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ESTILHAÇOS DA CRISE DOS 850 MILHÕES DE EUROS…

«E, a propósito de farsa, uma palavra sobre a intervenção de Rui Rio nesta enorme ausência coletiva de sentido de Estado. Ao acusar o ministro das Finanças de todas as maldades, sem olhar aos factos e à verdade objetiva». Henrique Neto, jornal “i”, 16/05/2020.

“O hábito de tudo tolerar pode ser a causa de muitos erros e de muitos perigos”. Cícero.

Fiquei estupefacto com a intervenção de Rui Rio na crise da transferência dos 850 milhões de Euros para o Novo Banco via Fundo de Resolução. Não consigo perceber a razão pela qual um político profissional, inserido no meio político, com informação privilegiada, deputado, líder do maior partido da oposição e com inúmeros assessores nas diferentes áreas, consegue ver o problema ao contrário e dizer que Mário Centeno não tinha condições para continuar…

Rui Rio não percebeu que Mário Centeno só não continuava se não quisesse – personagem por quem não tenho nenhuma simpatia, tampouco admiro o seu trabalho enquanto Ministro das Finanças – era insubstituível neste momento, bastava a necessidade imperiosa de ter que acabar o mandato no Eurogrupo, como, de facto, vai acontecer. A Europa não compreenderia nem perdoaria uma sua demissão neste momento, cobrir-nos-íamos de ridículo.

Qualquer observador atento percebia que Costa mentiu descaradamente a Catarina Martins na Assembleia da República quando, contra factos, evidências, auditorias e resoluções do seu próprio Conselho de Ministros e por si presidido, mostravam o contrário, que Costa demagogo-mór, sabia que a transferência ocorreria, tinha a estrita obrigação de saber, e se estava a furtar a reconhecer que o seu Governo, um Governo de esquerda, estava a financiar o capital puro e duro, o capitalismo “tout court”, um Fundo abutre Americano, o Lone Star, exactamente nos termos em que contratualmente, ele, o seu Ministro das Finanças e o seu Governo, o tinham vendido em 2017!

Costa, como é óbvio, não queria perder votos à esquerda, queria “parecer” bem na fotografia, homem de esquerda, pois claro! Rui Rio não se questionou como poderia ser de outra forma, queria um incumprimento contratual e que o nome de Portugal ficasse pelas ruas da amargura?

Rui Rio não percebeu isto? É que é cristalino, não tem nenhuma dúvida de que foi assim, mas é claro que muita areia foi deitada aos nossos olhos, e Rio, coitado, ficou completamente cego.

Rui Rio devia também perceber que António Costa, com esta crise e com a forma como agiu, levou uma machadada brutal na sua imagem, creio que todos os seus correligionários, toda a gente se apercebeu que Costa não passa de um líder político medíocre –  esta estratégia foi pouco inteligente, foi, aliás, supinamente estúpida e prenhe de irresponsabilidade – mas perigosíssimo, não hesita em trucidar um correligionário se for preciso, até o seu Ministro mais popular, para se salvar, contudo, esta estratégia, auguro, vai dar grandes problemas… 

Até quando o PS vai tolerar, sim, tolerar, um líder com estas “qualidades”? Vão repetir o efeito e o caso Sócrates? Vão repetir o acefalismo militante como fizeram com Sócrates?

Auguro também um futuro radioso a Rui Rio, basta continuar a cometer erros de palmatória como o dos professores, há meses atrás, e como este, capital: não distinguir a vítima, Centeno, do seu algoz, Costa…

 (18-05-2020)

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