PENSAMENTO(S) SIMPLES DO DIA – MCCCLXXIII
«Valentina foi espancada até à morte e esteve em
agonia durante 13 horas. Menina foi agredida às
09h00 e morreu às 22h00». Parangona do “CM”, 12/05/2020.
Custa-me escrever sobre um assunto doloroso e hediondo como este mas já li
e vi tanta demagogia barata e comparações – de par com omissões graves –
propagandísticas descaradas a este respeito, que me decidi por estas linhas.
O fim da pena de morte bem como o da escravatura, foram, indiscutivelmente,
avanços civilizacionais de monta e que contribuíram para tornar “o homem
lobo do homem” menos lobo e que humanizaram mais as difíceis relações
humanas. Acresce que se enquadraram no verdadeiro Humanismo, o homem no centro
do Universo, seu actor principal e no cerne de todas as preocupações do homem
pelo homem.
Contudo, há casos também muitíssimo graves e hediondos, quiçá mais graves
ainda, que têm a ver com a pedofilia exercida sobre bebés indefesos, é difícil
encontrar crimes praticados pelo homem mais repugnantes e revoltantes.
O problema põe-se no castigo, no destino a dar a estes psicopatas numa
sociedade civilizada e com sentido de justiça; não defendo a pena de morte
pelas razões que invoquei mas, de maneira nenhuma, defendo o cúmulo jurídico de
25 anos que agora vigora e que quando cumprido com bom comportamento, permite a
liberdade após o cumprimento de pouco mais de metade da pena e, eventualmente, saídas precárias.
Assim, – o facto de não ser jurista
não me inibe de ter opinião e uma participação cívica nesta discussão – julgo
que a pena máxima teria que ser fortemente aumentada e contemplar um cúmulo
jurídico muito maior, por exemplo, 40 anos que permitiria aos algozes expiar
profunda e longamente a sua pena, e resgatariam, de alguma forma, a memória e
os sofrimentos infligidos às suas vitimas.
Também não defendo a prisão perpétua, todo o homem deve ter hipótese de se
arrepender e de se resgatar e à sua consciência, se é que isso é possível
nestes casos.
Dir-me-ão – sobretudo os sociólogos, os psicólogos, os psiquiatras ou quiçá
os juristas – que numa pena há sempre que premiar o bom comportamento e que, senso
assim, toda a pena deverá ter um perdão correspondente a uma parte da pena
infligida. Deixo esse critério aos especialistas sendo certo que a existir, a
mesma nunca poderia ou deveria ser superior a dez por cento da pena, o que
significa que ao fim de 36 anos, ou um pouco mais de pena cumprida, um
criminoso poderia sair em liberdade. Parece-me incomparavelmente mais gravoso e
duro para os criminosos, e muitíssimo mais justo para as vítimas ou, visto que
para elas já não fará nenhuma diferença, para as suas famílias e para a sua memória.
Constato sem nenhum espanto que aqueles que hoje mais se insurgem contra a
prisão perpétua ou a pena de morte, ou
ainda contra André Ventura e as suas posições e ideias, foram aqueles que até
há pouquíssimo tempo defenderam – se é que não apoiam ainda – acérrimamente Mao Tsé-Tung, Pol Pot, a
Dinastia dos 3 Kim na Coreia do Norte, Fidel Castro e Estaline e os seus
horrorosos GULAG – onde os crimes mais vergonhosos – incluíndo fuzilamentos sumários,
logo, sem julgamento algum – e repugnantes contra a humanidade foram cometidos.
Não tiveram um estremeção de consciência ou de repúdio, muito menos protestaram
publicamente por esses crimes e por o homem nesses regimes não passar de um
simples e insignificante número para as estatísticas – nos antípodas do Humanismo – que sempre que não agradavam, eram descarada e vergonhosamente
adulteradas, aliás, como é típico no comunismo…
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