o acesso a tudo e gera
também fenómenos de nepotismo descarado que atiram o mérito e as capacidades
dos cidadãos para segundo plano, ou seja, as diferentes capacidades ficam obnubiladas.
Conheci uma médica Cubana
que fugiu de Cuba e exerce a sua profissão em Madrid onde se radicou, segundo
ela, ganhava cerca de 20 Euros por mês em Havana onde vivia; o seu vizinho,
torneiro mecânico, ganhava cerca de 25 Euros. A conclusão a tirar – este é um
fenómeno mais ou menos generalizado em todos os países comunistas ou, em
teoria, não fosse o operariado ( o proletariado) o agente principal de tudo nas
sociedades comunistas – é que não existe incentivo para estudar, não existe
vontade para assumir as responsabilidades inerentes à exigência de uma
profissão como a de médico, a que acresce o facto de o salário ser
completamente insuficiente para uma vida decente, por isso, a maior parte deles
conduzem táxis no fim do dia para complementarem o magro salário, ou fazem
outro tipo qualquer de biscate.
Quanto ao torneiro
mecânico, apertar porcas e válvulas é um trabalho repetitivo que se for mal
feito, a única sanção é uma repreensão do Comité de Bairro e da Secção de Rua,
que também só surgirá se houver uma inundação, coisa pouco provável porque em
Cuba até a água deve faltar e se não faltar é porque é racionada…
Nunca mais me esqueci deste
princípio que me foi transmitido pelo Pai de um amigo meu – o pobre desse Pai
desse meu amigo já morreu e creio que até ao fim acreditou nisto, coitado –
quando eu tinha 14/15 anos e a cabeça cheia de sonhos. Na altura achei que isto
era o nec plus ultra da melhor forma de organizar política e
económicamente uma sociedade, era inultrapassável, estava lá tudo, roçava a
perfeição…
A verdade é que não conheço
sociedade Marxista que tenha conseguido por em prática este princípio basilar
do Marxismo, talvez por isso ele falhou em todo o lado e o melhor e mais
recente exemplo desse rotundo fracasso é a Venezuela.
E quando me dizem que é
possível criar uma sociedade assim, pergunto: quantas vezes mais será
necessário que a experiência falhe para os (nos) convencermos de que falha
sempre? Que não funciona, que o princípio está errado, é que convém não
esquecer que a matéria prima é o Homem, com todos os seus defeitos e virtudes…
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